O Mundo da “Realidade X”

Para pessoas como eu, aficionados por ficção científica, a ideia de ciberespaço ou qualquer tipo de mundo virtual sempre esteve em primeira linha de pensamento. É, a par da inteligência artificial e das viagens interespaciais e temporais, o tema mais fascinante e que mais me tem levado a interessar-me por estas paragens, quer no cinema como na literatura ou televisão. Daí que esta teoria de Beth Coleman da “x reality” me pareça extremamente interessante.

Primeiro porque a ideia de integração digital na realidade física é o futuro das nossas sociedades. A mediação tecnológica desenvolve-se a um ritmo imparável e oferece cada vez mais opções ao nosso dia-a-dia. Está omnipresente, ubíqua, cada vez mais transparente, quase invisível.

Esta ideia de interseção de realidades, física e virtual, num meio híbrido revela uma observação muito interessante, por parte da autora, da nossa realidade. Os meios tecnológicos são, tal como o profeta McLuhan afirmava, verdadeiras extensões do nosso corpo. Uma realidade aumentada, um alargamento do nosso campo de ação, a copresença. A proximidade física deixou de ser um fator para que haja comunicação.  

E é no âmbito da comunicação, ou permuta de informação entre indivíduos, que esta teoria da realidade X se revela em pleno. Hoje, estamos sempre ligados à rede e desta forma, sempre contactáveis. E a nossa disposição para estabelecermos comunicação no espaço físico é cada vez mais reduzida. Fechamo-nos nas nossas bolhas comunicativas e, embora existamos fisicamente, conectamo-nos virtualmente (Sherryl Turkle).

Caminhamos num sentido da virtualização da realidade, das nossas relações, do nosso trabalho. Muitas das alterações são importantes e podem realmente facilitar, todavia outras podem trazer revoluções não muito benéficas ao bem-estar das populações, sobretudo se pensarmos na escassez. Vivemos num equilíbrio muito débil, que a qualquer momento se pode desequilibrar e tornar-se potencialmente catastrófico. Será sem dúvida fascinante perceber o que o futuro nos reserva. Analisar perspetivas, tendências. Porque a ficção científica é o género que profetiza o futuro, embora muitas vezes marginalizada dos grandes palcos (sobretudo nos países do sul da Europa, onde não existe muita tradição deste género), merece ser entendida e estudada. 

                                                                                                    Paulo Silva


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