Seres automáticos.

No correr dos tempos, foram várias as fases de desenvolvimento do ser humano. Há media que foi “crescendo”, foram-se formando juntamente com ele inúmeros meios tecnológicos com os quais teve que aprender a lidar.
Inicialmente notava-se o receio de contacto e uma certa distância em relação a todas essas tecnologias, hoje em dia, nota-se a ânsia pela chegada de algo totalmente novo ou de uma simples inovação. E com isto podemos perceber o funcionamento e a posição do ser humano, este que antes tinha as novas tecnologias presentes e ao mesmo tempo mantinha uma relação social num ambiente totalmente normal, mas que hoje em dia vive para elas, relacionando-se através delas, fazendo a sua vida com base nelas.
Pegando em algumas palavras de Sherry Turkle, psicóloga, que tem desenvolvido muito este assunto aqui posto em causa, percebemos como ela própria e muitos de nós, certamente, temos vindo a mudar a nossa opinião em relação ao contacto que o ser humano mantém com as novas tecnologias.
Tal como Turkle defende “cada vez esperamos mais das tecnologias e menos dos humanos” e esta é a realidade social. São raras as pessoas que nos dias de hoje conseguem estar um dia inteiro sem ver o telemóvel, porque sentem que lá é que têm o contacto com as pessoas, mesmo que tenham uma exatamente à frente delas, ou então refugiam-se no aparelho para simplesmente se afastarem de qualquer assunto, ou por não se sentirem bem no momento em que se encontram, o que prejudica, claro, o convívio social.
Em pleno século XXI e realçando uma vez mais o estudo de Turkle, o ser humano já está tão automatizado que é instantânea a utilização do telemóvel ou de outro meio digital para aceder ao email ou enviar mensagens, o que é claramente prático, mas ao mesmo tempo é como que se fosse um dever que há para cumprir e que não se pode deixar esperar. Seria então correto criar espaços onde fossem proibidos os dispositivos tecnológicos e se mantivesse uma relação de contacto cara a cara, mas muitas vezes haveria um toque de uma chamada ou mensagem o que despertaria a curiosidade e incentivava logo a que se quebrassem as regras.
Em suma, é importante ter-se em atenção aquilo que nos rodeia e os erros que se calhar estamos a cometer, pois quase que podemos considerar que agora há, não seres humanos, mas seres automáticos, que funcionam comandados por um “click” que está instalado e que reage imediatamente ao que é pensado pelo cérebro.
E é assim, já não conseguimos controlar a nossa entrada e saída dos meios, estamos de tal forma interligados, que muitas vezes colocamos apenas uma pausa, pois o botão de desligar, parece já nem estar ativo.

Inês Pina

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