É permitido?

A noção de permissão dos dias atuais mudou muito. A noção de permitir-se ao outro. Ao ler os conceitos de Turkle e refletir um pouco sobre eles, sou levada a pensar que o meio digital, como quase tudo na vida, tem seu lado positivo, mas também pode acarretar em uma série de problemas que não tínhamos antes. Da mesma maneira que o surgimento do mundo digital alterou a linguagem (dicionários atuais contém as expressões surgidas a partir da Internet) , alterou também -e muito- o comportamento humano. Somos induzidos a nos isolar mais e mais a cada dia do contato físico para estabelecer os contatos virtuais. A pergunta que fica é: com quem realmente nos relacionamos? com a maquina, ou com o ser humano do outro lado da conexão? Em principio podemos supor que a questão é muito lógica e simples, quando na verdade é muito mais complexa do que se imagina. Muitas pessoas não tem essa clareza, ou nunca pararam para pensar sobre o tipo de relação que estão estabelecendo com o mundo virtual,  nem mesmo sobre o que estão perdendo ao valorizar mais essa forma de comunicação do que a presença física.

Acredito que a dificuldade sempre esteve no equilíbrio das coisas, fato que sempre faltou muito nos seres humanos. Não sabemos dosar nossas práticas e acabamos por vezes, substituindo umas pelas outras, o que com toda certeza, é prejudicial. A tecnologia virtual é um dos grandes ganhos da humanidade, o problema está na proporção que ela assume na sociedade, como é usada, e principalmente, no que anda substituindo: as relações presenciais (físicas).

Poder relacionar-se virtualmente não substitui o afeto físico. Dizendo isso, temos algo a ser seguido: não podemos substituir uma coisa pela outra, mas, a questão é: o ser humano está preparado para entender e viver essa dicotomia entre virtual e presencial? realmente damos conta de não substituir uma pela outra? Somos orientados e educados para a busca deste equilíbrio?  Na minha opinião não.

O que acontece hoje são pessoas que não se permitem a conversar com quem está próximo porque estão muito ocupadas em suas bolhas conversando com alguém que não está ali de fato. Perdemos muito do real para o virtual. Só temos “permissão” de conhecer pessoas novas em situações do cotidiano quando uma tragédia acontece, quando algo quebra (ou fura) nossas bolhas para que pela primeira vez, realmente percebamos o mundo real a nossa volta.

São realmente muitos problemas, mas penso em nós, estudantes, integrantes desta disciplina, o que faremos uma vez que nos foi dada todas as ferramentas para criarmos senso crítico sobre a situação? A escolha é nossa, continuamos seguindo o modelo da ignorância ( no sentido de não conhecer uma realidade)  ou podemos nos posicionar diferentemente daqui em diante sobre todas as questões aqui levantadas… eu já escolhi… escolham!!!

Carolina França


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