Arquivo de 30 de Maio, 2014

Anti-insocial

Atualmente, não passa um dia sem surgir uma inovação ou a renovação do que outrora foi novidade. Tal efusividade tecnológica permite o constante aparecimento de novas e aliciantes formas de nos contactarmos. Formas essas que superam a própria interação “face-to-face”.

Qualquer rede social é hoje uma parte bastante considerável do quotidiano de uma enorme massa demográfica. Antes, algumas vezes, durante e depois do trabalho o ser humano “liga-se” ao mundo desconectando-se do mesmo. Esta ambivalência aparentemente recente, tem vindo a ser estudada na teoria pela socióloga Sherry Turkle desde os anos 80.

Em 1984, Turkle já definia o computador não só como uma ferramenta indispensável, mas também como parte vital do nosso quotidiano. Na obra The Second Self, a autora observa em que aspecto o computador afeta a nossa capacidade de introspeção e as nossas relações com outro. Assim, é com a certeza que a tecnologia modifica o modo como agimos que Turkle inicia o estudo da relação entre o Homem e máquina tecnológica, o “segundo eu”.

Com o aparecimento de redes sociais, a já fraca barreira entre o ser humano e o seu computador desmorona-se. Alone Together: Why We Expect More from Technology and Less from Each Other (2011), a ultima publicação de Turkle, esta fala-nos da queda deste muro e consequente construção de uma convivência insociavelmente social.

Concluindo, é nesta linha de pensamento que a socióloga alerta para ascensão de “robôs sociais” – símbolo da decadência das interações humanas. Até mesmo a preferência das mensagens curtas em detrimento da fala, uma característica que distingue o humano do animal, tem se vindo a verificar. A nossa clara adição relativamente aos aparelhos digitais (e apelativas aplicações) faz com que, mais cedo do que pareça, eles se tornem próteses do nosso corpo.

Eduardo Duarte

O registo sonoro

Inventado por Édouard-Léon Scott em 1857, o Fonoautógrafo foi o primeiro aparelho com a capacidade de gravar ondas sonoras, no entanto, este foi concebido com o único objectivo de registar sons e não de os reproduzir. Em 1860, Scott consegue gravar pela primeira vez a sua voz, e para seu espanto (apesar de pouco se perceber) para além de conseguir registar as ondas sonoras, este consegue também reproduzi-las. Após esta inovação de Édouard-Léon Scott, o ser humano começou a ganhar um certo interesse pelo processo de gravação de sons, o que o levou a uma tentativa de aperfeiçoamento de registo sonoro até que este correspondesse à realidade. Em 1877, Thomas Edison cria o Fonógrafo, um aparelho concebido com a finalidade de gravar e reproduzir sons e em 1878, este faz sua primeira gravação. O que ambos não sabiam, era a mudança que os aparelhos que tinham inventado viriam viria a provocar anos mais tarde.

Hoje em dia, quase todos os objectos tecnológicos têm a capacidade de gravar e reproduzir sons, com um simples telemóvel/computador é-nos possível captar momentos das nossas vidas de forma a podermos relembra-los anos depois. A invenção de aparelhos como interfaces transformaram de tal forma as nossas vidas que nos é possível gravar ondas sonoras que correspondem quase de forma perfeita ao que é ouvido pelo ser humano numa conversa de café.

Através deste registo “perfeito”, (devido ao facto de ao nos ouvirmos a falar numa gravação não reconhecermos a nossa própria voz, mas os outros reconhecerem-na) foi-nos possível concluir que ao falar-mos, as vibrações sonoras não passam só pelo ar à volta da nossa cabeça, mas também através dos ossos na nossa cabeça.

Sendo o som um dos principais causadores de emoções nas nossas vidas, a gravação do mesmo alterou-as radicalmente. Nos dias de hoje, é-nos possível colocar um ficheiro de som num aparelho com 5×5 cm de forma a podermos estar constantemente a ouvir o que queremos.

 

Francisco Frutuoso

“O meu telemóvel é a minha vida”

Desde os últimos dez anos que o avançar da tecnologia fez esta tornar a sua presença mais vincada na vida da sociedade, levando grande parte dos indivíduos a tornar-se cada vez mais dependente dela. Isto levou a que a separação entre o mundo real e o virtual acabasse, unindo-se num só, e porquê?

Segundo Sherry Turkle os dispositivos tecnológicos tornaram-se objectos evocativos porque os indivíduos aproximaram-se deles de tal maneira que estes ganharam um significado pessoalmente importante, nomeadamente os telemóveis. Isto é, tornaram-se parte dos sujeitos. Muitas pessoas usam até a expressão ” o meu telemóvel é a minha vida”, levando a crer que sem eles não serão a mesma pessoa. Tornaram-se extensões dos próprios indivíduos, carregando uma carga importante na sua vida.

Por exemplo, são eles, os telemóveis, que guardam grande parte das nossas conversas quando não temos a oportunidade de falar pessoalmente com as pessoas. São eles que estão lá quando queremos gravar um momento. São eles que nos fazem companhia enquanto esperamos pelo autocarro. São eles que nos permitem manter uma relação de amizade diária com alguém que está longe. São eles que nos lembram, pelo alarme, que temos uma consulta no dia seguinte. São eles que não nos deixam chegar atrasados ao emprego. E são eles que nos dão acesso a todo o mundo através de um clique. São a chave para o mundo virtual.

Portanto, pode admitir-se que as tecnologias ganharam lugar no nosso dia a dia. Enraizaram-se no mundo real. A população tornou-se dependente delas. É por isso que a qualquer sitio que formos temos o telemóvel no bolso, é por isso que dormimos com o telemóvel na cabeceira e que quando acordamos é das primeiras coisas em que mexemos. Estes dispositivos tornaram-se uma droga.

A consciência pessoal do que nós somos, o nosso eu subjectivo, tem em si a rede de comunicação que é criada a partir da tecnologia no mundo virtual. Logo, os dispositivos tecnológicos, na nossa ideia, contribuem para fazer de nós aquilo que somos. São ainda estes dispositivos que nos permitem estar entre o mundo digital e físico.

Concluindo, a relação entre o indivíduo e a tecnologia aumentou imenso nos últimos anos, tornando-nos dependente delas e levando os dispositivos digitais a tornarem-se objectos evocativos. São estes dispositivos que comandam em parte a nossa vida, fazendo parte dela. E são ainda eles que dão uma percentagem de si para aquilo que subjectivamente nós achamos de nós próprios. Nós precisamos deles tal como eles precisam de nós.

 

Catarina Santos

Ir ao museu sem sair de casa

 

 

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O Google Art Project é uma plataforma online que proporciona ao público visitar a partir do conforto da sua casa alguns dos mais prestigiados museus de arte do mundo.

Este projeto foi lançado a 1 de Fevereiro de 2011 pela Google e veio de certa formar mudar a maneira como as pessoas interagem com a arte.

Do meu ponto de vista este projeto tem mais fatores positivos do que negativos. Um dos fatores positivos mais importante é o económico. Com a situação económica que vivemos, a oportunidade de se poder ver um leque enorme de obras de arte sem ter que gastar rios de dinheiro a viajar pelo mundo fora é sem dúvida um ponto a favor.

Em contrapartida o único fator negativo que encontro tem a ver com o sedentarismo inerente ao mundo online, sendo mais um razão para as pessoas não saírem de casa.

Pessoalmente prefiro ir aos museus e ver com os meus olhos, poder vadiar pelos corredores e poder ver ao vivo as obras de arte, mas em contrapartida no Google Art Project tenho a possibilidade de poder ver detalhes que são impossíveis a olho nu.

Em suma o mais importante é o facto da Google dar toda esta informação gratuita a um grande número de pessoas que de outra forma não teriam acesso a ela.

 

 

 

Vasco Assis

Seres automáticos.

No correr dos tempos, foram várias as fases de desenvolvimento do ser humano. Há media que foi “crescendo”, foram-se formando juntamente com ele inúmeros meios tecnológicos com os quais teve que aprender a lidar.
Inicialmente notava-se o receio de contacto e uma certa distância em relação a todas essas tecnologias, hoje em dia, nota-se a ânsia pela chegada de algo totalmente novo ou de uma simples inovação. E com isto podemos perceber o funcionamento e a posição do ser humano, este que antes tinha as novas tecnologias presentes e ao mesmo tempo mantinha uma relação social num ambiente totalmente normal, mas que hoje em dia vive para elas, relacionando-se através delas, fazendo a sua vida com base nelas.
Pegando em algumas palavras de Sherry Turkle, psicóloga, que tem desenvolvido muito este assunto aqui posto em causa, percebemos como ela própria e muitos de nós, certamente, temos vindo a mudar a nossa opinião em relação ao contacto que o ser humano mantém com as novas tecnologias.
Tal como Turkle defende “cada vez esperamos mais das tecnologias e menos dos humanos” e esta é a realidade social. São raras as pessoas que nos dias de hoje conseguem estar um dia inteiro sem ver o telemóvel, porque sentem que lá é que têm o contacto com as pessoas, mesmo que tenham uma exatamente à frente delas, ou então refugiam-se no aparelho para simplesmente se afastarem de qualquer assunto, ou por não se sentirem bem no momento em que se encontram, o que prejudica, claro, o convívio social.
Em pleno século XXI e realçando uma vez mais o estudo de Turkle, o ser humano já está tão automatizado que é instantânea a utilização do telemóvel ou de outro meio digital para aceder ao email ou enviar mensagens, o que é claramente prático, mas ao mesmo tempo é como que se fosse um dever que há para cumprir e que não se pode deixar esperar. Seria então correto criar espaços onde fossem proibidos os dispositivos tecnológicos e se mantivesse uma relação de contacto cara a cara, mas muitas vezes haveria um toque de uma chamada ou mensagem o que despertaria a curiosidade e incentivava logo a que se quebrassem as regras.
Em suma, é importante ter-se em atenção aquilo que nos rodeia e os erros que se calhar estamos a cometer, pois quase que podemos considerar que agora há, não seres humanos, mas seres automáticos, que funcionam comandados por um “click” que está instalado e que reage imediatamente ao que é pensado pelo cérebro.
E é assim, já não conseguimos controlar a nossa entrada e saída dos meios, estamos de tal forma interligados, que muitas vezes colocamos apenas uma pausa, pois o botão de desligar, parece já nem estar ativo.

Inês Pina

Os princípios dos Novos Média

Na obra “The Language of New Media!, Lev Manovich contextualiza historicamente o aparecimento dos novos média e faz uma reflexão sobre os mesmos. Nesta obra, Manovich formula cinco princípios para os novos média, princípios estes, que, apesar de não poderem ser chamados de regras absolutas, são vistos como um guia para a informação informatizada. Os cinco princípios são: a reprodução numérica. a modularidade, a automação, a variabilidade e a transcodificação.

A reprodução numérica consiste na manipulação algarítmica dos objectos digitais, de forma a que estes possam ser quantificáveis.

Chamado de “estrutura fractal dos novos média”, a modularidade tem diferentes escalas. Esta permite que os elementos média (tais como som, imagem e forma) possam ter diferentes tamanhos sem que percam a sua independência.

A automação permite que muitas das operações envolventes nos novos média não necessitem de ter uma intenção humana, isto é, que exista uma certa autonomia nos novos média. Esta só é possível devido aos dois pontos referidos acima e pode ter dois níveis: o nível baixo (correspondentes as funções pré-definidas na maioria dos programas informáticos) e o nível alto (criação e acção da inteligência artificial). Esta é limitada consoante ao que está programada a responder.

Em contraste com os “antigos média”, onde várias cópias idênticas eram feitas de um determinado objecto, os novos média, através da variabilidade, permitem-nos fazer várias versões diferentes desse mesmo objecto. Em vez de criadas pelo ser humano, estas versões são elaboradas pelo computador automaticamente. Dado esta automação tecnológica, podemos concluir que a variabilidade também só nos é possibilitada pela existência da reprodução numérica e da modularidade.

Por último, visto por Manovich como a consequência mais substancial dos novos média, a transcodificação consiste na transformação dos média em dados de computador.

 

Francisco Frutuoso

Netspeaker

À medida que a tecnologia foi evoluindo ao longo dos anos, o ser humano, sendo um ser que tem como necessidade estar sempre em movimento e em comunicação com outros, foi como que obrigado a acompanhar esse avanço tecnológico. Como consequência, este criou uma espécie de dicionário virtual que facilitasse as conversações em redes sociais (Facebook, Myspace, Instagram, etc), em jogos online, em Chatrooms, nas mensagens de texto (sms), etc; à qual deu o nome de Netspeaker.

Com esta nova forma de escrita, a comunicação virtual tornou-se mais rápida e mais fácil para quem a conhece. Este tipo de linguagem consiste no uso de expressões como LOL (lots of laughlots of love); na omissão de letras em determinadas palavras como: n (não), cmg (comigo), qqr (qualquer), agr (agora) q (que); no uso excessivo de pontuação para dar enfase às frases tais como “…..”, “!!!”, “???”; na utilização de onomatopais como “ahahahah” (para indicar risos); no uso de símbolos e smiles para expressar sentimentos tais como 🙂 (feliz), 😦 (triste), 😥 (choro), ❤ (amor), 😮 (surpreendido), etc.

No entanto, nem todos os aspectos do netspeaker são positivos: apesar desta linguagem poupar tempo a quem a escreve, esta demora duas vezes mais a ser compreendida por quem a lê. Outro aspecto negativo é o facto de um pequeno (mas existente) número de pessoas não conseguir diferenciar a linguagem virtual da linguagem formal, e pela mesma razão deixarem que esta as afecte no seu dia a dia (nas aulas, no trabalho, etc).

Pessoalmente, não sou adepto desta linguagem chamada de Netspeaker (especialmente aquela em que se usam K em vez de Q e Y em vez de I), no entanto, tenho consciência de que esta veio dar algo de novo à sociedade onde vivemos e de que existe muita gente que a aprecia.

 

Francisco Frutuoso


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