Reprodução e Apreciação da Obra de Arte

A obra de arte é uma manifestação do ser humano que sempre esteve presente enquanto uma realidade cultural. As cavernas, milhares de anos atrás, foram testemunhas do início desta necessidade do homem de exprimir-se, e o ato de observar a obra de arte também foi tornando-se necessário, pois o homem também é um ser curioso e sempre interessou-se pelas obras dos companheiros.

Mas a arte, em determinados momentos, pelo menos a institucionalizada e a produzida por pessoas que tinham uma certa preocupação profissional, foi exclusiva de poucos e para poder apreciá-la era preciso dispor de recursos. Mesmo ela sendo reproduzida de algumas formas, através de técnicas que foram sendo desenvolvidas ao longo dos anos, a obra reproduzida já tinha um destino que não era para a grande população.

Agora o que dizer dos tempos contemporâneos? Onde a reprodução técnica da arte tornou-se algo tão natural? Uma reprodução com carácter automático e veloz, em grandes quantidades. Todos podem ver, ouvir e também reproduzir ela. Já ouvi amigos dizerem, “Por que ir a um museu, sendo que posso ver as obras na internet?”. Assim, está ocorrendo uma mudança na vida das pessoas, como se todos pudessem ver as obras, mas sem poder apreciá-la no seu estado original. É difícil pensar em uma apreciação estética que liga o receptor e a obra sem haver um contato real entre os dois. Pode haver sim uma apreciação estética da obra, mas se dá de forma virtual e acredito que este fenômeno pode influenciar e determinar muitas coisas dentro do campo emocional do receptor. Por tanto, se a obra de arte pode ser considerada como um aglomerado de elementos sensíveis que são percebidos pelo receptor que também é um ser sensível, como podemos pensar nos atributos estéticos de uma reprodução técnica?

No texto de Walter Benjamim, A Obra de Arte na Era da sua Possibilidade de Reprodução Técnica, fala-se da alteração da percepção da obra de arte, que no mundo virtual, sua aura é destruída e em lugar é constatada a “apreciação” em massa. Ou será mesmo uma apreciação? Com tantos cliques e tantas figuras e imagens próximas e sendo veiculadas ao mesmo tempo, o ser humano está passando por um novo processo de apreciação da arte. Benjamim afirma, a reprodução técnica pode deixar intacto os elementos da obra, mas o aqui e agora é desvalorizado.

Allan Moscon Zamperini


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