A aura do objeto artístico na era dos Webstreams

O objeto artístico já não é o que era. Aquilo que estava apenas visível, muitas vezes, para uma elite é hoje disseminado sem limites, universalmente a quem estiver disposto. Basta uma pequena pesquisa, um clique e segundos depois temos acesso a toda e qualquer obra. Pintura, fotografia, cinema, música, tudo à distancia umas key words colocadas no “Dr. Google”. Esta partilha desenfreada levanta vários problemas, não só legais ou éticos, mas na questão da aura do objeto artístico como está explícito no ensaio de Walter Benjamin “A Obra de Arte na Era de sua Reprodutibilidade Técnica”.

Com o advento da Web e sobretudo da sua versão 2.0, a criação de sítios de stream, primeiro ilegais, mas agora alguns (felizmente) legais, introduziu uma nova realidade aos utilizadores da rede. O que estaria apenas acessível em formato físico ou através de download, está presente em autênticas coleções de cinema e música. E vou cingir-me apenas a estes dois exemplos por serem os mais populares para estes formatos stream (a televisão é outro, mas misturar demasiados formatos).

Será que estes objetos artísticos perdem a aura pela sua reprodução neste tipo de formatos tão diferentes daqueles para os quais foram pensados? Ou será que serviços como o Neflix e o Spotify trazem algo novo ao objeto? Eu sou da opinião que estes serviços, quando legais como os exemplos, apresentam uma função de serviço público. Primeiro, as pessoas têm que ser sensibilizadas para terem que pagar para terem acesso aos conteúdos, todavia o objeto artístico pode e deve ser divulgado para ser apreciado e não trancado a sete chaves. Daí que a existência destes serviços seja vital para a sobrevivência tanto da obra de arte, dos seus criadores e para a criação de uma cultura de sensibilização dos utilizadores. É óbvio que ver um filme através do Netflix no computador não é a mesma coisa que estar na sala de cinema, com toda a solenidade do momento, da atmosfera envolvente e do formato do ecrã ou de ouvir uma música no Spotify e ouvir um álbum completo no gira-discos, com o vinil a rodopiar à nossa frente e som completo a ser bombeado pelas colunas de alta qualidade da nossa sala de estar. Nada vai substituir esses rituais, mas cada vez mais estes vão ser isso mesmo, rituais de uma minoria, uma elite consciente e capaz (economicamente).

Embora possa existir uma perda de aura no objeto artístico através da sua reprodução sem limites em formatos que ao primeiro olhar podem estar longe do que estas obras merecem, a sua reprodução nestes espaços traz toda uma nova dimensão à arte e à sua divulgação. E se imaginarmos que os consumidores destes serviços e os que fazem downloads têm, baseados em vários estudos quer da Europa quer nos E.U.A., mais apetência para irem a salas de cinema e comprarem CD, estamos na presença de um mercado e de realidades completamente novas na sociedade ocidental. Que não devem ser olhadas de soslaio, mas vistas como uma oportunidade de se mudarem as regras do jogo.

                                                                                                   Paulo Silva


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