Tecnologia: Quanto mais a temos, mais queremos

“Em que medida os dispositivos são extensões psíquicas e emocionais do sujeito?”

Se há coisa de que se queixam os pais de hoje em dia, será certamente do tempo que vêm os filhos passar no computador, com um telemóvel ao lado, ambos inteiramente disponíveis a receber ligações e disponibilizar contacto para os quatro cantos do mundo.
O dia parece passar mais devagar e aborrecido, se não nos for possível verificar pelo menos uma vez o Facebook, ou se não mantivermos contacto com alguém através de constantes sms’s que já se escrevem por esta altura a uma velocidade que surpreende os mais velhos. Digo-o, porque é uma característica minha. O ritual mais sagrado: chegar a casa, ligar o computador, aceder à internet e dirigir-me logo à grandiosa rede social que tem ligado o mundo – o Facebook. E não digo que seja certo ou errado, pois com os seus prós e contras, assim se faz este sujeito digital que sou eu, e certamente, um pouco de cada um de nós.
Não estar ligados áquilo que apenas a tecnologia alcança acabou por se tornar uma tormenta. Pessoalmente, o meu ânimo desce a zeros se o telemóvel fica de repente sem bateria, ou se o computador ou a internet estão com um problema.

A falta da tecnologia afecta-nos psicologicamente; queremos sempre mais e mais, o dispositivo não tem sequer o direito de se “cansar” e ficar lento.
Alteram-se emoções, relações…hoje em dia tudo é possível através de um clique: podemos ver alguém que está longe; podemos conhecer alguém do outro lado do mundo; até mesmo para quem está perto, é mais fácil enviar uma sms, falar no Messenger ou enviar um comentário na rede social do que propriamente visitar a pessoa. Até já é bastante comum o novo ditado em que toda a gente felicita certo aniversariante, porque…ora…porque o Facebook o lembrou!!

Cada vez menos as pessoas se conhecem por aquilo que são em “presença viva”. Hoje, o que nos distingue é uma actualização de estado, o vídeo que partilhámos ou a imagem que temos como foto de perfil…o modo como escrevemos uma sms. É isso que hoje vemos em cada um de nós e é a partir daí que hoje se “julgam” os feitios de alguém.
Isto sim, talvez seja triste.

O computador deixou de ser um objecto prático, de trabalho. É agora um bem essencial para a criação de relações, para a manutenção das mesmas: é aquilo que mais se protege, e é esta a verdade.
Esperemos, enfim, que não se acabe de vez com o contacto humano. Embora essencial, que a frieza desta máquina não tome conta de nós.
Porém…
Eu já não vivo sem o meu “querido computador”. E quem viveria sem o seu?

Ana Vilarinho


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