Arquivo de 17 de Abril, 2013

O mundo digital e a sociedade em que vivemos

 O mundo digital. Para muitos uma escapatória da realidade que vivemos no dia-a-dia. Neste podemos viver múltiplas vidas, ser quem quisermos, e fazermos o que nos bem apetecer. Podemos contactar com familiares e amigos que estejam longe, podemos viajar a lugares distantes através de fotografias, vídeos e mapas 3D. Genial sem duvida!

Mas quais são as contrapartidas que isto tudo tem para a sociedade? Sim, porque nem tudo é um mar de rosas, principalmente no que toca ao mundo digital.

Com a possibilidade de ter todos os tipos de interações através da rede, muitas pessoas começam a esquecer-se do que é a interação humana, algo que sempre foi necessário para um boa convivência em sociedade. A nova geração nasce praticamente agarrada aos computadores, enquanto que nós quando eramos pequenos, íamos para a rua, jogar á apanhada, ás escondidas, só queríamos era estar em espaços abertos.

Outro aspeto negativo é o facto de alguns criminosos se aproveitarem deste meio, para darem assas aos seus esquemas. Alguns dos tipos de criminosos que podemos encontrar neste meio são os pedófilos e os burlões, estes sãos os tipos que mais se destacam. Os pedófilos aproveitam-se do anonimato para atraírem as suas vitimas através das suas histórias matreiras, já os burlões aproveitam-se da ingenuidade de certas pessoas que caiem então nos seus esquemas, dando-lhes praticamente de livre vontade mesmo que seja de um modo inconsciente, informações pessoais.

No que tocas artes, podemos encontrar uma grande divulgação de todos os tipo de bandas, teatros, filmes, eventos. É um bom meio para fazer divulgação. Também é um bom meio para a pirataria. Ao contrário do que se pensa, a pirataria não dá prejuízo ás bandas nem aos estúdios de cinema. Muitas bandas até colocam na rede o seu trabalho mais recente, totalmente grátis, para que qualquer pessoa de qualquer classe social possa ter acesso á arte que estes criam. No que toca aos estúdios de cinema estes queixam-se bastante, mas a verdade é que eles própria até fazem a contagem de qual o filme mais pirateado. A pirataria é mais um meio de experimentar antes de comprar,  muitas pessoas fazem download de cd’s e filmes sobre o qual tenham duvidas acerca da qualidade. Se gostarem compram o cd ou o filme se não gostarem não o fazem. No que toca aos filmes as pessoas fazem cada vez mais download destes, devido aos bilhetes de cinema estarem fora das suas possibilidades, sendo que ao verem o filme pirateado e gostarem deste, acabam sempre por contribuir através da compra do dvd do mesmo.

Como podemos ver, o que não falta são possibilidades dentro do mundo digital, tudo depende de cada um. Cada um tem em suas mão o que realmente quer fazer, bem ou mal. Sinceramente, na minha opinião devíamo-nos desligar um bocado deste meio vicioso e aproveitar as coisas boas da vida, que muitas vezes estão á nossa frente mas tudo o que vemos são zeros e uns.

Rafael Borges

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É ou não é teatro?

Até onde vai o limite da apropriação da tecnologia nas práticas artísticas? começo com esta pergunta para fundamentar todo o resto.

Existem graus de apropriação da tecnologia nas artes e são estes graus que nos cabe discutir, a fim de identificar se estes mudam ou não em essência da arte que se apropria do mundo tecnológico. Há um limite, que, quando tocado, nos faz pensar se não se está na verdade, surgindo uma nova expressão artística, uma nova categoria de arte.

Usando o teatro como exemplo: Quando se modificou nas práticas teatrais, o uso de orquestra ao vivo, pelo som gravado, por mais que tivesse sido inovador naquela época- e definitivamente foi- o questionamento se deixou ou não de ser teatro não surgiu. Depois, com a invenção da eletricidade, novas tecnicas de iluminação foram utilizadas, mas ainda assim, se via que era teatro.

O grau limite neste caso é justamente o que vivemos hoje. Teatro gravado, ao vivo ou não, ainda é teatro??? Se retiramos a presença física de ator-espectador, ainda poderemos considerar aquilo uma prática teatral?

Se, ao se inspirar no teatro, uma nova técnica de encenação surgiu, e junto com ela uma nova nomenclatura, como no caso do cinema, porque não, neste caso, não ser pensado uma outra designação para essa nova forma artística que está surgindo?

Acredito que por muito tempo, o teatro foi uma das poucas artes que ainda não tinha sido substituída por meios de reprodução tecnológicos.

O cinema pode ser visto de casa, um quadro que se encontra no museu também, a fotografia nem se fale. Apenas o teatro continuava a ser a arte onde o espectador teria que estar presente no mesmo espaço que os atores que a fazem.

Ainda uma outra questão: A música, ao ser gravada, continua causando em quem ouve as mesmas sensações que a música ao vivo, em maior ou menor grau. Mas no caso do teatro, isso ocorre? ver uma peça gravada transpõe as mesmas sensações que ver ao vivo? ai você pode me dizer: sim porque se pode fazer uma filmagem que leve ao espectador a essas sensações. Mas eu te pergunto de volta: se é necessário outras técnicas que são alheias ao teatro para causar estas sensações, como técnica de filmagem, não seria então, por si só, uma outra expressão artística que não teatro?

Por fim, acredito que o problema está no constante incentivo social de se anular a presença física. Aqui uma entrevista de Jorge Dubatti sobre o tema,  bem como outros textos do mesmo autor.

Entrevista em PDF

Texto em espanhol sobre o tema.

Entrevista para revista espanhola

Carolina França Corrêa


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