Vertigo

«Sitting in Building Seven writing this passage (…) I glimpse up at the skylight at the top of the iconic MIT dome (…) I can’t shake the feeling that I have jumped through that same skylight. One night, some months before, I stopped by the MIT Island in Second Life (…)»

«I roused myself of this reverie and looked back at the computer screen before me as I tried to make sense of what just happened. I can remember recalling movie scenes or pieces of novels or comic books that appeared so vividly that I felt, in some way, as if the story told were part of my actual story. But I found this to be a different quality of recollection entirely; it felt physical. And it felt real.»

«I flashed back on recent neuroscience research on mirror neurons that described a cessation of pain in an amputated limb (a phantom pain) when the patient saw the limb mirrored in a looking glass. A virtual image helped to reconcile actual pain even if the pain was not physiologically grounded. Perhaps the mapping I experienced, where the real space overlapped with the virtual, lay outside of more familiar mediated experiences, such as reading or watching a movie.»
(Beth Coleman, What is an Avatar?, 2011)

 

Se percebemos correctamente esta passagem fundamental da teoria de Beth Coleman a experiência dos mundos virtuais produz posteriormente uma recordação que é sentida como física e que dá a sensação de ser real, por oposição à recordação de uma passagem de um livro ou de uma cena de um filme em que não se pode ir além de uma sensação de que a história relatada faz parte da história de quem a recorda.

Primeiro, esta «qualidade inteiramente diferente» da recordação levanta a dúvida de se também será diferente da recordação física normal ou se é apenas inteiramente diferente da recordação que a autora tem de ler um livro ou assistir a um filme. Não nos pareceu relevante para este ponto a falta de distinção acerca dos contextos de recepção ou das próprias formas de representação mencionadas.

Segundo, se o «mapeamento experimentado» é uma recordação e não uma excursão no mundo virtual efectivo, como é que o espaço virtual se sobrepõe ao espaço real? Não será antes a memória do espaço virtual que se sobrepõe à percepção do espaço real? Ou será que é sugerido que a memória de uma acção é uma experiência de interactividade?

Terceiro, se nesta experiência paradigmática da x-reality a sobreposição do espaço real e do espaço virtual é concebida em termos de membros amputados e dores fantasmas ficamos com a impressão vívida de que a experiência interactiva da realidade virtual se torna interessante especialmente sob a forma de recordação, ou seja, de representação, no momento em que exactamente o elemento de interactividade foi eliminado.

Em conclusão, pareceu-nos relevante esta passagem onde a experiência dos mundos virtuais é comparada à experiência de outras formas de representação, não interactivas, e onde é aparente a concepção de média operante na teoria de Beth Coleman.


Calendário

Junho 2013
M T W T F S S
« Maio   Dez »
 12
3456789
10111213141516
17181920212223
24252627282930

Estatística

  • 525,046 hits

Enter your email address to follow this blog and receive notifications of new posts by email.

Junte-se a 1.226 outros seguidores


%d bloggers like this: