Arquivo de 23 de Abril, 2014

“Hello, Earth. Let’s go explore”

Actualmente estamos a assistir à digitalização de quase todo o nosso património, quer antigo quer actual, o que levanta questões sobre a perda da autenticidade, da aura do que está a ser reproduzido, mas que no fundo nos traz muitas vantagens, pois se não fosse a reprodutibilidade técnica e digital (no caso da arte em geral), provavelmente não teríamos acesso ou possibilidade de ir visitar obras de arte originais ao sítio onde se encontram, quer devido a problemas financeiros, quer por falta de tempo, etc..

Já não podemos dar mais desculpas de que não conhecemos aquela obra ou que nunca visitámos aquele lugar, pois podemos fazer visitas virtuais, podemos viajar pelo espaço através de simuladores ópticos, como é o caso do “Google Art Project”, que é um projecto de digitalização de algumas das obras mais significativas de galerias e museus por todo o Mundo, e do “Google Earth”, que é um projecto que tem como finalidade apresentar um modelo tridimensional do globo terrestre, usando imagens de satélites, imagens aéreas, e um sistema de informação geográfica 3D.

Ora, estes programas dão-nos uma visão muito realista de obras e lugares, e levam-nos a fazer uma viagem virtual no conforto da nossa casa, por museus e monumentos de todo o mundo. Estamos perante um exemplo de descontextualização, pois estamos a ter acesso ao que queremos visitar, na escola, em casa, num  café, etc.., através da reprodução digital. Basta termos um dispositivo com ligação à Internet e um bom servidor.

A experiência que temos nestes simuladores nunca será a mesma do que a real se nos deslocarmos até ao sítio em questão. Não estamos a ver a obra de arte original, a que o autor assinou, a que o arquitecto aprovou. Vemos antes efeitos de distorção, como a escala que é alterada, nunca temos a verdadeira noção da dimensão da obra mesmo tendo as suas medidas, pois não temos aquele impacto de estar à sua frente ou ao seu lado, a técnica de pintura que não é reconhecível, não conseguimos ver exactamente as pinceladas dadas, pois a fotografia tende a uniformizar, entre outras coisas.

Mas temos também muitas vantagens em relação à experiência real de um museu, temos a sensação de proximidade e de intimidade, pois podemos ver a obra bem de perto e de passar o tempo que quisermos a olhar para ela, a estudá-la, podemos fazer zoom, para ver certos pormenores, podemos ter uma informação detalhada da sua história, da zona em que se encontra, etc..

Quase ninguém tem a possibilidade de ir visitar 100 museus, ou 100 lugares históricos, mas com estes dispositivos e através da reprodutibilidade digital, podemos. Podemos alegrar o nosso dia, aumentar o nosso conhecimento e formação, e viajar independente da nossa classe social ou do nosso estado financeiro. Talvez estas viagens não sejam tão boas e intensas como as viagens reais, mas não deixam de ser igualmente enriquecedoras.

 

Suse Duarte

 

Anúncios

Outra Visão

Antigamente as crianças aprendiam coisas sobre o espaço e o mundo através de mapas de papel ou através de um globo, então a sua percepção sobre essa matéria era diferente do que a de agora.
Com a chegada da Internet, tudo foi evoluindo mais de pressa, e hoje em dia podemos ver o espaço, fazer uma viajem até lá, a partir de casa, através do nosso computador.
Lembro me de em criança o meu pai me levar a ver a lua através de um telescópio, agora tenho primos mais novos que me mostram aquilo que eu vi e ainda mais detalhado através do seu computador pessoal. Não quer dizer que seja mau, porque o tempo avança e as coisas evoluem, mas às vezes faz falta haver um telescópio para as crianças se motivarem, porque parece que hoje em dia é tudo tão fácil que perdeu um pouco “a piada”. Não no sentido de que não é divertido mas no sentido de nos motivar a sair de casa, e descobrir tudo por nós.
Apesar de tudo isso, as nos tecnologias deram-nos a oportunidade de explorar e ver coisas que nunca tínhamos visto antes. Como o exemplo do Google Earth, que acho uma ideia simplesmente fantástica e apelativa às pessoas, é como fazer uma viajem sem sair da nossa casa.

                                                              Google_Earth_7_desktop

Estas simulações ópticasderam novos pontos de vistas acerca do espaço, do mundo, da nossa cidade e até das ruas mais próximas, cafés e bares, sem sairmos de casa. Com o nosso computador podemos conhecer lugares que poderíamos nunca conseguir lá ir pessoalmente, claro que não tira o valor de uma pessoa poder visitar um país, mas estes dispositivos fizeram das pessoas mais cultas e mais conhecedoras do mundo, e até mesmo o facto de darem a conhecer um bom país para quem quiser ir passar uma temporada, podendo saber o clima, o que nos espera para saber se vai ser do nosso agrado ou não, assim, nos facilita muito mais a vida, não temos de anular as férias por chegar ao destino e não ser que estávamos a espera.

Podemos embarcar numa viajem sem termos de sair de casa e divertirmos-nos com o conhecimento através das simulações de óptica, podemos ter uma outra visão do mundo.

Maria Ferreira

A percepção escondida

o grito

A reprodutibilidade digital da obra de arte permite que hoje possamos aceder a conteúdos inimagináveis, conteúdos cujo original provavelmente nunca iria-mos ter possibilidade de ver em vida. Facilmente visita-mos virtualmente museus que tanto por questões económicas, como pelo tempo e espaço extenso, não poderíamos visitar de outra forma. Fazendo uso de dispositivos digitais em poucos segundos estamos lá, a ver um espólio variado de quadros, a apreciar uma escultura a 360º (…).

Para os nossos antepassados basicamente só existia uma sociedade, a que eles conheciam, mas agora nós não nos limitamos a saber da existência de imensas sociedades, nós inclusive temos acesso às culturas riquíssimas de grande parte do planeta. É extremamente interessante a ideia de que tanto vemos um museu da China,como dos EUA, e que como nós imensas pessoas com diferentes identidades culturais também o fazem.

Mas será que a nossa reação seria a mesma que na visita real? Claro que não! Nunca vamos ter uma percepção tanto emotiva, de dimensão, de textura, de pormenor como teríamos… Há sempre uma desvalorização da qualidade. No caso concreto de livros raros, como “Os Lusíadas”, eu pessoalmente não penso que foi escrito à uns 500 anos quando o leio, pois não folheio as páginas originais, desgastadas pelo tempo, assim como me apercebo da sua beleza intemporal.  

“O Grito” de Edvard Munch é outro exemplo de como a essência, os pormenores, nos podem passar ao lado… Através de um documentário biográfico do pintor tomei conhecimento que há uma inscrição nessa obra de arte: “Could only have been painted by a madman”. Devido ao quão a obra é conhecida, é algo alarmante que além de cores em tons diferentes de fotografia para fotografia, a tal citação não aparecer em nenhuma fotografia aquando de uma pesquisa digital sobre esta obra. O que estará mais escondido, devido à dificuldade que temos de aceder ao original?

Maria Dias

A arte em circulação

Desde os primórdios da arte que a obra artística sofre o efeito da reprodutibilidade. Por exemplo, nas academias os alunos aprendiam através da cópia de peças de outros artistas, este método de aprendizagem tem sido utlizado até aos dias de hoje.

Um exemplo é o quadro “Mona Lisa” de Leonardo Da Vinci, exposto no Museu do Louvre, em Paris, e a cópia que se encontra no Museu do Prado, em Madrid, feita por um pupilo de Da Vinci. Mona lisa - Original e Cópia

Com isto podemos perguntar: quão original uma obra de arte pode ser? Para se definir uma obra de arte é preciso verificar qual a sua tradição, o seu contexto singular, de onde veio e quais as mudanças sofridas.

O que surgiu de novo na sociedade do século XIX foi a reprodução da obra por meios mecânico-técnicos.

Quando passamos da gravação manual de uma imagem para a captação técnica, a “mão humana” extingue-se, deixando de fazer parte da reprodução, pois esta passa de manual para mecânica, onde o fator predominante é o olhar da câmara.

A reprodução manual, como a xilogravura ou água forte, evolui para a representação técnica através da fotografia e mais tarde do cinema, onde existe a aceleração da imagem a tal ponto que permite acompanhar o tempo.

Nenhuma representação não tecnológica consegue captar toda a essência, pois a ela está associada apenas um foco de atenção, por isso não se consegue captar tudo.

Estamos num momento onde a aceleração da obra de arte atingiu o seu apogeu.

A diferença entre uma obra de arte original e uma reprodução é que por mais perfeita que esta seja, falta-lhe sempre qualquer coisa. Uma obra singular/única tem marcas que a unificam tornando impossível a sua total reprodução. Esta obra singular tem autenticidade, o seu contexto, o aqui e agora que lhe conferem a sua aura. Uma das funções dos museus é preservar essa dita aura. A reprodução vai ser retira do seu contexto original e vai ser trazida para o contexto em que o utilizador está.

Mas a reprodução não significa a morte do objeto artístico, mas sim a sua expansão. Na nossa sociedade a experiência de grande parte das pessoas com a arte é feita traves da reprodução, como as réplicas, fotografia ou vídeo.

A reprodução digital permite o acesso rápido e instantâneo à obra de arte. Como esta está a ser retirada do seu contexto singular, cada utlizado pode fazer o que quiser com a imagem da peça artista. Como, por exemplo, acontece no Google Art Project.

Com isto podemos dizer que vivemos numa época onde a reprodução em massa altera o lugar e a circulação das obras, formando assim uma arte de massas.

 

Rute Sousa

Uma obra de arte, infinitas reproduções

Em “The Work of Art in the Age of Mechanical Reproduction”, um ensaio elaborado por Walter Benjamin, o autor reflecte sobre o conceito de “reprodutibilidade técnica”, introduzindo assim o conceito de “aura” nas diversas obras de arte, representando o carácter específico e único que cada uma tem, podendo essa “aura” desaparecer, mesmo que parcialmente, precisamente com a constante reprodutibilidade das obra em questão.
Mas, agora, eu coloco a questão: Será a autenticidade de uma obra de arte um critério de classificação que a promove a tal estatuto? Segundo Walter Benjamin, essa é definitivamente uma exigência, defendendo que “a autenticidade de uma coisa é a quintessência de tudo o que foi transmitido pela tradição, a partir de sua origem,desde sua duração material até o seu testemunho histórico. Como este depende da materialidade da obra,quando ela se esquiva do homem através da reprodução, também o testemunho se perde”. O autor acrescenta que o espectador deve sentir “uma espécie de amor paradoxal: um querer ter e não poder ter, um amor que se alimenta da inacessibilidade e que, se chega a possuir o objecto desejado, perde por ele toda a atracção”. De facto, uma qualquer obra de arte, ao ser incessantemente reproduzida, passa a ser como que recolocada constantemente no Mundo, numa nova época, à medida que o tempo vai passando. Mas isto traz consigo as suas vantagens: a obra pode não só ser muito mais facilmente estudada e dada a conhecer (principalmente através dos meios digitais), conseguindo-se assim compreender melhor a época em que a mesma foi inicialmente produzida, mas estando também a mesma sujeita a novas interpretações, influenciadas pelas mentes actualizadas, acabando assim por ressuscitar a obra e o seu significado e valor, não invalidando assim aquele que poderia ter inicialmente. O carácter de unidade dado como uma das características essenciais não se perde, pois as pessoas (não necessariamente apenas as que apreciam e se interessam pela arte especificamente) continuam a dar um valor especial à obra original. Continua a ser uma espécie de obrigação ver um qualquer quadro famoso ao vivo, mesmo que se possa ver imensas reproduções sem serem virtuais, uma vez que já está incutido nas pessoas esse princípio moral de valorizar mais o que é original.
Assim sendo, a reprodutibilidade das diversas obras de arte trazem consigo uma série de questões sociais que lhes estão desde logo inerentes, tema interessante para ser estudado e repensado, mas o ser humano tem uma natural sede de saber e de informação, mesmo que falsa ou desinteressante, e a resposta a esta procura dificilmente lhe vai ser negada.

 

Maria João Sá

Eu vi a Mona Lisa no Google.

Ao longo da história assistimos a uma massiva representação das obras de arte. Começou com a reprodução manual de pinturas pelos seus aprendizes, passando para meios técnicos como a fotografia, o cinema e a internet que levaram à expansão, em grande escala, da arte.

Atualmente, devido ao, cada vez maior, desenvolvimento da tecnologia, as obras de arte estão disponíveis ao público através de qualquer plataforma com acesso à Internet, quer por meio de imagens no Google quer através de visitas online a importantes museus mundiais. Esta disponibilidade imediata das obras de arte altera a sua natureza e função social, pois altera a sua forma de circulação temporal e espacial, ou seja, não necessitamos de nos deslocarmos ao museu para ver determinada obra de arte, nem precisamos de ser do país de origem de uma banda para termos acesso à sua música, pois, com toda a reprodutibilidade das obras de arte, elas chegam até nós muito facilmente.

Ao estarem disponíveis a todo o público de forma facilitada e praticamente imediata, as reproduções das obras de arte podem ser facilmente manipuladas, ou seja, podemos modificá-las recorrendo a programas de edição de imagem, como o Photoshop, podemos transferi-las da Internet e utilizá-las noutros contexto, como numa apresentação de um trabalho, como imagem de fundo de um dos nosso dispositivos eletrónicos, enquanto as obras originais permanecem seguras em museus que procuram manter a aura, a originalidade das obras de arte.

Como Walter Benjamin explica em The Work of Art in the Age of Mechanical Reproduction, assistimos a um reprodução técnica acelerada de toda a cultura humana, no entanto, as reproduções não significam a morte dos objetos artísticos, mas pelo contrário, atualizam as obras de arte que adquirem novos significados ao serem inseridos em diversos contextos, de diversas formas.

 

Letícia Ferreira.

Da ideia ao ato criativo.

De certo o ato de criação é baseado na convicção de que a originalidade surge através da inspiração, produtos vindo daqueles considerados gênios, entretanto o ato criativo nada tem de magico ou fantástico, mas sim de um uso correto dos instrumentos do pensamento sobre a matéria física. Podemos similarmente encontrar nos conceitos de remediação, imediacia e hipermediacia de Jay David Bolter e Richard Grusin, exemplos dos médias de ontem é hoje, de como a criatividade se manifestou através de ideias e processos que possibilitaram a criação do novo.

Podemos começar pela remediação, um exemplo inicial na presença dos desenhos das bandas desenhadas nos jornais, sim, as bandas desenhadas tiveram sua origem é participação nas transformações dos jornais, estas que com o tempo foram acentuando suas diferenças até terem identidades própias, que começaram apenas como charges cômicas que meramente acompanhavam os textos jornalísticos, evoluindo para tiras dominicais, como as de Richard Outcault e seu personagem o “Menino Amarelo”, publicadas no jornal New York World, que ao publica-lo atraiu grande atenção para si. O desenhador Outcault inovaria no processo das bandas desenhadas, ao fragmentar as ações da narrativa, acrescentar balões com textos, e ter seu personagem colorido nas tiras, tornando-o tão cativante que dizem que os jornais brigavam para tê-lo, ao longo do tempo com o considerável sucesso as bandas desenhadas passariam de tiras de jornal a um suplemento dominical, e anos mais tarde se desligariam quase que por completo dos jornais, se tornando uma nova forma de média.

Em um outro exemplo para se falar de imediacia coloquemos a própria tecnologia dos computadores, em que este meio tenta tornasse invisível, procurando escondesse dos olhos, bem e certo em outras décadas isto seria inconcebível, visto que os primeiros computadores podiam ocupar toda uma sala, ou por vezes andares inteiros, mas eventualmente essa situação mudaria, dos computadores extremamente espaçosos a chegada dos computadores pessoais nos anos 70, como o Alto e o Star, lançados pela empresa Xerox, que logo seriam superados por sua concorrente Aplle que colocaria no mercado o seu Macintosh, e futuramente uma serie de outros produtos que assim como outras empresas do ramo, visariam cada vez mais a miniaturização da tecnologia, dando conforto e praticidade em seu uso, inserido-as mais facilmente no cotidiano dos seres humanos.

Ora, e como ultimo exemplo, talvez o mais divertido, o do video acima que usaremos para exemplificar a hipermediacia, em que o meio procura mostrasse visível, no clip musical a uma homenagem as telas famosas da historia da arte, como, “O Grito”, de Edvar Munch,“A criação do homem”, de Michelangelo, entre outras de diversos movimentos como dadaísmo ou concretismo, etc. Em meio a musica e imagens até cômicas de homens e mulheres procurando representar de diferentes formas os quadros, fica claro que se trata de um video, não de pinturas estáticas, expostas apenas para serem vistas, aqui são imagens que se movimentam e cantam, reconhecemos as obras mas não somos iludidos por aquilo que vemos, pois sabemos se tratar de um meio que deseja ser visto claramente como aquilo que é, como no final da canção em que os atores-cantores caem, desarmando toda a encenação, mas e também uma forma criativa de vermos as telas, representadas dentro de um outro meio, aqui as diferentes cenas de representação são tornados visíveis, o que vem multiplicar os sinais de mediação, em que o espaço visual da representação é visto como espaço ‘mediado’.

O fato e que independente dos exemplos citados para representar os conceitos, todos de uma forma ou de outra incluem os três conceitos, pois estas estes fazem parte de um processo criativo, tendo o pensamento como força propulsora, possibilitando assim também um solo em que se fosse possível brotar novas criações.

                                                                                                                                                                                                                     Volney Gonçalves


Calendário

Abril 2014
S T Q Q S S D
« Mar   Maio »
 123456
78910111213
14151617181920
21222324252627
282930  

Estatística

  • 732,394 hits

Enter your email address to follow this blog and receive notifications of new posts by email.

Junte-se a 1.227 outros seguidores

Anúncios