O homem e o ciberespaço!

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Foucault considera que as tecnologias do sujeito “(…) permitem aos indivíduos levar a cabo através dos seus meios ou do recurso a outros um certo número de operações sobre os seus corpos e almas, pensamentos, conduta e forma de ser, para se transformarem com o objectivo de desenvolverem um certo estado de felicidade, pureza, sabedoria, perfeição ou imortalidade”  (Foucault, 1998: 18).

Com o gigantesco crescimento dos meios de comunicação em massa, durante o século XX, foram crescendo também as dificuldades em se distinguir cultura erudita, popular e massiva. Com o tempo, novas formas de consumo cultural surgem a partir das novas tecnologias disponíveis, como as fotocopiadoras, as cameras de video e de fotografia digitais, gravadores de áudio etc, possibilitando aos novos usuários destas mídias o início de uma interação e de uma forma mais personalizada de absorver a informação.

É A GRANDE ESPLOSÃO DAS MÍDIAS!

É o surgimento de uma série de equipamentos, que gradativamente passam a ocupar tanto o espaço doméstico, inserindo uma série de novas relações entre os membros da família, quanto o próprio corpo humano, com os mp3, aparelhos celulares, laptops etc. Ao mesmo tempo, era crescente a tendência para os trânsitos e hibridismos dos meios de comunicação entre si, inaugurando uma nova dinâmica e possibilitando aos consumidores a escolha entre produtos simbólicos alternativos. Os espectadores começaram a se configurar também em usuários, e este é o momento crucial para se perceber a diferença trazida pela era digital. Portanto, isso significa que começou a mudar a relação receptiva de sentido único, tão presente no televisor, para o modo interativo que é exigido pelo computador.

Em conseqüência da familiarização com esses meios digitais, combinar-se com maior facilidade elementos de universos virtuais e do mundo concreto, questionando a visão tradicional do homem e do mundo, assim como uma nova estética contemporânea, produzindo então formas híbridas de linguagens visuais.

O questionamento clássico da filosofia “quem sou eu?” Hoje é utilizado para decifrar onde começa o homem natural, onde começa o homem digital. É diante da importância e efervescência de vivências virtuais/reais na contemporaneidade, que se torna imprescindível problematizar a formação de sujeitos virtuais. Nesse sentido, o sujeito social é entendido através da relação duplamente cindida entre homem e máquina, entre real e virtual.

Essa vida amplamente tecnologizada, vivida em velocidade high tech, afeta intimamente os sujeitos, transforma suas relações e inaugura novos formatos de sociabilidade nas quais eles (re)inventam suas próprias formas de (sobre)viver. Essas novas tecnologias, passam ainda a multi-externalizar nossa presença e nosso cérebro. Quantas pessoas que conhecemos possuem email, participam de salas de bate papo ou fazem parte de comunidades e fóruns virtuais? Médicos já podem operar a distância, namoros surgem entre pessoas de diferentes continentes, bibliotecas inteiras são acessadas na rede, comunidades de interesse, como o Facebook, agrupam pessoas de todos os países. Trata-se do corpo plugado, onde um usuário se move no ciberespaço enquanto seu corpo físico apresenta-se conectado no computador, apresentando sempre algum nível de imersão. É devida essa situação que surge também a figura do avatar:

“Um avatar é como uma máscara digital que pode se vestir para se identificar a uma vida no ciberespaço”. (DOMINGUES, 2002:119)

Os avatares são figuras gráficas, ilustrações, que habitam o espaço virtual para quais os usuários emprestam suas identidades. É a representação gráfica do cibernauta que pode se movimentar nos ambientes do ciberespaço, encontrar outros avatares e comunicar-se com eles, e mesmo criar quantos avatares quiser. Esta situação é um bom exemplo para se retratar as novas formas e possibilidades de socialização na cultura digital.

Caroline Dominguez

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