Reprodutibilidade: fundamental?

Tema de escrita: como se reconhecem atualmente (isto é, com os novos média) os efeitos da reprodutibilidade técnica na obra de arte (que Walter Benjamin identificou na fotografia e no cinema em 1935)? O que acontece à aura quando um manuscrito é digitalizado (cf. Espólio de Fernando Pessoa no sítio web da Biblioteca Nacional) ou quando uma pintura se torna acessível através de uma base de dados que virtualiza a visita ao museu?

Nos dias de hoje, o conceito de obra de arte tem vindo a mudar muito, tanto no facto de ser considerada como “obra” como também a avaliação da sua autenticidade. É muito difícil para uma pessoa normal, isto é, sem credenciais para avaliar uma obra de arte reconhece-la como verdadeira ou não, a reprodutibilidade é tanta que não conseguimos distinguir a verdadeira da falsa muitas vezes. Na minha opinião, a aura da obra de arte quando é digitalizada ou reproduzida pelos média, perde-se, o seu impacto é diminuído e a obra deixa de ter carácter e a chamada “alma” do artista. Para efeitos de pesquisa e visualização desprovida de sensações e sentimentos, a digitalização das obras é importante, bem como as visitas virtuais aos museus, pois ajudam-nos a conhecer as obras (mal) mesmo longe dos museus ou galerias em que se encontram. Isto de facto é bom para trabalhos escolares, pesquisas normais movidas por curiosidade, entre outros. No entanto, continuo a defender que, sempre que possível, é preferível ver as obras de arte ao vivo e a cores do que pela televisão ou o computador. Quando é visualizada através de um ecrã, todo o conceito da obra (salvo excepções em que a obra seja gerada por computador ou criada para ser vista através de um ecrã) fica alterado e ficamos com uma ideia errada da mesma.

 A reprodutibilidade técnica e digital é fundamental, até porque faz parte da evolução dos média e da arte em si, mas em certos aspectos pode e deve ser reprovada pois despersonaliza a obra de arte.

Para concluir, experimentem pesquisar no google imagens “a sesta” de Van Gogh e tentem encontrar a obra verdadeira. É impossível graças à reprodutibilidade.

                                                                                                                                       

 

                                                                                                                                    António Martins


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