Reprodutibilidade Técnica e Arte

Com a reprodutibilidade técnica a natureza e a função social da obra de arte mudou. Enquanto antigamente a obra de arte era utilizada num contexto ritualístico e religioso, e onde eram os ‘senhores do poder’ que tinham digamos o controlo sobre os artistas e sobre a obra de arte, hoje em dia com a reprodutibilidade técnica e a ‘massificação’ da arte, isso mudou. Também já não é só aquele grupo restrito de pessoas que tem acesso à chamada “arte”. Os novos média vieram mudar isso e as pessoas tem acesso à “arte”. Pessoas que por exemplo não tem dinheiro para viajar podem graças a Internet visitar um museu virtualmente. É claro que nunca é a mesma coisa do que ir lá ao sítio, ver e sentir a “obra”. Hoje em dia a obra de arte também é descontextualizada, mas a própria pessoa pode recontextualiza-la procurando a história dessa mesma. De qualquer forma com a passagem do tempo as pessoas já não olham para uma obra da mesma forma que as pessoas que por exemplo viveram no tempo em que ela foi criada, tal como cada pessoa tem uma abordagem diferente em relação à obra.

Como já referi, a função social da obra de arte mudou. Já não são só aquelas elites que podem criar uma chamada “obra de arte” porque hoje em dia graças ao avanços tecnológicos tornou-se fácil criar uma obra. O próprio povo, qualquer pessoa que deseja pode criar uma “obra de arte”. A arte tornou-se nesse sentido uma arma política, onde o povo ganhou um poder que não tinha antes. Como o explicou Walter Benjamin, ao dar o exemplo da fotografia:

 

A partir de uma chapa fotográfica é possível tirar um grande número de cópias; não faz sentido interrogarmo-nos sobre qual será a autêntica. Mas no momento em que o critério de autenticidade deixa de ser aplicável à produção da arte, então também toda a função da arte se transforma. A sua fundamentação ritualística será substituída por uma fundamentação numa outra prática: a política.

A chamada “arte” foi questionada. As pessoas perguntaram-se, mas o que era arte afinal? Um belo quadro? Um música bonita ou um poema engraçado? Veio a fotografia e com ela mais tarde o cinema, etc. Uns criticavam dizendo que aquilo não era arte, não era “puro” e outros ficaram fascinados com as novas descobertas.

Hoje, na minha opinião, já não é dado tanta importância “a obra”, ao objeto em si, mas à mensagem que está por detrás, ao conteúdo ou o que o artista quer transmitir ou demonstrar com aquilo. Aquela doutrina de arte pela arte, de arte “pura” já não faz grande sentido.

Walter Benjamin há umas décadas atrás explicou de forma clara como a reprodutibilidade técnica veio mudar a natureza e a função social da obra de arte. Com isto também se impõe a questão “O que é arte?” Desde então as pessoas continuam a fazer inúmeros debates sobre o que é arte e o que não é arte. Ainda não é bem claro. Eu não vou comentar sobre esse tema, porque teria de expor muitos outros aspetos, mas já que toquei nele queria ao concluir o artigo deixar aqui uma citação dum célebre artista, escultor e pintor alemão já falecido, Joseph Beuys, como reflexão sobre o tema: “Libertar as pessoas é o objetivo da arte, portanto a arte para mim é a ciência da liberdade.”


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