A percepção escondida

o grito

A reprodutibilidade digital da obra de arte permite que hoje possamos aceder a conteúdos inimagináveis, conteúdos cujo original provavelmente nunca iria-mos ter possibilidade de ver em vida. Facilmente visita-mos virtualmente museus que tanto por questões económicas, como pelo tempo e espaço extenso, não poderíamos visitar de outra forma. Fazendo uso de dispositivos digitais em poucos segundos estamos lá, a ver um espólio variado de quadros, a apreciar uma escultura a 360º (…).

Para os nossos antepassados basicamente só existia uma sociedade, a que eles conheciam, mas agora nós não nos limitamos a saber da existência de imensas sociedades, nós inclusive temos acesso às culturas riquíssimas de grande parte do planeta. É extremamente interessante a ideia de que tanto vemos um museu da China,como dos EUA, e que como nós imensas pessoas com diferentes identidades culturais também o fazem.

Mas será que a nossa reação seria a mesma que na visita real? Claro que não! Nunca vamos ter uma percepção tanto emotiva, de dimensão, de textura, de pormenor como teríamos… Há sempre uma desvalorização da qualidade. No caso concreto de livros raros, como “Os Lusíadas”, eu pessoalmente não penso que foi escrito à uns 500 anos quando o leio, pois não folheio as páginas originais, desgastadas pelo tempo, assim como me apercebo da sua beleza intemporal.  

“O Grito” de Edvard Munch é outro exemplo de como a essência, os pormenores, nos podem passar ao lado… Através de um documentário biográfico do pintor tomei conhecimento que há uma inscrição nessa obra de arte: “Could only have been painted by a madman”. Devido ao quão a obra é conhecida, é algo alarmante que além de cores em tons diferentes de fotografia para fotografia, a tal citação não aparecer em nenhuma fotografia aquando de uma pesquisa digital sobre esta obra. O que estará mais escondido, devido à dificuldade que temos de aceder ao original?

Maria Dias


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