Identidade Digital

Tema de escrita: Em que medida os dispositivos são extensões psíquicas e emocionais dos sujeitos?

Os novos dispositivos digitais permitem aos indivíduos que eles estabeleçam relações de sociabilidade virtualmente projetada, fazendo com que tanto sua percepção de mundo e sujeito, quanto de relacionamento e comunicação sejam modificadas. Com o desenvolvimento tecnológico, a massificação da produção de dispositivos digitais e a consequente absorção deles pela grande maioria dos indivíduos, houve uma alteração nos padrões do comportamento humano no que diz respeito a construção do sujeito e a forma como os indivíduos relacionam-se com o meio ao qual se encontram (e se inserem) seja pessoalmente ou virtualmente.

Esses dispositivos tornaram-se extensões físicas do corpo humano, na medida em que incorporamos suas funções ás necessidades de nosso dia a dia. Criamos esses aparelhos e aplicações e com eles a necessidade de usá-los. Eles ditam a forma de relacionamento e interação dos indivíduos, mediando suas ações. Decisões são tomadas e colocadas em pratica através deles, e eles nos permitem atuar em situações que seriam inviáveis perante as limitações da condição humana. Esses dispositivos podem tornar os indivíduos onipresentes e faze- los estar presente em diferentes locais e tempos. Uma pessoa pode estar em um determinado local e mediado por um dispositivo digital conseguir se comunicar com indivíduos que estejam em (ou sejam de) contextos e  realidades completamente diferentes da sua, por exemplo.Assim, é corpo físico enquanto sujeito que manipula o dispositivo e esse por sua vez atua como extensão do individuo( na medida em que supera suas limitações), e [o sujeito] é descorporizado na medida em que torna-se uma representação virtual de si próprio.

Imaginemos a situação de um jovem em Hong Kong que decide ir até um Cyber café para conversar com uma moça americana que conhecera em um chat na noite anterior. Ele entra no estabelecimento, e ao ligar sua máquina conecta-se á outro mundo, que não é aquele em que está fisicamente presente. Por sorte, nosso amigo encontra a jovem americana on line, e eles começam a conversar independentemente dos muitos km de distancia e da diferença no fuso horário que os separam. Eles passam algum tempo conversando, e o rapaz dá-se conta que já era hora de retornar ao trabalho. Despede-se dela, mas antes pede que a jovem o adicione em uma rede social.Desliga a máquina apressadamente e ao se levantar esbarra em um funcionário (e só assim percebendo a presença dele),desculpa-se e deixa o local…Enquanto isso a americana, do outro lado do globo terrestre, rapidamente acessa  a página do rapaz e conhece todos os gostos e costumes que eles diz ter em seu perfil.Analisa suas fotos ( tiradas em ângulos específicos e sob iluminação estratégica, para passarem por vezes a ideia de ser ele um rapaz comprometido e dedicado, e em outras despojado e divertido…)Ela deixa-lhe um comentário, e diz esperar encontrá-lo novamente no Chat…

O rapaz de Hong Kong esteve presente enquanto sujeito físico no Cyber café, e interagiu de maneira passiva no ambiente abstraindo-se da realidade concreta (ao desprezar o que ocorria fora do ecrã e não perceber sequer a presença do funcionário, por exemplo) e projetava-se  virtualmente  ao estabelecer conexão com alguém fora de seu contexto, concentrando-se e interagindo ativamente com uma realidade virtual.O mundo mediado torna-se um emulador da realidade e um simulador de situações onde as relações e interações dos indivíduos tornam-se cada vez mais frágeis .Os convívios e lugares reais cedem lugar as interações virtuais.O próprio chat no qual nosso amigo conheceu a americana equivale aos lugares de convívio que promovem as relações no mundo real.Sua página  em uma rede social é a forma como ele se faz representar para os outros indivíduos, e é a forma como ele quer que as outras pessoas o percebam.O sujeito manipula as ferramentas digitais que o possibilita construir uma imagem de si próprio.

Portanto não somos seres apenas físicos, e não nos limitamos a um espaço circunscrito. Criamos identidades digitais múltiplas que são construídas pelo próprio sujeito como resultante de uma reflexão que ele faz de si próprio, e como constrói uma identidade que ele assume como sendo sua. O computador ( o que ele proporciona) surge como uma maquina simbólica que permite um alto grau de representação do sujeito estabelecendo novas formas de relações e interações e uma nova maneira de pensar e ver o mundo e a si mesmo.

Deixo-vos um vídeo bastante interessante, que acredito ilustrar bem a ideia apresentada no texto.

Amanda Gomes


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