Novas formas de comunicação: virtual como extensão do real

As funções de conectividade que estavam só ligadas ao computador deixaram de ser ubíquas, uma vez que agora em todo o lado temos conectividade, através dos dispositivos móveis.

A relação entre o indivíduo e a máquina não ocorre de modo unívoco e particular, mas numa interação comunitária.

Ao falarmos de comunicações reais e virtuais está, a meu ver, a cometer-se um erro, como se a uma se dê uma existência real e à outra não. Quando as pessoas têm o desejo ou vontade de passar um pouco do seu tempo em lugares virtuais, há também, nesse sentimento um desafio, que é o de esbater as fronteiras reais e virtuais. E elas estão cada vez mais permeáveis.

Segundo Sherry Turkle:

Enquanto a maioria das pessoas parece querer separar o virtual do real, R-V, não faço essa distinção. Prefiro, insisto, referir-me ao virtual e ao resto da vida, R-V, para evitar o emprego da palavra “real”.

É evidente que as pessoas vão ter sempre a necessidade do imetiatismo do contacto humano, pois gostam sempre de ter discussões à volta de uma mesa, num grupo de amigos, ou simplesmente a beber um café, para saber o que gostamos, o que fazemos, onde moramos ou onde trabalhamos. Esta necessidade básica do ser humano vai sempre existir, para poder estabelecer relações visuais com o nosso interlocutor ou interlocutora.

Mas as pessoas também vão ter sempre a vontade, e uma vez que já experimentaram, de encontrar-se no “mundo virtual”, assim como sempre haverá desejo de velocidade, de extensão e expansão planetária e até mesmo da forma particular da intimidade constituída pelo tipo de comunicação on-line.

Diz ainda Turkle:

Acho que se assiste, actualmente, mais entre os especialistas do que entre os usuários (seria melhor chamá-los de cidadãos) à defesa da fronteira entre o virtual e o real, ao esforço para situar certos tipos de experiência numa ou noutra dimensão. Enquanto isso os cidadãos das comunidades virtuais recusam essa fronteira e exprimem claramente o desejo humano de ter acesso aos dois aspectos ao mesmo tempo.

Quando nos sentamos à frente de um computador, também estamos ali para nos conhcermos, para trocarmos ideias, para saber mais um do outro, embora seja virtual, não deixa de haver uma existência real. Nós estamos lá, a escrever ou a descrever ideias e emoções. Somos nós. Talvez não estejamos a ser completamente verdadeiros, mas isso também pode acontecer numa situação do chamado “mundo real”.

Nós estamos ali, mesmo que sem contacto visual, a responder um ao outro. Isto torna-se uma importante fonte de atracção de parte a parte. Satisfazer o desejo de informação de ambas as partes.

Por exemplo, por vezes vamos a um café, onde nos cumprimentamos e sentimos vontade de falar com outras pessoas, mas na maioria das vezes elas não estão ali exclusivamente por nós, enquanto no “mundo virtual”, as pessoas decidiram mutamente, estar ali umas pelas outras. Isto é muito importante. Não há uma combinação.Há uma vontade própria das duas partes para que isso aconteça.

Segundo Sherry Turkle: “É este tipo de experiência humana que produz a força das novas comunidades.”

Pedro Oliveira


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