Arquivo de Abril, 2013



Remediação da perspectiva

Uma das maiores invenções de maior impacto no Renascimento italiano no séc. XV foi a perspectiva linear, com um ponto de fuga e para tal proposito muitos artistas utilizavam uma máquina chamada perspectografo  atribuída sua invenção a Leonardo da Vince.  O uso do objeto consistia em ver a paisagem ou objeto desejado através de um pequeno orifício em uma tábua e mais a frente um retângulo de vidro quadriculado, possibilitava ao artista desenhar aquilo que observava em proporções justas dando os efeitos causados pela ótica.

Mas tarde no período Barroco uma antecipação daquilo que futuramente seria utilizado para desenvolver a máquina fotográfica foi utilizado por muitos artistas; a câmara escura consistia em uma caixa fechada que possuía um pequeno orifício  com uma lente, por este orifício era projetado ao interno da câmara a imagem exterior, porém invertida. Jan Vermeer, um dos grandes artistas flamingos  se favoreceu muito desta técnica. A perspectiva projetada pela imagem invertida era de excelente qualidade modificando-se de acordo com a lente utilizada. As obras auxiliadas por esse aparato técnico criam a sensação do real em pequenas ou gigantescas “janelas pintadas”.

Nas oficinas dos artistas existiam muitos aprendizes que acompanhavam os mestres nas execuções de muitos trabalhos e também para aprender ou aprimorar os ofícios copiavam as obras assim exercitando as técnicas onde que de certa forma os meios de remediações estavam presentes.

Há pouco mais de um ano foi descoberto no museu do Prado uma cópia fiel da obra La Gioconda de Leonardo da Vince; depois de muitos estudos chegou-se a um parecer que a obra foi executada por um de seus alunos e que a copiou tendo como referencia a original. Com isso descobriu-se  a verdadeira tonalidade da obra visto que a original sofreu muito com a ação das antigas intervenções e do  tempo. Nesse caso a remediação  favoreceu a possibilidade de conhecer um pouco mais das particularidades da paleta de cores que Leonardo da Vince usava.

 

Hoje, pode-se prevalecer de imediacia por exemplo, como o ato de usar uma imagem de um dos quadros de Jan Vermeer  como proteção de ecrã do computador; mantem-se a fina imagem da realidade da obra de arte alterando o meio em que ela é exposta. A partir desse momento não se tem noção de qual o suporte original da obra, poderia ser pintura óleo sobre madeira ou tela, mas na realidade da imagem computadorizada  isso é altamente irrelevante.

Luís da Paixão.

Novas Formas de Ver Arte

Tema de escrita: De que forma a reprodutibilidade técnica altera a natureza e a função social da obra de arte?

Ao longo dos anos, as obras de artes foram sofrendo uma evolução ao nível da sua reprodutibilidade técnica enormes. Inicialmente a reprodutibilidade técnica simplesmente não existia devido ao facto de também não existirem meios para isso. No entanto, essa reprodutibilidade, que se divide em reprodução manual (como pro exemplo, a xilogravura) e em reprodução mecânica/técnica (fotografia ou cinema) sofreu uma aceleração na passagem entre estes dois tipos de reprodução.

É certo que estas reproduções, na maior parte dos casos, são cópias perfeitas das obras de arte originais, porém, penso que se perde o objetivo principal da obra de arte. Só pelo facto de haver reproduções, a obra original deixa de ser única, deixa de ser autêntica, e passa a ser algo massivamente reproduzida, como é o caso de obras mundialmente conhecidas (Mona Lisa, A Última Ceia, etc), e pode ter repercussões positivas ou negativas. O que acabará por acontecer é que o autor da obra, e o seu trabalho podem ficar conhecidos e tornar-se famosos. Se isso acontecer a obra torna-se vulgar e pode até mesmo vir a ser banalizada.

A nível social, penso que esta reprodutibilidade da obra de arte trouxe algumas vantagens. A principal é o facto de as pessoas terem um maior acesso, e mais facilitado, às obras de arte. E isso é uma grande vantagem das reproduções das obras de arte. Nem todos podem-se dar ao luxo de ir visitar por exemplo o Museu do Louvre, mas têm o mesmo direito de admirar as obras que estão lá expostas. Assim, a apreciação de da arte deixa de estar cingida a uma “elite”.

Um exemplo deste fácil acesso às obras de arte e aos museus é o projeto da Google: Google Art Project.

Com esta funcionalidade, nós podemos escolher o museu que queremos visitar, e com apenas alguns cliques, conseguimos visitar o museu, ver as obras expostas, em qualquer lugar que nós estejamos, desde que tenhamos Internet.

É neste sentido que a reprodutibilidade técnica altera a natureza e a função social da obra de arte. Como hoje em dia já temos várias formas de aceder às obras já não precisamos de nos deslocarmos, nem de gastar dinheiro para ver as obras de arte.

Filipa Machado

¿Naturaleza del arte?

Abordar un tema como es la reproductibilidad en muchos casos se hace difícil, cuando empecé a pensar de qué trataría mi blog sobre este tema me di cuenta que encontrar un tema sobre el que hablar se me estaba haciendo complicado. Pues bien, creo que he encontrado un ejemplo que ilustra y refleja perfectamente como las nuevas tecnologías pueden ambientar otro tipo de artes, deslocalizar ambientes reales o hechos por la mano del hombre, a ser meros “hologramas” o imágenes digitales hechas por una máquina, en este caso, a través del software de un ordenador y a través de un panel de luces (leds). Hablamos de los nuevos escenarios que se están haciendo para las actuaciones de ópera.

Algo tan sencillo como unos decorados hechos con cartón piedra han evolucionado convirtiéndose en un arte más complejo, mucho más espectacular e innovador, haciendo así que la gente vuelva a ver el atractivo de ver un espectáculo en vivo, y porqué no, mezclado con medios tecnológicos que hacen que sea mucho más impactante.

En este caso podríamos dudar de la naturaleza de este arte, hasta podríamos hablar de la hibridez entre un arte artesanal como es la música, en este caso el canto y esa modificación hacia lo tecnológico que es la iluminación y la escenografía, ¿Hablaríamos de que se perdió el aura? Yo creo que en este caso el aura está en el momento que estamos viendo el espectáculo, aún habiendo muchos aspectos tecnológicos en este tipo de eventos considero que cada actuación es distinta.

¿Tiene el aquí y el ahora del arte? Por supuesto que si, ya que es una actuación en directo, aunque haya planificación y preparación previa.

Por lo que aquí podemos ver un caso híbrido, lleno de incógnitas y preguntas a medias resueltas y un caso en el que el medio tecnológico de la reproductibilidad complementa un medio artesanal y esto es lo que nos hace dudar de su naturaleza.

Nuria Atanes Bouzón.

A singularidade da obra de arte

Tema de escrita: De que forma a reprodutibilidade técnica altera a natureza e a função social da obra de arte?

A obra de arte na era da sua reprodutibilidade técnica, pelo filósofo Walter Benjamin sobre a obra de arte no séc. XX, surgiu numa altura em que a fotografia e o cinema ganhavam cada vez mais importância na sociedade. Neste aspecto, Benjamin procura salientar a temática da “reprodutibilidade técnica” da obra de arte (fotografia e cinema), ao contrário da reprodutibilidade mecânica que já existia por essa altura.

Walter Benjamin pensa as obras de arte como tendo uma “aura”, ou seja, como tendo algo original e que faz dessa mesma obra de arte um objecto único e singular que é apresentado à sociedade. Estas obras de arte com a sua “aura”, tinham a função de mostrar à sociedade a beleza estética e o valor único da própria arte, tendo também uma função de “mensageiros” de emoções por parte dos artistas. De facto, a arte era algo único e esta singularidade poderia querer demonstrar que as mais belas obras só poderiam ser devidamente observadas ou interpretadas por uma elite social: um estrato da sociedade mais culto e intelectual que soubesse apreciar essas obras de forma devida.

Com o aparecimento da reprodutibilidade técnica, principalmente na fotografia e no cinema, e o consequente desaparecimento das suas “auras”, a obra de arte perde a sua singularidade e originalidade. Com a reprodutibilidade técnica as obras perdem de alguma maneira a sua importância e o seu valor, pois passam a ser massivamente copiadas. Por exemplo, no caso do cinema, é possível adquirir de forma grátis e sem qualquer esforço um filme através da Internet, não sendo necessário a sua compra. O mesmo se passa com a música. Apesar de a obra ser a mesma, o facto de não ser o original, leva a que não tenha o mesmo valor. Deste modo, é possível verificar os preços astronómicos das “verdadeiras” e “originais” obras de arte.

É possível concluir que a reprodutibilidade técnica das obras de arte e a sua massificação são fruto da era industrial. Uma era onde a beleza do original e do intelectual não é importante. O que importa é a venda massiva, a reprodução e o capital. No entanto, apesar de à primeira vista obra de arte ser a mesma que a original, ela nunca terá o mesmo significado e valor.

Nuno Morgado

A Simulação Óptica como uma alternativa e único meio de conhecimento do nosso exterior

Viajar no espaço… Este sempre foi um dos sonhos da humanidade. E, com a tecnologia que possuímos hoje, já é possível que o homem faça viagens para fora do próprio planeta. Porém, para conhecermos a fundo o universo onde vivemos e ainda nos é pouco conhecido, foram enviados satélites para que se faça este estudo de reconhecimento. O homem não precisa pisar em Marte, por exemplo, para saber o que este planeta tem ou deixa de ter. O que as máquinas espaciais e satélites proporcionam para os astrônomos e cientistas é uma representação óptica real do que existe fora do planeta.

Seguindo este raciocínio, a tecnologia de hoje pode nos proporcionar experiências magníficas de viagens pelo espaço, e mais incrível, sendo dentro do próprio planeta Terra ou não.

Existem softwares que nos dão a experiência de viajar para o desconhecido, podendo ser uma cidade que nunca vimos, um estado ou país que temos a vontade de visitar, ou mesmo visualizar nossa casa em uma foto tirada de satélite. Mas, o que isso proporciona para nós, usuários destes softwares de representação gráfica, além da visão dos lugares?

A resposta é que ainda nos é muito limitada a “viagem” por estes programas, embora seja um avanço incrível da tecnologia. Sabemos que podemos andar pelas ruas de algumas cidades, entrar em alguns museus para ver suas obras, etc. Mas, isto tudo é apenas o que nos é oferecido, ou seja, não podemos ir além do ponto de vista que o programa nos permite. Não podemos entrar em uma loja, por exemplo, naquela rua que visitamos ou não podemos ver todas as obras de um museu, a não ser aquelas que a instituição permitiu que o software nos reproduzisse.

Porém, se não levarmos em consideração estas limitações, podemos perceber que esta é uma experiência que não tínhamos alguns anos atrás, apenas.

O que me parece mais extraordinário, é a capacidade destes softwares, com reproduções a partir de fotografias de satélite, a reprodução óptica do universo em volta do planeta Terra. Esta sim, ao meu ver, é uma experiência que, pelo menos em nossos tempos atuais, podemos apenas “viajar” pela tela do computador.

A baixo está um vídeo feito pelo Museu Americano de História Natural, intitulado “The Know Universe”, que nos dá uma ideia de viagem ao espaço sideral, no total de 5 bilhões de anos-luz do nosso planeta. O que nos faz refletir que a tecnologia está avançando tão depressa, que logo nos seria possível visitar outros planetas e galáxias, mesmo que seja holograficamente.

Francimar Santos

Viajar no Espaço

Com o avanço da tecnologia passou a ser possível viajar,  visitar espaços e viver experiências artísticas de uma forma mais cómoda, barata ou até antecipada em relação à experiência propriamente dita.

A criação do Google Earth veio possibilitar o conhecimento de todo o mundo, a observação de monumentos e até possibilita uma visão a partir do chão, com imagens em 3D. Este tipo de tecnologias significa um avanço no conhecimento geral dos seus utilizadores, que passam a poder viajar no espaço, conhecer cidades e monumentos.

Estes dispositivos são também possíveis em museus, sendo assim possível fazer-se visitas digitais a estes espaços, conhecer o próprio museu, as obras de artes e ainda receber alguma informação sobre as mesmas. Estes dispositivos são uma grande vantagem para um maior conhecimento por parte dos utilizadores, um incentivo para o cultivo da cultura geral e uma forma bastante económica de se fazerem visitas a museus. Estes dispositivos podem-se tornar negativos para os museus, que correm o risco de perder clientes, mas apesar disso continua a haver uma preferência pela visita real aos museus.

É desta forma que este tipo de dispositivos foram criados para facilitar e melhorar o conhecimento dos utilizadores e incentivar a curiosidade pessoal, de uma forma mais cómoda e económica para os utilizadores.

O grupo Teatro para alguém e o grupo Teatro Uzyna Uzona

Aqui um exemplo de um grupo de teatro que tem suas produções exclusivamente para a Internet.

Teatro para alguém

“Renata Jesion e Nelson Kao são os idealizadores do Teatro Para Alguém e, desde o início do projeto, mantiveram como um dos principais objetivos do TPA a troca de experiências com artistas que quisessem se aprofundar na experimentação do viés tecnológico das artes cênicas, a partir do advento da internet. Artistas vindos de diferentes direções se aproximaram do TPA com esse mesmo desejo em comum. Em junho de 2011, alguns deles se juntaram a Renata e Kao nesse grande laboratório de experimentação que é o Teatro Para Alguém. Assim, com a chegada dos atores Zemanuel Piñero e Adriano Costello, as atrizes Vera Bonilha e Bianca Lopresti, o ator e preparador de atores Luiz Mario Vicente e a dramaturga e roteirista Drika Nery, o grupo se revitalizou.

A fricção criativa desses artistas (mais cerca de 250 profissionais que já trabalharam no TPA desde o seu início) alimenta este espaço digital a experimentar linguagens de espetáculos que misturam artes cênicas, cinema, vídeo e internet. ”

site do grupo teatro para alguém

Aqui ainda um outro grupo brasileiro que possui uma plataforma no live stream onde apresenta suas peças ao vivo.

site do grupo oficina teatro Uzyna Uzona

página do live stream com peça do Uzyna Uzona


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