Arquivo de 24 de Abril, 2014

Pormenor(es)

Passaram-se aproximadamente 500 anos desde que Miguel Ângelo pintou o teto da Capela Sistina, 500 anos esses que parecem demasiado tempo, mas que na verdade são uma ínfima quantidade, tendo em conta que esta é uma obra para a vida toda. Na altura em que Miguel Ângelo a pintou teria, certamente, o intuito de que esta pudesse ser vista por todos, que pudesse ser contemplada como se estivéssemos de olhos postos no céu, ou mesmo noutro mundo transcendente.
Teoricamente para que qualquer obra de arte possa ser experienciada esteticamente na integra, nós temos que ter um contacto direto com ela, colocarmo-nos frente a frente para que consigamos captar os mais pequenos detalhes, quer tenham estes a ver com o próprio conteúdo ou com a maneira como foi trabalhado e para isso teríamos de nos deslocar aos locais onde pudéssemos encontrá-las. Os Museus, por exemplo, são locais onde estão guardadas as mais valiosas obras de arte, assim consideradas, onde para as visitarmos temos que pagar uma quantia (normalmente), pois sabemos que à partida aquilo para que estamos a pagar é verdadeiro, é único, e os Museus dão-nos uma garantia disso, atribuindo ainda a cada uma obra em particular a ideia de autenticidade e aura, aura essa que é validada por estes.
A verdade é que hoje em dia visitar um museu, ou outro sítio qualquer é possível à distância de um “click” ou de uma breve pesquisa e tudo isto vai de encontro à ideia de Reprodutibilidade Digital da Obra de Arte, pois há uma reprodução da obra de arte através de meios digitais, pensamos na arte como uma arte digital. Nesta ideia encontramos o processo que Walter Benjamim descreve – a utilização de uma câmara digital, de um meio digital para podermos aceder a uma obra singular, que na verdade passa a ser uma reprodução, mas tem na mesma a ideia de autenticidade, de aura como a original, pois mesmo sendo virtual, acaba por se tornar em algo novo, original.

http://www.vatican.va/various/cappelle/sistina_vr/index.html
Aqui coloco um site (como tantos outros existem), onde é possível vermos esta ideia de reprodutibilidade digital. Neste exemplo temos uma visita virtual à Capela Sistina onde podemos ver muito minuciosamente cada pedaço da pintura, onde temos ainda a possibilidade de ouvir uma música que recria todo aquele ambiente espiritual.
Mas será que a perceção é a mesma? Apesar de todas as inovações, o melhor ainda é o natural, aquilo que é sentido e visto como um frente a frente entre o olhar e a obra que muitas vezes não confere especificamente minuciosidades, mas sensações e emoções que serão o maior dos pormenores.

Inês Pina

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Arte Acessível

No momento da história em que tudo é reprodutível e digitalizado falar em reprodutibilidade digital da obra de arte é uma assunto que desperta diversas opiniões, principalmente no meio artístico. Walter Benjamin em seu texto “A obra de arte na era da sua reprodutibilidade técnica” foi um dos primeiros a explanar sobre tema.

Benjamin escreve uma frase que chamou a minha atenção: “a pintura sempre foi apresentada para ser vista por uma, ou algumas pessoas”. Com a realidade atual, em que temos tudo disponível na internet essa afirmação não pode ser tão fechada. Sabemos que a pintura no seu início era uma arte para poucos e que com a popularização da câmera fotográfica isso mudou.

Saindo do campo da teoria e tentando analisar um exemplo prático de reprodutibilidade digital da obra de arte, temos os sites dos museus que nos permitem visitar suas obras através dos nossos computadores. Acredito que há bastantes aspectos positivos nesse acesso através da internet, afinal existe a possibilidade proporcionar o conhecimento das obras para pessoas que não tem recursos financeiros para conhecer determinados museus. Dessa forma há uma maior acessibilidade as obras produzidas no mundo.

Benjamin alerta que a reprodutibilidade da obra de arte pode fazer com que essa perca a sua autenticidade. Autenticidade que dar a obra uma vida própria que só existe na original. Pensando nesse conceito e no exemplo das visitas online aos museus acredito que são experiências completamente distintas e a autenticidade não será a mesma.

Ter a oportunidade de conhecer uma obra de arte pessoalmente e dentro do ambiente de um museu nos permite ter uma maior aproximação da obra, da técnica utilizada pelo artista, além de vivenciar o espaço fora do nosso cotidiano. O significado da obra vista através da tela do computador é diferente de ser vista em um museu. Mas, através da tela é mais acessível.

Arlane Marinho.

 

Fui ao museu sem sair de casa

Actualmente, o mundo está a sofrer uma digitalização a todos os níveis. Desta forma, não muda só a tecnologia no mundo como também o ser humano e a relação deste com essa evolução.

Walter Benjamin fala-nos de um desses níveis que as técnicas de digitalização tocam. Isto é, apresenta-nos a nova teoria de arte que nasce e cresce na era dos novos Média, os Média digitais. Esta assenta numa capacidade de reprodutibilidade mexendo com o conceito de autenticidade e aura de cada obra de arte.
A era que estamos a atravessar é uma em que os processos técnicos de reprodução interferem com os processos artísticos. Como tal, a reprodutibilidade em massa de uma obra, que advém de todas as novas técnicas, vem modificar a circulação desta na sociedade.

A fotografia é um dos exemplos da modificação da arte como autêntica e única. O aparecimento da captação de uma imagem de forma instantânea veio alterar a questão temporal das imagens, permitindo uma mais fácil e rápida “gravação” do momento e uma maior proximidade ao quotidiano. Assim sendo, a fotografia deu-nos a possibilidade de conhecer locais sem termos de nos deslocar até eles, da mesma maneira que faz circular pelo mundo reproduções de imensas obras de arte. Logo, a fotografia vem tirar a autenticidade às obras, que é exactamente o que os museus pretendem conservar. Desta forma, pode afirmar-se que os museus procuram preservar a aura das obras, que está ligada à sua singularidade.

Mas a utilização dos meios digitais na arte não passa só pela fotografia. Com a reprodução técnica acelerada que se tem verificado de há uns anos para cá, hoje em dia já é possível ir ao museu sem sair de casa. Depois do objecto artístico ser remediado para a fotografia, volta a ocorrer a remediação, que dá origem às visitas virtuais. Isto vem permitir que o sujeito tenha uma visão do interior do museu, conseguindo ver toda e qualquer obra lá exposta, disponibilizando ainda de outras capacidades, tais como o zoom, e.t.c

No entanto, tudo tem um lado negativo, sendo este a perda do seu contexto singular que inclui a perda da dimensão e da contextualização da obra, ficando esta ainda exposta à manipulação e apropriação por parte do “visitante”.

Concluindo, todas estas novas técnicas digitais redefinem a arte. Por exemplo, a reprodutibilidade permite que uma dada obra, que advém já dessa reprodução, participe noutros contextos que são impossíveis à original. Esta nova forma de arte, que está ligada às novas tecnologias, modifica o modo como esta é estudada e estruturada.

Catarina de Jesus Santos

 


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