Tecnologia do sujeito como meio de pôr os pontos nos is

Tema de escrita: O que são as tecnologias do sujeito?

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A tecnologia do sujeito é, no século XXI, o meu segundo eu. O “eu” onde eu posso explorar o melhor ou o pior de mim, onde posso fingir o que não sou ou simplesmente ser mais do que o meu “eu” verdadeiro demonstra ser.

TAKE 1: O digital vai atenuar a realidade e tornar-se ele próprio num digital mais…real. Posso criar o meu trama de histórias veladas, símbolos secretos, códigos enigmáticos, um verdadeiro thriller baseado numa história real onde sou a personagem principal. É a nova forma de deixar um estigma no mundo.

A tecnologia do sujeito não é mais uma prótese mas sim um vício que alimenta um drogado que não consegue controlar a força avassaladora do seu desejo, do seu pecado, como se isso desse sentido aos momentos mais inexplicáveis da sua vida. Há uma obsessão pela estranheza do achado, que nos faz iniciar uma busca que nos leva perto ou longe da verdade (nunca se sabe quando o mundo é tão “pequeno”).

Por detrás desta falsa façanha, o primeiro e único eu de cada um, mantém-se intacto porque foi esquecido e deixado para trás como o passado o é todos os dias. Cada dia que passa, sem que se apercebam, torna-se cada vez mais difícil confrontar a dolorosa recordação de que as escolhas geram as circunstâncias. Que sentido dar agora a um clone que se criou com as nossas próprias mãos? Reiniciar o robot apaziguará o que este transformou até aqui?

As consequências vêm sempre depois dos atos, até mesmo na ordem do abecedário.

TAKE 2: O oposto, onde eu me torno mais “eu”. Onde a tecnologia que me rodeia não é a minha droga mas a minha cura. É nela que me refugiu da solidão que se abateu quando toda a gente se foi e eu fiquei. Restaste-me tu, aquele que torna perto o que para longe foi, aquele que corta com a noção de tempo-real, de espaço, de distanciamento, tu: o dispositivo que melhor me entende por responder às minhas necessidades. És o único que manipulo e ser chefe não é para mim por isso usufruo de ti o tempo mínimo indispensável; o tempo suficiente para a saudade deixar de magoar um pouco para depois voltar.

 Por fazeres parte integrante na minha vida, não faz de ti o meu melhor amigo. Eu, um “ex-tecnologicodepende”, sei hoje pôr os pontos nos Is. Aprendi que não preciso pôr a minha vida em risco por ti para cair nas garras que me empurraram para o precipício de episódios anteriores na minha vida. O importante é saber separar as coisas. Eu sou quem quero ser, igual quer na realidade quer no meio tecnológico e não és o dispositivo que me vai fazer mudar de ideias.

Cristiana Rosa


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