Marshall McLuhan: o meio é a mensagem

Na década de 1960, Marshall McLuhan apresentou suas teorias, um tanto quanto visionárias, acerca das tecnologias. Para o autor, os meios tecnológicos são uma extensão do corpo humano que ampliam as capacidades do homem, ou dos próprios sistemas e instrumentos criados pelo homem, para além de si. Por exemplo: a roda seria uma extensão das pernas, a roupa seria uma extensão da pele, e etc.

Vale dizer que os próprios meios tecnológicos não se detêm em suas formas físicas, materiais. O alfabeto, que seria uma extensão da linguagem humana, neste caso, teria posteriormente sua capacidade expressiva ampliada através dos meios impressos. Meio e mensagem manifestam-se em simultâneo ­- o livro contém a palavra impressa, que contém a escrita, contendo o discurso, e assim por diante. Neste exemplo podemos entender que “o conteúdo de um meio é sempre outro meio” e nele encontramos uma mensagem.

O meio é qualquer extensão de nós mesmos, do nosso corpo ou mente ou sentidos. Noutras palavras, um meio é qualquer coisa a partir da qual surge uma mudança. Sendo assim, a mensagem não pode ser simplesmente reduzida ao conteúdo ou informação que o meio veicula, pois, desta forma, excluiria a sua mais importante característica: o poder de mudar, moldar e influir nas relações e atividades humanas. É ai que encontramos a máxima de McLuhan, sua famosa e controversa frase: “o meio é a mensagem”.

É difícil encontrarmos ou definirmos uma formulação concreta para tal conceito, mas, após dizer que o “meio é a mensagem” em seu livro Os Meios de Comunicação como Extensões do Homem, McLUHAN (2002) segue dizendo que “isto apenas significa que as consequências sociais e pessoais de qualquer meio – ou seja, de qualquer uma das extensões de nós mesmos – constituem o resultado do novo estalão introduzido em nossas vidas por uma nova tecnologia ou extensão de nós mesmos”.

O fato é que nem sempre percebemos a interface entre os diversos meios de comunicação e seus efeitos sobre nós, suas intervenções nas sociedades ou culturas, pois tendemos a pensar o conteúdo de qualquer mensagem como algo menos importante do que o próprio meio. Segundo SANTAELLA (2003), “considerar que as mediações sociais vêm das mídias em si é incorrer em uma ingenuidade e equivoco epistemológicos básicos, pois a mediação primeira não vem das mídias, mas dos signos, linguagem e pensamentos, que elas veiculam”.

Na obra de McLuhan, e sua perspectiva sobre os «medias» sociais, é possível ver algo de profético. Antecedeu o advento de meios que hoje se manifestam como uma realidade global, diferentemente da sua época, hoje a interatividade dos multimédias, dada a velocidade do avanço tecnológico, são assustadoramente superiores e se tornaram verdadeiramente extensões físicas e psíquicas do homem, verdadeiros universos existenciais. Temos como exemplo maior a internet. Poderíamos dizer que, em nossa realidade atual, sem dúvida, o meio é a mensagem.

As condições e alterações propiciadas pelo meio, as quais todos os indivíduos estão submetidos, geram mudanças não só no nível de socialização e comunicação, como também, e principalmente, no estilo de vida de cada um. McLuhan nos deixou um quadro teórico que nos permite estudar e compreender a real natureza meios de comunicação, que revolucionaram toda a história da humanidade.

Evandro Santos

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Referências:

MCLUHAN, Marshall – Os Meios de Comunicação como Extensões do Homem (Understanding Media).12ª ed. São Paulo: Cultrix, 2002.

SANTAELLA, Lucia – Cultura das Mídias. 4ª ed. São Paulo: Experimento, 2003.


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