“Autorreflexão” segundo Turkle

A autorreflexão do sujeito proposta por Sherry Turkle em seu livro Alone Togheter vê o homem enquanto um ser frágil a interações virtuais, em suas relações com o outro, de ser aceito como o próprio se vê. Tais conflitos são relevantes para sua formação e essas experiências podem proporcioná-lo ler o mundo a sua volta e construir relações para além de um ecrã ou páginas virtuais de relacionamento.

Essas interações digitais tendem, segundo Turkle, a alimentar o inverso: inibem a formação crítica do utilizador, fazendo absorver conhecimentos fragmentados. Nicholas Carr descreve que “o uso de internet estava alterando o nosso modo de pensar a ponto de nos tornar menos capazes de absorver informações mais extensas e complexas, como as de livros e artigos de revistas”, constituindo uma identidade volúvel e alienada, como um navegante à deriva num mar desconhecido. Neste contexto não se espera que o sujeito reflita, aprenda, ou mesmo entenda o mundo a sua volta, nem tão pouco que sua criticidade se desenvolva. O mesmo projeta o seu eu nessas interações como medida de refúgio de suas aflições e problemas relacionais, um modo, talvez, de descartar esse estado sentimental, isolando-se nessa realidade repleta de estereótipos que o próprio julga aceitável para viver socialmente e que o torna um produto. Autorrefletir sobre sua própria condição inexiste, a máquina é então a extensão de si próprio.

A tecnologia está ameaçando dominar nossas vidas e nos tornar menos humanos. Sob a ilusão de permitir que nos comuniquemos melhor, ela nos isola das reais interações humanas por meio de uma realidade virtual que é uma imitação medíocre do mundo real.”

(Turkle, 2011)

A falsa sensação de controle, de obter atenção e sentir a presença do outro, juntos ainda que sozinhos, segundo Turkle, demonstra como o indivíduo projeta seu eu através de interações digitais e se expõe existencialmente no mundo. A sensação de estar sempre conectado gera a falsa sensação de onipresença, ou ao menos onicontatáveis, robôs sociais, mas que não entendem até onde atingem, enquanto condição humana, ao projetar expectativas em uma máquina e nos processos que esta permite criar e modelar, numa realidade firmada em fantasias, na esperança de ser aquilo que as mediações imprimem com seus padrões consumistas.

Manter uma relação autoconsciente, segundo Sherry Turkle, é imprescindível em um novo momento de compreensão e reflexão sobre essa nova constituição social. Pensar no sujeito enquanto ser dependente de interações sociais físicas e efetivas buscando encontrar o caminho para a utilização ideal desses meios. Quanto maior a exposição destas relações sociais e o acesso das pessoas a estes múltiplos canais, menor será a relação social entre estes indivíduos. Compreender a relação do homem em rede, conectado, imerso em uma realidade irreal, refém de espelhos que refletem a concretização virtual de desejos inalcançáveis, talvez seja uma boa direção e, aprender que aspectos relativos as relações humanas legítimas como a solidão, podem ser positivas para uma covivência saudável do sujeito com os médias digitais.


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