Aura perdida

Podemos dizer que a aura é tudo aquilo que nos envolve, a nós e a tudo o resto que conhecemos e interagimos. A aura não é mais nem menos do que a nossa essência. Sendo assim a aura de todos as obras de arte, sejam quadros, manuscritos, poemas, livros, etc, toda essa aura acaba por ser perdida, por vezes no espaço, por vezes no tempo.

Acho muitíssimo bem que toda a gente possa ter acesso a todo o tipo de obras de arte já existentes, sejam do séc.XIX ou do séc.XXI, é de louvar a facilidade que toda a gente tem no que toca a alargar o seu conhecimento e a matar a sua curiosidade, desde sites de museus, de exposições, de concertos, de eventos de música, pintura, escultura, arquitectura até catálogos e livros onnline, mesmo não tendo oportunidades financeiras ou outras para o fazer, toda a gente pode ver a “Mona Lisa” de Da Vinci ou o quadro “Guernica”  de Plabo Picasso.

Toda esta informação, todo este conhecimento a que podemos ter acesso através de um click, é quase “falso”, na medida em que se tratam de cópias. Estas reproduções de obras originais nunca têm a aura que a verdadeira obra de arte tem na totalidade. Podemos ler um livro de Fernando Pessoa mas não podemos cheirar as folhas a novo, podemos ver uma escultura de Ron Mueck mas não podemos ver como quem vê quando a está a olhar de frente, não conseguimos sentir, na maior parte das vezes, aquilo que o autor da obra sentiu e quis transmitir quando a executou,  por exemplo o realismo de umas das esculturas de Mueck ou toda a genialidade das obras de Pessoa.

Com isto, podemos concluir é claro, que a reprodutibilidade técnica altera a natureza e a função social da obra de arte. Tendo toda a gente acesso a todo o tipo de obras de arte, toda a gente pode criar também as suas próprias obras de arte ou até reproduções de obras de arte já existentes, porque afinal, tudo é considerado arte, se é de qualidade ou não, se tem valor ou não, isso é com cada um, isso é com cada autor e com a aura que inserem na sua obra de arte. Sendo assim, a arte expande-se pelo mundo mas também perde imenso valor – já não é vista com os mesmos olhos, tornou-se comercial, deixou de ser natural, de ser própria e, essencialmente, deixou de ser genuína.

Soraia Lima


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