“I share therefore I am” – Sherry Turkle thought

O computador sai da suspensão, ligo o dispositivo móvel da internet, acesso o facebook, e assim me deparo com estados de espírito, desabafos, partilhas, “conversas” públicas e então alguém põe conversa no chat. Ignoro o chat por uns instantes, procuro as publicações mais recentes, leio as mágoas de uns, as tristezas de outros, deixo um comentário aqui outro ali, e é assim que a vida nas redes sociais funciona. As redes sociais não se alimentam de debates que duram horas, alimentam-se de pequenas palavras de conforto e de breves partilhas de estados de espírito. Partilhamos não só para que os outros saibam que existimos, mas também para nós próprios sabermos que sabemos interagir.

*é um link!* Não abro, entro em “pânico” e apressada fecho a janela do facebook . Questiono qual foi a ideia de sequer fazer ‘log in’. “Não tens tempo para isto!”- Convenço-me e desligo o computador de vez.
Talvez se perguntem o porquê da palavra pânico, é só um link pensam vocês. Bem, passo a explicar. Um link, nunca é só um link. No meu caso sempre que uma conversa começa num link, dá aso a outros links e ao dar aso a outros links resulta numa procura extensa de vídeos de resposta e na visualização alongada de todos os outros partilhados em certa conversa.

Estive dois dias sem ligar o computador, e sim isto é uma eternidade, sinto que nas próximas duas semanas vai permanecer sem contacto humano e eu sem contacto eletrónico. *vou ter saudades tuas.*

Saudade é uma emoção humana, que nem à dois segundos atribuí a um ‘ser’ electrónico. A verdade é que estamos de tal forma habituados a conviver e a ser dependentes da tecnologia que quando esta nos falha,seja de que forma for, nos sentimos exactamente  como nos sentimos quando perdemos alguém ou estamos longe dessa pessoa.

We are vulnerable creatures. Our vulnerability is when we are asked to nurture another creature we bond, we connect.

Sherry Turkle

Dependo da tecnologia, não sei se tal dependência pode ser explicada por esta ideia da criação de afectividade, se pela sua simplicidade. Somos vulneráveis, e a solidão assusta a maioria, tendo em conta que passamos a vida distraídos e ocupados com o trabalho ou estudos e não temos tempo real para ter vida social, a tecnologia é a resposta.

Enquanto estudo, ou ouço música, ou mando mensagens escritas, ou estou no facebook.  Certo dia estava no Cartola a estudar e todo aquele ruído de fundo era reconfortante, aquela sensação de pertença e de companhia. *Fico sem bateria* Perco a concentração assim que me deparo com o telemóvel desligado, levanto-me e vou a casa carregá-lo durante uns 10 minutos para ele aguentar mais umas horas.

Parece tudo muito normal, sair para ir carregar o telemóvel. Bem, a verdade é que durante toda a hora anterior ao momento descrito, me queixei à minha colega que estava com frio, e pensei mil vezes para mim mesma – “que ventania”. Fui incapaz de me levantar para ir a casa buscar um casaco, mas assim que perco o contacto com a única tecnologia que tinha presente naquele momento começo a “ressacar” e retorno a casa para carregar a dependência. Afinal não era  o ruído que me relaxava, era o telemóvel.

Desligo o telemóvel para estudar e apenas cinco minutos dou por mim a ligá-lo de novo. A minha dependência não é na tecnologia em si, mas sim na distracção que esta provoca no indivíduo. Preciso de um dispositivo tecnológico que assumidamente me distraia, para me conseguir finalmente concentrar. Preciso de sentir que há algo que mantém o contacto entre mim e as outras pessoas, e que esse objecto está desobstruído por completo. Caso contrário vou estar sempre a pensar que alguém me ligou ou mandou uma mensagem importante e que eu estou incapacitada de a receber.

Inês Lopes


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