Como é que “a máquina” afecta a nossa sociedade? (realidade VS virtual)

Tema de Escrita: De que forma o software, isto é, a camada computacional da tecnologia digital condiciona as práticas sociais, culturais e artísticas? O que acontece quando um manuscrito é digitalizado ou se virtualiza a visita a um museu?

Noutro dia levantei-me, era domingo, por isso dirigi-me à igreja para dar catequese. Enquanto conversava com as crianças sobre como tinha sido a semana, fui interrompida umas 5 vezes para acolher as que chegaram mais tarde, mas também para pedir para desligarem a “playstation”, o telemóvel ou o mp3. Considerando que são crianças de 2º ano, quando fui para casa, fiquei a pensar nas diferenças existentes entre a educação da minha infância e a atual. É certo que “no meu tempo” já existiam as consolas e os telemóveis, mas não era normal crianças com sete e oito anos terem um telemóvel. Todos olhávamos com espanto para o primeiro colega a trazer para a escola o gameboy, mas dificilmente alguém com aquela idade levava para a escola algo diferente de uma boneca ou uma bola de futebol. Mas, como diz o povo, “os tempos mudaram”. Sim, os tempos mudaram e quanto a isso nada há a fazer. No entanto, continuo sem certezas se as coisas mudaram para melhor.

Quando era pequena a única hipótese de ouvir música era através de um cd ou cassete, e os sortudos como eu ainda tinham um pai e avô que gravavam algum programa de rádio ou da televisão. Atualmente a música pode ser toda conseguida virtualmente. Tudo o que quisermos ouvir, ou mesmo o que não queremos, está “à distância de um clique”. Sim, é verdade que há assim uma maior possibilidade de enriquecimento cultural. Mas, há também uma negligência face aos direitos de autor e aos artistas. Hoje em dia é muito difícil ser um artista  porque se ninguém compra os cds ou livros, dificilmente nos dá a oportunidade de ser reconhecidos.

Outra questão existente é a assistência a espetáculos via internet, ou mesmo as visitas virtuais a um museu famoso e (na maior parte das vezes) distante através de um site. Não pagar bilhete nem de entrada nem de transportes para visitar determinado espaço pode ser vantajoso para a carteira, mas nada me prova que é melhor do que uma “verdadeira” visita a esse local, antes pelo contrário. Ver um concerto ao vivo é totalmente diferente de vê-lo em casa através de um ecrã.

O virtual é importante, disso não há dúvidas, até porque este tipo de iniciativa é óptimo para publicidade e divulgação do nosso património cultural, mas NÃO DEVE SER SUBSTITUTO DO PATRIMÓNIO FÍSICO. No caso português temos o exemplo do museu da RTP, que deixou de existir fisicamente, aparecendo apenas como virtual.

(podem visitar o museu através do link: http://museu.rtp.pt/)

O debate entre e-books e livros é outra questão levantada por muitos que defendem um ou outro lado. Pesquisei um pouco sobre esta temática e descobri que esta “batalha” teve reflexos positivos, nomeadamente no aumento de leitores tanto de um como de outro lado da discussão.

Concluindo, acho que é importante a inovação tanto nos museus como na partilha de outros ficheiros, áudio ou vídeo. Sim, é verdade que a tecnologia afeta o nosso dia-a-dia, e é ela que está a alterar as nossas gerações, notando-se hoje mais do que nunca. Comparando o conhecimento computacional de um adolescente e um idoso, é muito raro o caso em que um avô ensine o neto a trabalhar com “a máquina”, porque não conviveu com ela desde sempre. Uma visita ou é presencial “ou não existe”. Agora mais do que nunca é importante a possibilidade de visitar o que nos é distante de forma rápida e económica (ou levar connosco uma biblioteca para qualquer lugar, sem necessidade de mala extra). Mas o essencial é não tornar uma visita/leitura restrita a quem gosta de ver e tocar. Por maiores que sejam as objeções, ambientais ou estéticas, não troco um e-book por um bom livro, com um toque suave e um “cheirinho a papel”.

Cláudia Sousa


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