“We make our objects and our objects make us”

Em que medida os dispositivos são extensões psíquicas e emocionais do sujeito?

 

“We make our objects and our objects make us” começa por dizer Sherry Turkle, professora de Social Studies of Science and Technology em MIT, Instituto de Tecnologia em Massachussetts . Esta socióloga é fascinada, desde tenra idade, pela maneira como as pessoas se relacionam com os objectos, formando, através desta interacção, as suas próprias identidades. Os dispositivos são um exemplo pertinente no que toca a esta temática, já que se tornaram, há algum tempo, um elemento constante na vida de muitas sociedades. Exemplos disto são os brinquedos monitorizados que, desde a década de 70, constituem uma companhia das crianças. Apresentando características cada vez mais similares com os seres humanos e animais, levam os miúdos a questionar a realidade destes objectos. Como Sherry diz, as crianças chegaram à conclusão de que estes amigos icónicos estão “sort of alive”. De facto, estes brinquedos assemelham-se, cada vez mais, às figuras presentes na infância dos miúdos. Bonecos que têm necessidades fisiológicas e requerem um certo de grau de atenção para cumprir o seu propósito, têm como objectivo chegar a nós de alguma maneira, que lhes prestemos um tributo de alguma natureza. Atingem a vulnerabilidade do ser humano e levam-no, irremediavelmente, a criar um laço com uma criatura altamente manipulada. Além destes brinquedos temos também o computador, “a mind machine”, e epítomo da dependência tecnológica social. Desde o seu aparecimento, o computador conferiu alternativas à interacção e sociabilidade, tornando possíveis novas relações. Permiti-nos também a criação de alter egos, que surgem para colmatar dificuldades do mundo real e intransmissíveis via web. Estas plataformas sociais acabam, indirectamente, por afectar a nossa personalidade, uma vez que o mundo virtual e o mundo real acabam por se encontrar e formar a NOSSA realidade. O tema é sem dúvida muito actual e objecto de estudo por parte de grandes autores e professores, como Sherri Turkle. No fim, acabamos por nos tornar nos nossos dispositivos, já que estes deixam de ser meras ferramentas e passam a fazer parte da nossa dinâmica enquanto seres humanos. Contudo, é necessário continuar a cultivar uma aprendizagem pura e dura com direito à experiência das imperfeições e irregularidades que o mundo real tem para nos oferecer.

 

Ana Filipa Leandro


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