Nunca uma cópia!

‘Como se reconhecem atualmente (isto é, com os novos média) os efeitos da reprodutibilidade técnica na obra de arte (que Walter Benjamin identificou na fotografia e no cinema em 1935)? O que acontece à aura quando um manuscrito é digitalizado (cf. Espólio de Fernando Pessoa no sítio web da Biblioteca Nacional) ou quando uma pintura se torna acessível através de uma base de dados que virtualiza a visita ao museu?’

O mundo evoluiu a nível social, cultural e político. Física e abstratamente o mundo foi-se alterando, crescendo e desenvolvendo. Não é o mesmo do tempo dos meus pais, dos meus avós e não será o mesmo no tempo das gerações futuras. Ao crescimento cultural e socioeconómico aliam-se o crescimento intelectual e tecnológico. Desenvolvendo-se softwares, programas e tecnologias que cada vez mais excluem a possibilidade de unidade e unicidade ao mundo que nos rodeia.

Walter Benjamin escreve um ensaio em que aborda o efeito da reprodutibilidade técnica na arte, na era do crescimento de outras formas de arte nomeadamente a fotografia.

Será que esta possibilidade de reproduzir obras até à exaustão lhes retira a aura? Ou será que a possibilidade de reprodução cria novos conceitos?

A reprodução permite a massificação. E será que esta massificação questiona aura de uma obra de arte no século XIX e XX? E no século XXI?

Quando falamos de aura temos de ter em conta, primeiramente, o século em que nos vamos situar. Nos séculos XIX e XX, esta questão torna-se bem mais emblemática do que na atualidade. Nos séculos anteriores ao em que vivemos uma obra de arte era feita uma vez com um único efeito. (excluindo por exemplo as fases por que passa uma escultura). Seria ou uma encomenda, ou uma expressão do interior do artista. De qualquer das formas, o artista empregava sempre a alma no que fazia. Talvez seja desta ideia que surge a aura da obra de arte.

No século XXI e tendo em conta que a reprodutibilidade técnica é intrínseca à obra de arte, a questão da aura deixa de ter lugar na sociedade. Por exemplo, a ideia da música ao vivo é criada pela reprodução, sem a reprodutibilidade o conceito de ‘ao vivo’ seria inexistente. O registo de um concerto/espetáculo ao vivo é um processo de remediação. Remediação essa que é eminente.

A fotografia e o cinema são obras de arte intrinsecamente reprodutíveis. Fosse essa reprodutibilidade negada, seria quase impossível o lançamento de um filme à escala mundial, ou exposição da fotografia em vários sítios ao mesmo tempo.

A reprodutibilidade não pode ser vista apenas como a cópia de um original, deve ser vista como uma matriz com outra origem. Qualquer coisa acrescentada, nunca uma cópia. A reprodutibilidade dá origem a novas formas de arte e possibilita a distribuição das mesmas. Não fosse este o caso, teríamos de viajar sempre que quiséssemos ver um filme, não português, ou ouvir um álbum de uma banda estrangeira.

Inês Lopes


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