Imediação e a Hipermediação, transparência e opacidade!

Remediação  é definida por Paul Levinson como o processo “antropotrópico” pelo qual as novas tecnologias dos media tornam melhores ou rectificam as tecnologias anteriores. Bolter e Grusin (2000: 273) usam remediação como lógica formal pela qual os novos media renovam as formas dos media anteriores. Ao lado da imediacia e da hipermediacia, a remediação é um dos três elementos da sua genealogia dos novos media.

Portanto, temos de salientar quando falamos de remediação que esta  labora nesses sentidos: tanto os novos media adquirirem características de médias anteriores, como vice-versa.

Hipermediacia é estilo de representação visual cujo objectivo é lembrar ao espectador o meio que ele usa para ver. É uma das duas estratégias da remediação; a outra é a imediacia. Imediacia é o estilo de representação visual cujo objectivo é fazer esquecer ao espectador a presença do meio (tela, filme fotográfico, cinema, etc.) e acreditar que ele está na presença de objectos de representação.

Bolter e Grusin argumentam que os novos media encontram significado cultural precisamente porque prestam homenagem e renovam os media anteriores como a pintura de perspectiva, a fotografia, o filme e a televisão.

Os media anteriores renovaram-se face aos media anteriores: a fotografia remediou a pintura, o filme remediou a fotografia, a televisão remediou o filme, o teatro de revista e a rádio.

Philip Steadman, que analisou a obra de Jan Vermeer (Vermeer’s Camera, livro de 2001), nomeadamente a Lição de Música, conclui que o artista empregou a câmara escura para obter melhores pormenores nas cenas que pintou. Por isso, e na sequência de Steadman, Jay David Bolter e Richard Grusin defendem que, se a imagem de Vermeer é uma fina imitação da realidade, quadros gerados por computador tendo como exemplo a pintura de Vermeer (ou outra qualquer) efectuam um trabalho de remediação (Bolter e Grusin, 2000: 115-119).Image

Os novos media estão a fazer o mesmo que os velhos media fizeram, apresentando-se como versões aperfeiçoadas dos outros media. Segundo McLuhan “o conteúdo de um meio é sempre outro meio.

Voltando aos conceitos de Bolter e Grusin, os novos media oscilam sempre entre a imediação e a hipermediação, entre transparência e opacidade. Os novos media digitais não são assim os agentes externos de uma cultura inocente, eles emergem de dentro dos contextos culturais e recriam os outros media que estão embebidos em contextos culturais semelhantes.

Caroline Dominguez

Anúncios

Calendário

Maio 2013
S T Q Q S S D
« Abr   Jun »
 12345
6789101112
13141516171819
20212223242526
2728293031  

Estatística

  • 653,691 hits

Enter your email address to follow this blog and receive notifications of new posts by email.

Junte-se a 1.226 outros seguidores


%d bloggers like this: