Mesmo ausente estou presente

As ligações wireless são, cada vez mais, uma constante no quotidiano da sociedade. Em qualquer lugar temos acesso à internet, podemos ligar-nos a qualquer interface através do nosso smartphone ou computador portátil, sem termos de nos dirigir a um terminal fixo. Passamos a estar ligados à rede a toda a hora, podemos ser contactados a qualquer momento. Já quase não há distinção entre estarmos online e offline porque estamos permanentemente num estado de stand by em que podemos ser sempre contactados.

Beth Coleman fala-nos em Ubiquitous Computing, X-reality e Pervasive Media para descrever as comunicações móveis da última década. Todos os nossos media são computacionais. A tecnologia está inserida intimamente no nosso quotidiano, desde os comandos das garagens, à televisão, aos telemóveis e computadores… já tudo funciona computacionalmente, que por sua vez está ligado em rede, uma rede móvel a que podemos aceder a qualquer momento. A rede, ao ser uma rede móvel, proporcionada na maioria pelo wireless, permite que a comunicação seja permanente e chegamos então ao ponto em que já não há distinção entre o mundo virtual e o mundo real, pois estes cruzam-se.

Não só a relação online/offline é cada vez mais esbatida, também a diferença entre presença e distância já não é tão nítida, já que muitas vezes, as interações digitais são extensões das interações face a face. Desta forma, a telepresença transforma-se na co-presença. A instantaneidade das comunicações e a frequência com que são realizadas leva a que tenhamos a sensação de presença de alguém que esteja longe. Com isto, temos o sentimento de que mesmo estando longe, a pessoa está presente, já que devido às comunicações frequentes e instantâneas a sensação de ausência é esbatida.

Toda esta instantaniedade e frequência na utilização das comunicações no mundo virtual leva-nos a outra situação: Alone Togheter referida por Sherry Turkle. Esta comunicação imediata e frequente leva a uma ilusão de que a solidão pode ser abolida, no entanto, pode ter o efeito contrário e em vez de fortificar as relações, pode distanciá-las, já que atualmente, estamos reunidos em grupo no mesmo espaço físico, mas já quase não há comunicação, pois apesar de estarmos reunidos no mesmo espaço físico, estamos desligados das interações reais, para estarmos individualmente ligados ao mundo virtual, quer através dos computadores portáteis, quer através dos smartphones.

A sociedade está de tal maneira viciada nas comunicações virtuais que mesmo que queira desligar-se não consegue, pois esta é a essência da realidade atual.

 

Letícia Ferreira.


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