Pretensões humanas

Desde os primórdios da humanidade o homem tenta se entender e entender o mundo,entender ele no mundo, ele e o mundo, os outros e ele.

A partir disto, praticamente a maioria das práticas e pretensões humanas, sejam relacionadas a arte, á tecnologia, estão ligadas a pretensão de se imitar, re[criar] a vida. Digo mais ainda, não somente a pretensão de imitar, recriar, mas de imortalizar. A relação do ser humano com a morte ainda não foi totalmente, e a meu ver não será por um bom tempo, superada. O desejo de não morrer com o corpo, de não ser esquecido move, ou moveu, grande parte dos artistas e cientistas que fizeram história e descobertas significativas para a humanidade.

Quando se pinta um quadro, de forma realista(no sentido dos movimentos artisticos) ou abstrata, se está no fundo, tentando capturar a vida em sua diversidade de significado, ali, numa tela, num objeto artificial. Busca-se imortalizar-se

No fundo, ironicamente, toda expressão artística e tecnológica  tenta representar, apresentar, demonstrar, criar a vida pelo meio do artifício.

Fico pensando então no poder que o primeiro áudio, ou a primeira fotografia ou vídeo tiveram para a humanidade. Ter um pedaço seu, de você ou do outro, registrado de forma tão real em um pedaço de papel ou em um aparelho. Como deve ser isso? porque em fim é exatamente isso, um pedaço de você, ali, registrado, imortalizado.

É impossível para nós, em pleno século XXI conseguir sequer imaginar como foi a reação daquelas pessoas naquela época. Hoje em dia estamos tão acostumados com avanços tecnologicos e cientificos que não nos atentamos para a grandeza de certas invenções. O surpreendente não nos pertence mais. Em um curto espaço de tempo o homem foi a lua, transplantes de membros podem ser feitos, o seu celular conversa com você… nada disso nos surpreende, tudo é esperado por nós, como se nada fosse impossível ao homem(o que de fato não é verdade).

Diante disto, fico pensando que somente um grupo de pessoas que está a margem disto tudo, como algumas poucas e escassas tribos de índios por exemplo,  é que poderia reagir ao ouvir um som gravado assim como as pessoas reagiram na época de sua invenção.

Para a nossa geração, imagino, vislumbro, hipotiposo e utopizo, que essa reação de surpresa e inovação só seja possível, se tivermos sorte, quando virmos um ser humano voar pela primeira vez, ou quando um ser humano puder teletransportar-se… quem sabe poderemos sentir assim como nossos ancestrais algo parecido com as grandes descobertas…

 

Carolina França Corrêa


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