“Hello, Earth. Let’s go explore”

Actualmente estamos a assistir à digitalização de quase todo o nosso património, quer antigo quer actual, o que levanta questões sobre a perda da autenticidade, da aura do que está a ser reproduzido, mas que no fundo nos traz muitas vantagens, pois se não fosse a reprodutibilidade técnica e digital (no caso da arte em geral), provavelmente não teríamos acesso ou possibilidade de ir visitar obras de arte originais ao sítio onde se encontram, quer devido a problemas financeiros, quer por falta de tempo, etc..

Já não podemos dar mais desculpas de que não conhecemos aquela obra ou que nunca visitámos aquele lugar, pois podemos fazer visitas virtuais, podemos viajar pelo espaço através de simuladores ópticos, como é o caso do “Google Art Project”, que é um projecto de digitalização de algumas das obras mais significativas de galerias e museus por todo o Mundo, e do “Google Earth”, que é um projecto que tem como finalidade apresentar um modelo tridimensional do globo terrestre, usando imagens de satélites, imagens aéreas, e um sistema de informação geográfica 3D.

Ora, estes programas dão-nos uma visão muito realista de obras e lugares, e levam-nos a fazer uma viagem virtual no conforto da nossa casa, por museus e monumentos de todo o mundo. Estamos perante um exemplo de descontextualização, pois estamos a ter acesso ao que queremos visitar, na escola, em casa, num  café, etc.., através da reprodução digital. Basta termos um dispositivo com ligação à Internet e um bom servidor.

A experiência que temos nestes simuladores nunca será a mesma do que a real se nos deslocarmos até ao sítio em questão. Não estamos a ver a obra de arte original, a que o autor assinou, a que o arquitecto aprovou. Vemos antes efeitos de distorção, como a escala que é alterada, nunca temos a verdadeira noção da dimensão da obra mesmo tendo as suas medidas, pois não temos aquele impacto de estar à sua frente ou ao seu lado, a técnica de pintura que não é reconhecível, não conseguimos ver exactamente as pinceladas dadas, pois a fotografia tende a uniformizar, entre outras coisas.

Mas temos também muitas vantagens em relação à experiência real de um museu, temos a sensação de proximidade e de intimidade, pois podemos ver a obra bem de perto e de passar o tempo que quisermos a olhar para ela, a estudá-la, podemos fazer zoom, para ver certos pormenores, podemos ter uma informação detalhada da sua história, da zona em que se encontra, etc..

Quase ninguém tem a possibilidade de ir visitar 100 museus, ou 100 lugares históricos, mas com estes dispositivos e através da reprodutibilidade digital, podemos. Podemos alegrar o nosso dia, aumentar o nosso conhecimento e formação, e viajar independente da nossa classe social ou do nosso estado financeiro. Talvez estas viagens não sejam tão boas e intensas como as viagens reais, mas não deixam de ser igualmente enriquecedoras.

 

Suse Duarte

 


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