Proximidade Instantânea

A ideia de guardar momentos, histórias, imagens e movimento é algo que muda de forma radical todo o panorama das lembranças; instituindo um mapa de códigos e símbolos que altera a maneira como nós próprios interagimos com o espaço da memória.

A lenta evolução, desde o daguerreótipo – que demorava cerca de 8horas a fixar uma imagem-  até às primeiras fotografias, para nos levar, depois, ao culminar da captação da imagem em movimento, as primeiras filmagens. Esta ideia de captar o movimento, como recortar uma situação do seu lugar e tempo, é-nos mais autêntica, porque sempre nos foi mais fácil acreditar naquilo que vemos. Funciona como um prolongar das próprias situações, um retratro real e crú, daquilo que foi.

Associada, inevitavelmente aos meios digitais, solucionou problemas como o contacto à distância – videochamadas, onde não só podemos ter a percepção da voz como a da própria expressão facial e pessoal. E com isto, tornou-se possível practicar a ideia de  aproximar o mundo, como se as distâncias terrestres, de repente, perdem-se o protagonismo e entrássemos, na era da proximidade fictícia. Não nego que a possibilidade desse contacto instantâneo seja algo de maravilhoso, que cria uma facilidade que acompanha não só o tempo e a sociedade em que vivemos, como também nos aconhcega o ânimo, quando alguém que gostamos está longe. Mas é preciso saber usar e não esquecer que as distâncias terrestres  continuam, afinal, a ser as mais reais de todas.

 

Rebeca Vendrell


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