Os jogos virtuais

A discussão sobre os videogames ou sobre os jogos online é um assunto que sempre emerge e levanta opiniões diversas. Existem inúmeras pesquisas que visam repetir e informar sobre as possíveis vantagens ou desvantagens acerca de algo surgido já há muito tempo. Penso que, como qualquer outra atividade “social”, o excesso e a ausência de reflexão sobre tal assunto são no fim, os únicos e principais agravantes sobre tal. Extremismos a parte, dizer que nos jogos eletrônicos em geral não se encontra qualquer fator de risco, é assumir uma ilusão tão grande quanto a encontrada em tais meios.

Há quem diga que entre os benefícios dos jogos eletrônicos, além do entretenimento, estão o desenvolver da motivação para se esforçar, respeitar as regras, e principalmente, interagir e se comunicar com outras pessoas (jogando com um parceiro ou amigo em jogos online, por exemplo) ao redor do mundo. Por outro lado, há quem defenda que entre as maiores desvantagens estão as várias horas que algumas pessoas jogam por dia, a dependência psíquica, o isolamento, o perigo de um contado distanciando, a violência e etc.

Em um texto encontrado na página do Governo do Estado de São Paulo, o psicólogo do Instituto de Psiquiatria do Hospital das Clínicas da USP e especialista em vícios da internet, Cristiano Nabuco, expõe algumas idéias acerca dos jogos. Partindo de jogos simples, como os aplicativos encontrados nas redes sociais, Nabuco apresenta visões positivas e negativas, e diz até mesmo sobre os avatares criados pelos jogadores. “Criar um avatar (personagem dos jogos virtuais) é uma maneira de tentar contornar uma vida, às vezes, sem sentido. No jogo, eles conseguem dar vazão a algo que na vida real teriam medo ou se sentiriam impossibilitados”.

Outra questão a levantar é o fato de que hoje em dia muitas crianças se incluem neste universo muito cedo, antes mesmo de promover ou desenvolver uma interação social com o mundo físico, se distanciando de outras crianças, dedicando menos tempo aos estudos e até mesmo se isolando do círculo familiar. Devemos considerar que as crianças de hoje são “nativos digitais”, nascidas em mundo com uma gama quase ilimitada de tecnologias digitais. Tais crianças têm uma melhor e maior capacidade de utilizar tais meios, pois não necessitaram passar por um processo de aculturação[1].

Se para muitos adultos, que se inseriram no universo dos jogos online, já se torna difícil uma visualização clara acerca das implicações destes, os parâmetros de separação entre o que é bom ou ruim, entre o que é jogo ou realidade, já se confundem para as novas gerações. A atenção e cuidado dos pais ou do próprio indivíduo se faz necessária, para impor os limites do que lhe é válido, saudável e prazeroso.

Evandro Santos

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Referências:

CABRAL, Álvaro; NICK, Eva – Dicionário técnico de psicologia. São Paulo: Cultrix, 2006.

Psicólogo do HC alerta para o perigo dos jogos sociais. Disponível em

http://www.saopaulo.sp.gov.br/spnoticias/lenoticia.php?id=208570


[1] “Aculturação – Processos pelos quais as crianças aprendem os padrões de comportamento caracteristicos do seu grupo social, especialmente do grupo social mais vasto ou cultura…” (Cabral, Nick, 2006, 12).


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