O carácter site_specific do objecto no museu virtual

De certa maneira podemos dizer que todos os objectos de um museu virtual são site-specific. São objectos concebidos, montados, instalados ou convertidos em função do território virtual.

A dificuldade que esta classificação coloca reside no carácter descontextualizado do espaço virtual. É que, pese embora as implicações físicas e infra-estruturais (o terminal, o ecrã, a rede, o circuito integrado, etc.), o espaço virtual é um contexto que se define em simultâneo com o objecto que é exposto através dele. Donde a especificidade que contradiz a noção de território e de localização e que problematiza a noção de contexto.

Neste sentido podemos admitir que é a própria situação ou operação de deslocalização que constitui a especificidade do virtual. Mas, como adaptar este paradigma fundado na deslocação de um objecto no território a uma situação em que o território deixa de funcionar como plano de referência? Um território que pode ser também ele definido e redefinido deixa de contrastar ou dar sentido ao movimento de deslocação ou localização. É muito diferente deslocalizar uma fábrica para uma região onde os salários são mais baixos ou as leis ambientais mais permissivas do que deslocalizar uma empresa para um território virtual onde se pudesse modelar funcionários que vivessem apenas do amor à camisola e onde se pudesse programar um meio ambiente para a proteção do qual a legislação em vigor oferecesse o menor impacto possível à sustentabilidade empresarial.

A uma deslocalização que descrevesse mais adequadamente a situação do objecto e do espaço virtual poderia chamar-se alocalização. Não havendo talvez melhor justificação para esta designação que a de ter permitido instanciar, a posteriori, uma álea de aspectos do virtual por intermédio de uma permutação predeterminada pelo código. Esta alocalização permitiria alocar uma propriedade espacial ou contextual específica ao modelo virtual. Consistiria numa reserva de memória de operações de espaço ou contexto, ou melhor, em tornar disponível um espaço abstracto. Ou seja, não uma operação de localização que determina um lugar, coloca um objecto em determinado ponto de um território ou que circunscreve alguma coisa, mas uma operação de alocalização que determina, abre ou disponibiliza um espaço vazio, recursos e funções necessários para que possa ser instanciado não só o objecto alóctone ou nativo do virtual mas também a distância, a perspectiva, a escala, o código, o programa etc., que destaca esse objecto.

Em conclusão podemos dizer que enquanto o paradigma da deslocalização é estendido para além dos seus próprios termos graças ao desenvolvimento tecnológico, a aplicação do conceito site-specific já se encontrava prestidigitada no código.


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