Para falar a “verdade” abreviando

Pensar nos métodos de comunicação, seja ela proveniente de um meio sonoro ou escrito, como um método estanque, imutável, é não olhar o mundo à sua volta.

Como seres observadores e aprendizes que somos, já nos deparámos muitas vezes com reflexões do género, “como é que se dizia?”, “antigamente escrevia-se”, “ah, agora passa-se a escrever”, “está-se bem ou tá-se bem?”. Estas reflexões surgem-nos nos mais simples pormenores do dia-a-dia, quer seja numa conversa de café com um/a amigo/a, a redigir um trabalho, a enviar uma mensagem por telemóvel ou a comentar uma afirmação numa página digital de alguém que se encontra a quilómetros de distancia.

A questão é que a linguagem é um ser bastante activo à semelhança de nós seres humanos. Ela salta-nos da goela, num zás, trás, pás!, com ou sem cuidado na sua fluidez e cortesia, e às vezes sem notarmos, lá está ela a dar ao léro-léro com a senhora que vem sentada no banco ao lado no autocarro.

A verdade é que existe um codex imenso de palavras, pronuncias, expressões, enfim, uma série de códigos que utilizamos incessantemente para estabelecer a comunicação.

Mas nos tantos anos em que convivemos em sociedade, aprendemos também que estes códigos não só se aplicam a quem, ou em como dizer, mas também há os se aplicam a um determinado meio, isto é, acabam por ser palavras-chave que descodificam um objecto ou uma ideia, um certo comportamento, um acto ou um sentimento – servem de termos concretos.

Se a tecnologia preparou ou não, toda uma linguagem especifica para os seus utilizadores, isso eu não sei dizer. Mas a verdade é que foi-se desenvolvendo para este meio de comunicação uma linguística que agrada a gregos e a troianos.

Segundo David Crystal, a combinação da fala e da escrita designa-se por Netspeak, em que a sua função é tornar mais fácil e rápida a comunicação entre indivíduos que estejam, separadamente, a estabelecer um diálogo entre si via dispositivos digitais.

Não se trata apenas de um simples sistema de abreviação, falamos também de aglutinações de letras que querem significar ou simbolizar algo, como por exemplo a tão conhecida LOL, de sua origem inglesa, significa Laugh Out Loud, dizendo à pessoa, do outro lado da ligação, que por sinal achou bastante graça ao que acabou de dizer; por outro lado temos os emocotions que nos facilitam a vida, por não termos que escrever o que estamos a sentir:🙂 (feliz) ou😦 (triste)?

Esta nova forma de expressão gera muitas controvérsias por parte das pessoas,em que muitas afirmam que este é um mau caminho para o esquecimento do idioma, da verdadeira linguagem.

Pessoalmente, acho que devemos sempre manter as palavras em causa, elas foram feitas e estilizadas para nos transcreverem o que sentimos e o que pensamos, mas se por mero acaso estas utilizações nos facilitam o diálogo. Seja porque o outro entenderá melhor, ou porque assim me dá jeito, então porquê não fazer um bom uso de emoticons e smiles, de LOL e de CUL8R! (See you later!) nestes dispositivos, sem esquecer que existirá sempre uma carta para abrir.

Atenciosamente,

Inês Arromba


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