“Cultura Eletrônica”

Globalização é termo que remete a coisa, objeto. Entretanto, a lógica de aplicação dessa terminação coloca o homem como alvo central, um produto a ser alcançado, e logo se associa a um processo quase incessante de destruição criativa de tecnologias, ligada a uma série de invenções e evoluções de novas mídias e interações que ainda não se sabe exatamente que custos reais seus benefícios podem exigir ou onde realmente podem levar.

Telemóveis que se tornam computadores pessoais exemplificam bem essa objetificação do homem. Eles, por sua vez, influenciam práticas e comportamentos sociais peculiares a esse cotidiano virtual. A palavra escrita – inerente a cultura humana –, reapropriada pelos médias digitais, deu origem a uma nova modalidade de escrita. A maneira como encontra-se predisposta no teclado de um computador, telemóvel, ou de qualquer outro dispositivo tecnológico o qual disponha desse recurso, tem alterado sua forma básica de aplicação (netspeak), ou mesmo sua utilização, para estabelecer relações interpessoais. Cada vez que manuscrevemos menos, deixamos uma tradição que compõe não apenas característica culturais de ensino e comunicação, como também o modo de nossas interações físicas com nosso meio. Tais mudanças também implicam em alterações na constituição econômica, que tem a ver com a própria condição humana no mundo dito “globalizado” e seu efeito massivo criado pelos novos médias.

No contexto industrial, inúmeras empresas que antes se mantinham a comercializar produtos específicos, acabaram por se readequarem a essa realidade incessante e mutável, outras simplesmente se extinguiram. Exemplo, a marca de canetas Montblanc, – não é totalmente um aspecto negativo, mas acredito que uma pessoa não consiga readequar-se de forma tão dinâmica e bem sucedida como uma empresa, primeiro por não se tratar de um objeto ou negócio, depois, por seus valores, práticas, credos, sua cultura, pessoas são mais vulneráveis – pressionada por tais alterações de mercado, migrou para outros investimentos, resultado do imediatismo acelerado de décadas, denominado por Mcluhan em sua obra The Gutenberg Galaxy como a terceira era da evolução comunicativa do homem, “cultura eletrônica”.

Se por um lado este novo mundo proporciona novas profissões, novos fazeres e novos comportamentos, por outro, destrói com uma velocidade incrivelmente estonteante velhos fazeres, velhas profissões e velhos comportamentos. O jornal Folha de São Paulo, o maior jornal de circulação impressa do Brasil, há menos de uma década atrás tinha em média um milhão e duzentos mil exemplares consumidos em seu dia de maior circulação e hoje o número chega a, no máximo, duzentos mil exemplares. Essa mudança é atribuída principalmente pela acessibilidade na obtenção dessa informação, através de plataformas digitais, o próprio jornal encontra-se remediado como modo de readequação em busca de alcançar essa nova forma de consumo da informação. A dinâmica na comunicação transpõe limites possíveis apenas por essas interações digitais – resultando na extinção de profissões que lidam e dependem da circulação do jornal impresso, por exemplo – e essa competitividade chega a ser brutalmente desproporcional ao passo que obter informações em tempo real com toda essa interatividade chega a ser banal, e isso se aplica a quase tudo o que conhecemos hoje. A hipermediação desses meios criou um novo modo de experienciar e obter informação, o que é positivo, desde que esteja explicito e consciente aos que a consomem

Sidney Góes


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