Fui ao museu sem sair de casa

Actualmente, o mundo está a sofrer uma digitalização a todos os níveis. Desta forma, não muda só a tecnologia no mundo como também o ser humano e a relação deste com essa evolução.

Walter Benjamin fala-nos de um desses níveis que as técnicas de digitalização tocam. Isto é, apresenta-nos a nova teoria de arte que nasce e cresce na era dos novos Média, os Média digitais. Esta assenta numa capacidade de reprodutibilidade mexendo com o conceito de autenticidade e aura de cada obra de arte.
A era que estamos a atravessar é uma em que os processos técnicos de reprodução interferem com os processos artísticos. Como tal, a reprodutibilidade em massa de uma obra, que advém de todas as novas técnicas, vem modificar a circulação desta na sociedade.

A fotografia é um dos exemplos da modificação da arte como autêntica e única. O aparecimento da captação de uma imagem de forma instantânea veio alterar a questão temporal das imagens, permitindo uma mais fácil e rápida “gravação” do momento e uma maior proximidade ao quotidiano. Assim sendo, a fotografia deu-nos a possibilidade de conhecer locais sem termos de nos deslocar até eles, da mesma maneira que faz circular pelo mundo reproduções de imensas obras de arte. Logo, a fotografia vem tirar a autenticidade às obras, que é exactamente o que os museus pretendem conservar. Desta forma, pode afirmar-se que os museus procuram preservar a aura das obras, que está ligada à sua singularidade.

Mas a utilização dos meios digitais na arte não passa só pela fotografia. Com a reprodução técnica acelerada que se tem verificado de há uns anos para cá, hoje em dia já é possível ir ao museu sem sair de casa. Depois do objecto artístico ser remediado para a fotografia, volta a ocorrer a remediação, que dá origem às visitas virtuais. Isto vem permitir que o sujeito tenha uma visão do interior do museu, conseguindo ver toda e qualquer obra lá exposta, disponibilizando ainda de outras capacidades, tais como o zoom, e.t.c

No entanto, tudo tem um lado negativo, sendo este a perda do seu contexto singular que inclui a perda da dimensão e da contextualização da obra, ficando esta ainda exposta à manipulação e apropriação por parte do “visitante”.

Concluindo, todas estas novas técnicas digitais redefinem a arte. Por exemplo, a reprodutibilidade permite que uma dada obra, que advém já dessa reprodução, participe noutros contextos que são impossíveis à original. Esta nova forma de arte, que está ligada às novas tecnologias, modifica o modo como esta é estudada e estruturada.

Catarina de Jesus Santos

 

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