Arquivo de 14 de Abril, 2013

where did my cell phone come from?

In the Era of over-consumption we work more to have more money and to buy more stuff but at the same time we have less free time, so we neglect our families, hobbies, passions, not even to mention spending not enough time on our own development and education. In our free time we watch TV, surf on the internet and.. shop, more and more, which – according to the commercials we see – should make us happier, but in the end, we don’t have time, money or happiness after all. Media is all around us, feeding us with commercials, entertainment, news and opinions that in a way blind-fold us, we lose the sense of reality and our opinions are often influenced by what we have seen or heard. And the ubiquity of media, in a sense, doesn’t allow us not to be exposed to all that.

With the development of Internet, we acquired the need to create and share, more than ever before. And also, the need for accessibility to whatever piece of information we can think of. So these human desires forced “technology” to follow and to make it easy, fun, fast and most of all – portable. We now have many types of computer-like devices like smart phones, iPads or personal digital assistants, that allow as to access the information we need at any time and at any media platform.

Unfortunately, media devices are not produced to last very long. Firstly, so producers make more “stuff” to sell and make money, so we get an updated, new model of a phone, computer etc. But most of all, because technology is going forward so rapidly, things are getting ‘out of fashion’ very quickly and often not compatible with new applications or software.

Mobile phones are these days the extensions of ourselves, they are multifunctional devices that make our lives easier and we can’t imagine functioning without them. No one would have thought that in about 20 years, mobile phones could have made the leap from just being the alternative to landlines, to becoming a computer, GPS, radio and our lifeline to the Internet, and still be able to fit in our pocket. But numbers are not as optimistic. According to Strategy Analytics, In 2011, the world produced 1.6 billion mobile phones. The International Telecommunication Union claims that at end of 2011, in a 7-billion people world there were 6 billion active mobile numbers! Number of mobile phones in the world increased by 3000 per minute. At the same time, the world’s population grows .. about 145 people. This simple statistic just confirms what demographers say – it’s not a problem of the world population, but of insane consumption.

A wide variety of plastics and metals are used in the production of mobile phones and their accessories such as chargers and batteries. For the production of plastic components, such as: covers, keypads, displays, most commonly used materials are: polyethylene, polyvinyl chloride, polystyrene, polymethyl methacrylate (commonly known as plexiglass). In the manufacture of mobile electronics they use metals such as tantalum, tin, copper, cobalt, iron derivatives, nickel, silver, gold, and generally considered to be hazardous to human health: lead, cadmium, mercury – but we can find only traces of them, and it’s not dangerous on daily basis usage of the device.

 

There is a lot of chemicals created during the process of production, as well as conservatives and synthetic materials, which  end up being dumped in the nature after all. About 20 to 50 million metric tons of e-waste are generated worldwide every year. The Environmental Protection Agency estimates that only 15-20% of e-waste is recycled, the rest of these electronics go directly into landfills and incinerators. That’s only e-waste – what about other rubbish that is produced worldwide? Estimated 1 billion tons each year? What happen to it? It all goes to dumpsters, waters, ground, air. For example to the Great Pacific Garbage Patch called Vortex, which is an ocean dump the size of Texas, or to Guiyu – town in China, which is known to be the biggest electronic waste dump of the world (taking in over 1.5 million tons e-waste a year). Most people are ignorant about recycling and taking care of our planet, that is running out of resources. We chop out trees, use and pollute too much of clean water and kill animals. But what’s really important but not spoken of too much is using people (especially kids) at the stage of production or raw material extraction in a very inhumane way. Companies are trying to minimize and externalize the cost of production by moving the whole process to the third world countries, where kids work in factories and mines so we can buy our things cheaper. And it’s not only the workforce they’re using, but also their natural resources. Most of the materials that cell phones (and other electronics) are made of, comes from mines in Congo. They are so-called “conflict minerals” as they’ve been a cause of a civil war in Congo, that – according to the human rights organizations – has been the bloodiest conflict since the World War II. Within 15 years, it took lives of more than 5 million people, and over 300.000 women have been raped. This will not come to an end unless companies won’t stop buying these materials and start having social responsibility for the price people in Congo pay for our new mobile phones.  

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A Tripla Lógica Em Adaptation.

Partindo dos conceitos de remediação, imediacia e hipermediacia apresentados por Jay David Bolter e Richard Grusin (Remediation: Understanding New Media, 1999), a fita cinematográfica Adaptation. (realização de Spike Jonze, estreada em 2002) pode, pelas suas idiossincrasias, ser objecto de uma análise exemplificativa da teoria sugerida pelos dois autores.

É no inusitado argumento de Charlie Kaufman que reside o ponto de atracção do filme enquanto amostra prática das ideias mencionadas. A obra consiste numa adaptação do livro não ficcional The Orchid Thief (Susan Orlean, 1998), porém Adaptation. subverte as expectativas e assume um registo satírico.

A premissa é a seguinte: Charlie Kaufman (interpretado por Nicolas Cage) encontra-se em estúdio, na filmagem do seu primeiro filme (Being John Malkovich) e é contratado para adaptar a obra de Susan Orlean (Meryl Streep). Adaptation. centra-se nas dificuldades de um autodepreciativo, deprimido e sociofóbico Charlie para tecer o argumento. Vítima de um bloqueio criativo e convencido de que o livro é inadaptável à sétima arte, o auxílio provém do irmão gémeo Donald (Nicolas Cage) com o qual partilha a habitação. Na realidade, existe a curiosidade desse ente inventado (alter ego) ter sido co-creditado com a escrita do argumento e de se ter tornado a primeira pessoa fictícia a ser nomeada para um Academy Award.

Charlie pretende uma adaptação fiel que evite cair nos clichés amorosos/sexuais ou de acção/violência com o intuito de conferir emoção e espectacularidade, apesar da falta de conteúdo dramático em The Orchid Thief. Em simultâneo, o seu irmão decide seguir as suas pisadas e escreve um thriller psicológico. Apesar de aderir às convenções e previsibilidades do género, vende o argumento por números elevados. Num alçapão de angústia e insegurança, Charlie inicia, quase acidentalmente, a escrita de um argumento semi-autobiográfico, repleto de auto-referências.

Num outro fio de narrativa, ao qual acedemos de forma descontínua, captamos em analepses ou em paralelo (com a contenda de Charlie) o cerne de The Orchid Thief. Uma jornalista do The New Yorker – Susan Orlean – investiga a história verídica de John Laroche (Chris Cooper), um coleccionador obcecado por orquídeas raras existentes na Florida, com a finalidade de escrever um livro sobre o assunto. No transcurso de Adaptation., as duas linhas acabarão por colidir numa cadeia de causa-efeito.

Em parte, é devido à originalidade e estranhamento do argumento que o filme pende para a hipermediacia, no entanto não deixa de haver uma relação dialéctica e tensa de imediacia. Ademais, o seu teor pós-moderno torna a experiência da obra numa construção do espectador (neste caso seguimos uma edificação de uma outra, diga-se) e fomenta o seu interesse no contexto da teoria de Bolter e Grusin. Pegando em trechos de Adaptation. é possível distinguir exemplos claros da tripla lógica.

As primeiras imagens do filme (metalinguísticas) são do set de Being John Malkovich e aí observamos o próprio John Malkovich como actor que faz de si mesmo. Desde logo, o resultado é uma obliteração da quarta parede. Algo idêntico sucede quando Charlie Kaufman (encarnado por Nicolas Cage), à mesa num restaurante, fala do seu argumento no trabalho acima designado (referência hipertextual). Ainda nessa cena, vemos o livro The Orchid Thief, ou seja, a fonte de adaptação tem presença física no filme que a ela se dedica.

A irónica narrativa em estilhaços temporais (que passam inclusive pela Califórnia de há 4 mil milhões de anos atrás), espaciais, de personagens e entre ficção e realidade tende a frustrar, a impedir o investimento emocional de quem acompanha Adaptation.. Todos estes aspectos beneficiam a hipermediacia, a opacidade e revelação do meio.

No espectro oposto, nos primeiros minutos, a atenção é focada em Charlie Kaufman de modo a apresentar os seus objectivos e os respectivos obstáculos. Esta abordagem facilita uma aproximação à personagem, assemelha-a a um avatar. Somos capazes de sentir e pensar com ela, é a nossa projecção num corpo estrangeiro. A azáfama e o turbilhão mental de Charlie passam para a estrutura do filme e para a nossa compreensão, o que de certa forma atenua o favorecimento da hipermediacia por consequência dos assíduos saltos multifacetados.

Na cena de perseguição rodoviária (que surge como sátira a Hollywood), as performances, o som, a iluminação e a aceleração da trama são orientadas para criar suspense. Tal procedimento promove a transparência e invisibilidade do meio, mergulhando-nos nele. O espectador espera este tipo de clímax, é uma abordagem que se automatizou e se naturalizou dada a sua constante recorrência. Daí que seja pouco provável ponderarmos de imediato nos stunts por detrás do trabalho final, por exemplo. Estamos embrenhados nos acontecimentos provenientes do ecrã. Todavia, as intermitências do enredo de Adaptation. afastam-nos do impacto emocional que o recurso à violência, sexo ou uso de drogas poderia significar se estivéssemos diante de uma obra mais convencional. O estranhamento repulsa uma comoção duradoura.

Em Fight Club (realizado por David Fincher, 1999) – adaptação homónima da novela (Chuck Palahniuk, 1996) – a abordagem é feita no sentido de ser relativamente leal à história, aos cenários e personagens da sua fonte. Mais do que isso, não há dentro do filme (se excluirmos os créditos) qualquer menção ao facto de ser uma adaptação. É um mero modelo de remediação entre tantos outros que visam manter a ilusão de imediacia. Em Adaptation. a opção é por um rumo raro: um revelar da fonte e um acentuar das diferenças. Não só o conteúdo é copiado, mas também o próprio meio original é apropriado e citado, rompendo com a imersão. Além disso, várias ocorrências são criadas face ao livro – o ataque de um jacaré que serve de deus ex-machina é uma delas. Reagindo ao filme, o meio anterior foi transformado (ecologia dos média). As edições mais recentes de The Orchid Thief contêm na capa uma sinalização para o facto de ter inspirado Adaptation..

No fundo, o filme é uma adaptação de si mesmo. Os clichés a que Charlie alude e pretende evitar vão ser um mote autoconsciente para dissolver a heterogeneidade da narrativa, “hollywoodizar” os acontecimentos e transmitir uma sensação de fechamento. Incorporados na vida do autor e no argumento que escreve, em concomitância com uma realidade e uma ficção que se interseccionam numa só frase, num híbrido definitivo.

Adaptação é a tendência dos organismos para se transmutarem tendo em vista a sua vantagem biológica. Tal como o ser humano, o seu comportamento e as suas perspectivas. Tal como a história dos média. Um devir incessante, um futuro que não anula o passado. Uma apropriação.

Francisco Silveira


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