Game Over

É perceptível que o meio de vivermos o nosso quotidiano está a mudar. Está a mudar porque a tecnologia está constantemente a evoluir e acaba por ter consequências no nosso dia-a-dia. Mais especificamente, na forma como nos relacionamos com outros e até com nós próprios.

Os novos meios tecnológicos que invadiram a nossa vida fazem com que nos “desliguemos” da realidade que está à nossa volta. O mundo virtual passa a fazer parte do mundo real e a tal “realidade x” abordada por Beth Coleman passa a existir. No entanto, não irei escrever este texto indo nessa direção.

Os meios tecnológicos que falava inicialmente tem sofrido uma evolução tremenda nos últimos 15-20 anos. A geração pós-Guerra Fria (nascida posteriormente ao ano 1990) veio assistir a uma era onde tudo é digital e virtual. Os jogos vieram como derivados de todo este incrível desenvolvimento tecnológico e que acabou, de alguma forma, por ser alargado pelo desenvolvimento da Internet. Atualmente é possível jogar on-line jogos dos mais variados tipos. Estes jogos viram a sua qualidade gráfica ser melhorada ano após ano, até que chegou a ser constituído por imagens 3D de alta qualidade. A qualidade e a fantasia é de tal modo elevada, que as novas gerações preferem-na em detrimento da verdadeira realidade. Isto não seria um problema se o gosto de jogar on-line ou sozinho em casa tivesse como função um entretenimento provisório ou até uma função lúdica. No entanto, tal não acontece. Os jogos são de tal forma entusiasmantes (não só do ponto de vista gráfico mas também da sua jogabilidade) e interessantes que levam a que os mais novos se esqueçam do mundo que está a sua volta.

Eu, pessoalmente, com 21 anos estou no início desta geração. Apesar de não ter irmãos, vejo que esta geração ainda mais nova tem o vício do jogo. E é preocupante. Os jovens acabam por não potencializar as suas competências sociais e perdem a noção do que é  o convívio grupal, do que é estar olhos nos olhos com o outro e do que é a vida lá fora. Ainda mais preocupante é quando vemos notícias de jovens na faixa etária dos 10 aos 20 anos que morrem por estarem 30,40 ou 50 horas seguidas a jogar sem parar e sem comer.

É possível concluir que os jogos on-line, tendo como função o entretenimento dos mais novos, teve enormes benefícios e vantagens. Por exemplo, hoje em dia um menino de 10 anos tem bastante mais vocabulário de inglês do que antigamente. No entanto, o peso das desvantagens acaba por se sobrepor e os jovens podem vir a ter grandes dificuldades no que diz respeito às competências sociais no futuro. Correm o risco de ficar  socialmente e profissionalmente mais excluídas. É caso para dizer game over. Não só no jogo, mas também na vida futura.

Nuno Morgado


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