Aqui não é a Matrix!

Em ontologia da imagem fotográfica, André Bazin nos faz refletir sobre esta relação entre as imagens e o ser humano, uma necessidade vinda de tempos remotos na historia da humanidade, de nos tornamos imortais, de preservar uma parte nossa no tempo e no espaço. O aparecimento de novas tecnologias não somente nos daria esta oportunidade de registrar e recriar a realidade, como também de nos inserir nela, comunicando-nos através de representações nossas, um “eu digital”, mas e quanto ao “eu real”, como as novas tecnologias o afetariam, seríamos maduros o suficiente para lidarmos com estas novas realidades?

Ao acordarmos pela manhã, procuramos ver nossas mensagens pessoais em emails, facebook, blogs, etc. Pegamos nossos telemoveis, notebooks, tabletes, e sem percebemos, começamos a nos tornar prisioneiros de certas rotinas, ou de hábitos que vão refazendo o nosso modo de viver em sociedade. Vivemos uma vida construída ao longo dos anos, com base em experiências de sucessos e fracassos nos mais diversos aspectos, situações estas que nos aperfeiçoam (pelo menos em teoria) as capacidades sociais para lidar com o outro, mas quando passamos a dar maior importância ao que temos dentro do mundo virtual, talvez haja algo errado em como organizamos estes aspectos da nossa vida .

Em 1984 a escritora Sherry Turkle escreve em seu livro Second Self que os computadores são mais do que ferramentas, e afirma como eles se tornaram parte de nossas vidas sociais e psicológicas, alterando tanto nossas rotinas tanto como a maneira como pensamos. Turkle teoriza que os avanços tecnológicos estão influenciando os comportamentos sociais, e que aos poucos estamos chegando a um limiar entre a vida real e o ciberespaço.

É neste espaço que construímos um novo “eu”, um mundo de informações que vamos adicionando a esta construção, desde fotos, gostos, amizades, criamos um duplo nosso, um reflexo de nossa imagem pessoal, maneira esta que o ser humano  encontrou de se tornar imortal, preservando esse “eu” salva-se do tempo, e substituindo a vida no mundo exterior, também nos protegeríamos de nossos fracassos, segundo Turkle, é neste mundo virtual que somos capazes de dar melhorias a nos mesmos, um laboratório de experiências, onde construímos novas identidades, criando avatares que nos auxiliariam a descobrirmos quem somos.

Mas não devemos esquecer que é na vida real que de fato nos aperfeiçoamos, as relações, os sentimentos, nossa experiência de vida, o Ciberespaço nos permite nos satisfazer necessidades psicológicas, mas uma imersão profunda nele também pode vir a causar danos psicológicos e emocionais. Deve-se ter consciência em saber separar realidade e realidade virtual, assegurando que possamos perceber e compreender o mundo verdadeiro e viver realmente nele.

Já tiveste algum sonho do qual estivesses certo que fosse real? E se fosses incapaz de acordar desse sonho? Como conseguirias distinguir a diferença entre o mundo do sonho e o mundo real?” (Do filme Matrix)

                               Volney Nazareno

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