Um outro olhar digital

Na era da informação e interatividade digital, lhe dar com a obsolescência tecnológica é perfeitamente natural, tão comum que às ferramentas eletrônicas que estamos cada vez mais dependentes e habituados a utilizar possuem vida extremamente curta e ainda assim poucos se mostram incomodados com isso, também, convenhamos, a informatização digital ganhou proporção convenientemente ao mesmo tempo em que o capitalismo tomou as rédeas do sistema financeiro, então, “o melhor produto pelo menor preço” – demandando a fabricação e comércio de produtos de baixa qualidade e pouca vida útil, além do impacto sócio-econômico sofrido por países pobres ou emergentes – transformou-se no slogan de uma sociedade imediatista regida pelo consumo, explorando a constante evolução tecnológica para firmar conceitos e hábitos deturpados pelos mecanismos econômicos.

Analisando essa realidade de progressão da tecnologia constantemente mutável, o ideal seria o que os eletrônicos pudessem ser atualizados com facilidade ou consertados com eficiência e baixo custo, às empresas que fabricam e comercializam esses produtos deveriam incentivar tal atitude, e não um consumismo exacerbado e firmado na prática de descartar tudo como se não houvesse mais valor utilitário após seu “vencimento” com o objetivo único de adquirir outros. Às pessoas são condicionadas a agir de tal maneira ao ponto de acharem conformismo nesta ação, influenciadas por elaboradas campanhas de marketing difundidas em mídias de massa, gerando com isso enormes pilhas de detritos que na maioria das vezes terminam em quintais de países em desenvolvimento, fazendo dessas mediações instrumentos para seu próprio fim, criando assim uma incógnita subversiva do que realmente somos, produto ou consumidor.

Esta obsolescência intrínseca nos leva a uma questão que vai muito além do espaço virtual mediado pelos computadores, telemóveis e demais eletrônicos que nos propiciam conexões com este ambiente digital, o lixo eletrônico.

As baterias usadas nos aparelhos celulares são fabricados à base de níquel, cádmio, lítio e outros materiais tóxicos para os seres humanos e a maioria dos animais. Se imaginarmos que existem, atualmente, mais de 3 bilhões de aparelhos celulares em funcionamento na face da Terra, e que em média os usuários trocam as baterias dos seus aparelhos de dois em dois anos, podemos imaginar o tamanho do problema que teremos que enfrentar para definir o encaminhamento e o destino adequado para essas baterias.”

PUC-Rio

As proporções dessa problemática se expandem para muito além da realidade das palpáveis baterias de eletrônicos comuns ao nosso dia-a-dia, essas ligações necessitam de instalações de re-emissão de sinal e infra-estrutura para as mesmas, satélites (aumentando a incidência de lixo espacial), ou ainda demandam uma enorme extração de recursos naturais que a cada novo eletrônico fabricado tornam-se mais escassos, não há sentido conquistar benefícios gigantescos trazidos pelos adventos da evolução tecnológica a qualquer custo. Procurando combater o problema do lixo eletrônico, em 2007 às Nações Unidas lançaram o programa STEP (Solving The E-Waste Problem) organizando esforços mundiais com intenção de viabilizar a reciclagem de produtos eletrônicos em larga escala e em nível mundial, é apenas um exemplo de vários existentes no mundo, entretanto, essas iniciativas poderiam ser potencializadas se a população mundial fosse eficientemente conscientizada, assim como se às empresas responsáveis pela fabricação desses produtos adotassem métodos mais eficientes de manuseio dos resíduos de tais, seja na fabricação ou mesmo na reciclagem. Trata-se de um esforço político global focado na mudança dessa concepção, centrado também na inclusão à essas mediações e na sustentabilidade ambiental.

Além dessas questões, ainda há o fato de que os processos de extração de matéria prima e fabricação desses eletrônicos ocorrem em escala mundial, objetivando proporcionar utensílios para uma minoria de pessoas, mais especificamente a população de países “ricos”, característica peculiar desse sistema econômico que centra os recursos nas mãos de poucos e distancia a maioria do resultado final. Isso implica não apenas pensar na preservação do meio ambiente, mas também, na boa utilização de recursos naturais, e na saúde de uma sociedade consciente, projetando eficientemente tecnologia limpa a serviço do bem estar e benefício mundial.

Sidney Góes


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