Arquivo de 13 de Abril, 2013

“Cultura Eletrônica”

Globalização é termo que remete a coisa, objeto. Entretanto, a lógica de aplicação dessa terminação coloca o homem como alvo central, um produto a ser alcançado, e logo se associa a um processo quase incessante de destruição criativa de tecnologias, ligada a uma série de invenções e evoluções de novas mídias e interações que ainda não se sabe exatamente que custos reais seus benefícios podem exigir ou onde realmente podem levar.

Telemóveis que se tornam computadores pessoais exemplificam bem essa objetificação do homem. Eles, por sua vez, influenciam práticas e comportamentos sociais peculiares a esse cotidiano virtual. A palavra escrita – inerente a cultura humana –, reapropriada pelos médias digitais, deu origem a uma nova modalidade de escrita. A maneira como encontra-se predisposta no teclado de um computador, telemóvel, ou de qualquer outro dispositivo tecnológico o qual disponha desse recurso, tem alterado sua forma básica de aplicação (netspeak), ou mesmo sua utilização, para estabelecer relações interpessoais. Cada vez que manuscrevemos menos, deixamos uma tradição que compõe não apenas característica culturais de ensino e comunicação, como também o modo de nossas interações físicas com nosso meio. Tais mudanças também implicam em alterações na constituição econômica, que tem a ver com a própria condição humana no mundo dito “globalizado” e seu efeito massivo criado pelos novos médias.

No contexto industrial, inúmeras empresas que antes se mantinham a comercializar produtos específicos, acabaram por se readequarem a essa realidade incessante e mutável, outras simplesmente se extinguiram. Exemplo, a marca de canetas Montblanc, – não é totalmente um aspecto negativo, mas acredito que uma pessoa não consiga readequar-se de forma tão dinâmica e bem sucedida como uma empresa, primeiro por não se tratar de um objeto ou negócio, depois, por seus valores, práticas, credos, sua cultura, pessoas são mais vulneráveis – pressionada por tais alterações de mercado, migrou para outros investimentos, resultado do imediatismo acelerado de décadas, denominado por Mcluhan em sua obra The Gutenberg Galaxy como a terceira era da evolução comunicativa do homem, “cultura eletrônica”.

Se por um lado este novo mundo proporciona novas profissões, novos fazeres e novos comportamentos, por outro, destrói com uma velocidade incrivelmente estonteante velhos fazeres, velhas profissões e velhos comportamentos. O jornal Folha de São Paulo, o maior jornal de circulação impressa do Brasil, há menos de uma década atrás tinha em média um milhão e duzentos mil exemplares consumidos em seu dia de maior circulação e hoje o número chega a, no máximo, duzentos mil exemplares. Essa mudança é atribuída principalmente pela acessibilidade na obtenção dessa informação, através de plataformas digitais, o próprio jornal encontra-se remediado como modo de readequação em busca de alcançar essa nova forma de consumo da informação. A dinâmica na comunicação transpõe limites possíveis apenas por essas interações digitais – resultando na extinção de profissões que lidam e dependem da circulação do jornal impresso, por exemplo – e essa competitividade chega a ser brutalmente desproporcional ao passo que obter informações em tempo real com toda essa interatividade chega a ser banal, e isso se aplica a quase tudo o que conhecemos hoje. A hipermediação desses meios criou um novo modo de experienciar e obter informação, o que é positivo, desde que esteja explicito e consciente aos que a consomem

Sidney Góes

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A necessidade de remediar

O tema de escrita que está na base deste texto levou-me a ter duas respostas diferentes. Como podemos exemplificar/entender que a principal característica técnica e formal dos meios digitais é a remediação? Bem, exemplificar, consegue-se facilmente, simplesmente experimentando um meio digital. Se o fizermos, rapidamente concluímos que esse meio é mais um aglomerar de capacidades de meios já existentes do que propriamente um meio em si, novo. Aliás, pode dizer-se que os meios digitais são isso mesmo, um aglomerar de qualidades de outros meios. Mas como podemos entender isso?

Depois de ter analisado a história dos média, fiquei a pensar… O que são e o que significam, hoje, aqueles meios que nasceram nos séculos XIX e XX como o cinema, a fotografia, telefone, o telégrafo e a rádio – os “novos média” da altura. Porque razão é que os “nossos” meios (os digitais) tendem a ser principalmente remediadores?

Penso que a resposta para essa questão é a necessidade. A necessidade do Homem. Já Platão afirmava: ‘a necessidade é a mãe da invenção’. O facto de os meios digitais serem, principalmente, remediadores, é uma qualidade de valor enormíssimo, que veio dar resposta à nova necessidade do Homem contemporâneo de ter fácil acesso aos vários meios de comunicação. Como se fosse uma consequência lógica no desenvolvimento dos meios. Algo natural, inerente à existência humana.

Um pouco à semelhança da história da roda. Primeiro, houve a necessidade de ter um objeto como a roda. Depois, quando já havia a roda, surgiram novas necessidades com base na roda, como a necessidade de ter um carro com duas ou quatro rodas, por exemplo.

Então, concluo que as necessidades também são “inventadas”, isto é, vão surgindo ao longo do tempo. O que aconteceu com os meios digitais foi precisamente isso – depois de termos ultrapassado a necessidade de fotografar, gravar o som ou a imagem em movimento, vimo-nos obrigados a responder a novas necessidades foram nascendo, como a de transmitir as gravações de som/imagem em escala planetária. Foi aqui, então, que surgiram os meios digitais. Agora que concluo isto, vem-me à ideia outro autor. Camões, que escreveu “mudam-se os tempos, mudam-se as vontades”.

Portanto, e em jeito de conclusão: penso que o que explica que a remediação seja a principal característica dos meios digitais é o uso que o Homem dá aos meios de comunicação e os objetivos desse mesmo uso, que vai mudando à medida que o próprio homem muda.

Tecnologia digital como desvantagem

Tema de escrita: De que forma o software, isto é, a camada computacional da tecnologia condiciona as práticas culturais, sociais e artísticas? 

A camada computacional faz parte do nosso quotidiano, e na verdade grande parte de nós já não conseguiria ter uma vida normal sem que o nosso computador, ou os aparelhos que agora são adaptados, nos acompanhassem para todo o lado. Temos que admitir que a sua ajuda é do mais variada possível, para mim como aluna ajuda-me imenso com os meus trabalhos, mas também como jovem e “vitima” desta sociedade rápida e avançada permite-me de todas as maneiras comunicar com os meus amigos. Torna a nossa vida muito mais fácil e rápida, porque hoje em dia basta apenas um clic para que possamos ter acesso a tudo aquilo que pretendemos sem ser necessária deslocação.

Claro que existem milhões de vantagens em usufruir desta camada computacional, mas em contra partida também condiciona certas práticas da nossa vida, sem muitas das vezes nem nos apercebermos; como as práticas culturais, sociais e artísticas.

Se pensarmos um pouco sobre as práticas culturais e artísticas e reflectirmos, encontramos  a verdade dos factos. Agora cada vez mais, e de uma forma mais simplificada conseguimos ver um filme sem sequer ligarmos a televisão, ou mesmo irmos ao cinema. Hoje em dia existem sites que nos permitem ver filmes online, e que nos vão mantendo constantemente actualizados. Mas não é só através de sites, mas também o “sacar” se tornou uma solução para grande parte da população. São cada vez menos as pessoas que se deslocam até a uma sala de cinema para ver um filme, mesmo que em casa não seja tão real e a qualidade da sala de cinema ultrapasse o ecrã do computador. As comunidades preferem o pequeno ecrã à grande tela. Com o teatro, com a dança ou mesmo com exposições, os exemplos são os mesmos, claro que não tão evidentes, mas também cada vez mais notórios, as pessoas comparecem cada vez menos nestes espectáculos, porque são substituídos pela camada computacional, e porque sabemos que possivelmente poderemos ver mais tarde, ou no site apropriado ou mesmo no Youtube que engloba todo este tipo de performances. Relativamente por exemplo às artes plásticas, quando queremos ver algum quadro, escultura, de algum artista que gostamos, basta-nos escrever no Google a sua obra e em dois segundos o resultado aparece. Não precisamos de nos deslocar até Paris, Nova Iorque ou Madrid para ver o que tanto desejamos, temos oportunidade de o fazer  através de uma viagem virtual, claro que a qualidade não é a mesma e a experiência não é adquirida, mas apesar das desvantagens que a camada computacional constitui nestas práticas, acho que neste aspecto é uma vantagem, pois não é qualquer pessoa que desembolsa uma grande quantidade de dinheiro para uma viagem de luxo, e através da informação que recebemos da camada computacional podemos manter-nos informados e com alguma cultura.

O condicionamento das práticas sociais tem sido aquele que mais me tem vindo a chocar ao longo destes anos de avanço desenfreado. De dia para dia passamos cada vez mais tempo em frente ao computador. Falando do Facebook que se transformou numa nova moda; as pessoas gastam cada vez mais do seu tempo a ver o perfil dos amigos, a encontrar novas pessoas para pedir em amizade, ou mesmo a falar com os amigos pelo chat, são capazes de passar horas em frente ao ecrã apenas a percorrer esta famosa página. Mas infelizmente esta prática atingiu miúdos e graúdos,  hoje em dia até vemos os nossos pais, ou mesmo tios e avós a aderirem a este tipo de práticas computacionais, e mesmo os mais pequenos dedicam-se a jogos online e a sites sobre os seus temas preferidos. O convivo, entre as pessoas, está a desaparecer lentamente e cada vez mais, se não forem entidades como a escola ou mesmo a Universidade, o emprego, a população quase não convive. É típico ouvirmos os nossos pais e avós a recordarem os jogos de futebol entre aldeias, o jogo da macaca, do lenço ou do berlinde, em que as crianças e jovens se juntavam nas ruas e eram capazes de passar assim, horas e horas a fio sem precisarem de um aparelho electrónico. Mas hoje em dia, até esta população dos velhos tempos tem que acompanhar a evolução astronómica e cada vez mais rápida da tecnologia que nos rodeia.

Marta Veloso


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