novo conceito de viajar

Tema de escrita: O que se significa viajar no espaço através de simulações óticas?

 

Antes de mais, penso que escrevo sobre algo irreal. “Viajar” no espaço através de simulações óticas? Viajar implica espaço, implica estar, fisicamente, algures. Então, o que se faz com as simulações óticas não é viajar, é simular uma viagem… ou pode ser uma viagem mental e não física. Isso seria uma discussão muito longa sobre o significado de “viajar” que não interessa ter agora.

Admitindo (ou não) que se viaja, de facto, através das simulações óticas, a verdade é que isso significa muita coisa. Uma questão que se me levanta prende-se com o conceito de simulação. Afinal, o que é isso de simulações óticas? É qualquer representação ótica (uma coisa irreal) de algo real (o mundo). Assim, uma pintura é uma simulação ótica, assim como uma fotografia. Se formos mais longe, o próprio vídeo também o é. Já para não falar do holograma. Todas estas são simulações óticas do mundo, mas todas são diferentes, porque todas têm um grau de simulação diferente. Pode dizer-se que uma pintura simula bem, uma fotografia simula muito bem e um vídeo é a simulação mais próxima da realidade – isto, claro, geralmente.

Viajar no espaço através destas simulações significa bastante. Há já milhares de anos que se fazem simulações óticas da realidade (as pinturas rupestres ou os desenhos egípcios), mas nunca como hoje elas tiveram tanto poder de nos proporcionar uma sensação de viagem no espaço. Comparando com o período histórico em que estamos, concluo também que, nunca como hoje, as pessoas puderam viajar tão facilmente.

Hoje em dia, há escritores que conhecem mentalmente lugares onde nunca estiveram presencialmente, usando ferramentas digitais como o Google Earth Street View para os auxiliar na construção literária desses espaços. E, note-se, há casos em que o conhecimento do espaço é bastante pormenorizado. Outra consequência de viajar no espaço por via dessas simulações pode ser vista na resolução de crimes por parte de entidades policiais, por exemplo.

Um caso curioso que me vem agora à memória é a existência de canais televisivos cuja função é exibir, constantemente, filmagens (simulações) de lugares e paisagens pitorescos. Ao escrever este texto, pensei mais a fundo sobre isso: afinal, porque é que existem tais canais? Porque as simulações óticas daqueles lugares conseguem satisfazer em certa medida quem as vê. Talvez esses canais sejam o mesmo que eram os quadros na parede há cem anos atrás… A função pode ser a mesma…

Mas o caso que, pessoalmente, mais me choca é a capacidade de um vídeo transmitir a sensação de vertigem em quem o vê – e sei disso por experiência própria. É realmente interessante concluir o quão próximo da realidade as simulações óticas se têm tornado e, consequentemente, ver como as viagens no espaço simuladas se têm tornado cada vez menos “mediadas”, menos irreais.

Ricardo Almeida


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