Espírito no Papel

Lembro-me claramente da última vez que recebi uma carta, apesar de já ter sido há alguns anos atrás, foi a primeira carta que alguma vez recebi, e admito, a sensação foi completamente distinta de qualquer e-mail que possa receber, foi como ter um pequeno “segredo” entre as mãos, algo que só eu e o próprio escritor conhecemos, e isso vai desde a mensagem em si, até às pequenas entrelinhas, tais como o cheiro, a maneira como foi escrita, a personalidade da caligrafia, e mesmo os erros ortográficos.

   Nos tempos de hoje já ninguém se quer dar ao trabalho de escrever cartas, todos sabemos que enviar um e-mail ou uma mensagem instantânea é mais rápido e quanto mais rápido roda o mundo menos pacientes ficamos, queremos tudo, aqui e agora. Talvez se conseguíssemos parar uns segundos e olhar para trás pudéssemos mergulhar um pouco no passado.

   Pessoalmente, considero-me um sortudo, mas sinto imensa pena por saber que muitos nunca irão saber qual é a sensação de receber uma carta, nunca vão ler os erros ortográficos de alguém especial, nunca vão ter um totem cujo cheiro é de alguém que tirou mais de cinco minutos para lhe escrever, nunca vão ter a verdadeira intimidade do outro pintada num papel, que com sorte, vai envelhecer ao seu lado, sem nunca ocupar o espaço da caixa de entrada.

 

Bernardo Lousada


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