A arte em circulação

Desde os primórdios da arte que a obra artística sofre o efeito da reprodutibilidade. Por exemplo, nas academias os alunos aprendiam através da cópia de peças de outros artistas, este método de aprendizagem tem sido utlizado até aos dias de hoje.

Um exemplo é o quadro “Mona Lisa” de Leonardo Da Vinci, exposto no Museu do Louvre, em Paris, e a cópia que se encontra no Museu do Prado, em Madrid, feita por um pupilo de Da Vinci. Mona lisa - Original e Cópia

Com isto podemos perguntar: quão original uma obra de arte pode ser? Para se definir uma obra de arte é preciso verificar qual a sua tradição, o seu contexto singular, de onde veio e quais as mudanças sofridas.

O que surgiu de novo na sociedade do século XIX foi a reprodução da obra por meios mecânico-técnicos.

Quando passamos da gravação manual de uma imagem para a captação técnica, a “mão humana” extingue-se, deixando de fazer parte da reprodução, pois esta passa de manual para mecânica, onde o fator predominante é o olhar da câmara.

A reprodução manual, como a xilogravura ou água forte, evolui para a representação técnica através da fotografia e mais tarde do cinema, onde existe a aceleração da imagem a tal ponto que permite acompanhar o tempo.

Nenhuma representação não tecnológica consegue captar toda a essência, pois a ela está associada apenas um foco de atenção, por isso não se consegue captar tudo.

Estamos num momento onde a aceleração da obra de arte atingiu o seu apogeu.

A diferença entre uma obra de arte original e uma reprodução é que por mais perfeita que esta seja, falta-lhe sempre qualquer coisa. Uma obra singular/única tem marcas que a unificam tornando impossível a sua total reprodução. Esta obra singular tem autenticidade, o seu contexto, o aqui e agora que lhe conferem a sua aura. Uma das funções dos museus é preservar essa dita aura. A reprodução vai ser retira do seu contexto original e vai ser trazida para o contexto em que o utilizador está.

Mas a reprodução não significa a morte do objeto artístico, mas sim a sua expansão. Na nossa sociedade a experiência de grande parte das pessoas com a arte é feita traves da reprodução, como as réplicas, fotografia ou vídeo.

A reprodução digital permite o acesso rápido e instantâneo à obra de arte. Como esta está a ser retirada do seu contexto singular, cada utlizado pode fazer o que quiser com a imagem da peça artista. Como, por exemplo, acontece no Google Art Project.

Com isto podemos dizer que vivemos numa época onde a reprodução em massa altera o lugar e a circulação das obras, formando assim uma arte de massas.

 

Rute Sousa


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