Thumb Generation

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Desde os finais do século XX, o uso crescente do telemóvel e outras tecnologias fez com que as pessoas começassem a dar cada vez mais uso aos dedos polegares. Os dispositivos electrónicos tornaram necessário o uso do polegar para escrever, e, assim restabelecendo a supremacia do polegar na hierarquia da mão. Desde os primórdios da vida, nós, homo sapiens temos usado os polegares para várias coisas, que nenhum outro animal pode fazer. Desde manejar armas e ferramentas rudimentares, desde tomar decisões, como forma de mostrar o nosso desagrado, para pedir boleia, etc. o polegar sempre nos tem definido e tornado humanos. No entanto, é claro que não quer dizer que, sem os polegares não sejamos humanos, mas com certeza que ajuda…
Ao longo dos anos temos encontrado novos usos para o polegar, e esta época de alta tecnologia não é excepção. O polegar é a ferramenta preferida da comunidade do século XXI. As gerações mais novas, principalmente as japonesas são muitas vezes referidas como “sedai oya yubi”, ou seja, a geração do polegar . Esta geração cresceu a enviar mensagens de texto através de telemóveis e ao jogar consola , onde o dedo que é mais usado para jogar o jogo, é o polegar. Alguns pesquisadores descobriram que os jovens japoneses, habituados a usar os polegares para enviar mensagens, estão agora a usá-los para fazer outras tarefas como apontar ou tocar nas campainhas. Da mesma forma, o uso de telemóveis e consolas desenvolveu habilidades em ambas as mãos, podendo fazer com que as gerações vindouras sejam ambidextras. Essa mudança , de acordo com a lei da natureza , deve ter levado anos ou mesmo gerações para desenvolver essas habilidades de forma a incorporá-las no gene humano.
No entanto, esta não é necessariamente uma boa notícia. Algumas pesquisas têm levantado preocupações sobre os “adolescentes cibernéticos”, um termo cunhado para descrever os jovens que não conseguem abster-se do uso excessivo dos telemóveis e vêem o telemóvel como uma extensão do próprio corpo. A popularidade do telemóvel é tão difundida entre os jovens, que estes sentem-se “perdidos” quando não têm o telemóvel consigo.
Estudos destacam o facto de que o uso de chamadas de telemóvel e mensagens de texto tem uma correlação directa em detrimento das suas habilidades de comunicação.
Os adolescentes enviam em média 50 mensagens por dia, sem qualquer conteúdo relativamente importante. As mensagens simplesmente contêm descrições do seu ambiente ou emoções. Assim, já não sentem a necessidade de interagir com os outros, a sua comunicação é superficial e torna-se um processo mecânico. Esta tendência é ainda mais impulsionada pelo desenvolvimento de uma linguagem de código, onde são usadas palavras abreviadas, em vez das palavras completas, o que contribui para a falta de
conteúdo em sms. O telemóvel é o primeiro gadget que oferece possibilidades ilimitadas para interagir com os outros. Mas o que é que isso significa para o futuro da comunicação?
Será que vamos começar a falar em frases abreviadas, ou será que iremos eventualmente perder a nossa capacidade de falar num ambiente social, porque vamos ser viciados em dispositivos de comunicação?
Seja qual for o caso, estou certo de que, no futuro, teremos de ser vigilantes e ensinar aos nossos filhos e aos filhos dos nossos filhos, que não obstante o quão próximos se sintam com uma pessoa através de sms, nada se pode comparar a ter uma conversa cara-a-cara num ambiente social.

Luís Fernandes

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