Arquivo de 1 de Junho, 2014

Eu, tu e os telemóveis

Sherry Turkle, uma importante psicóloga que estuda a relação da tecnologia com o ser humano, tem conduzido diversos estudos e produzindo várias teorias acerca das consequências desta relação.
Assim, estudando não só a relação da tecnologia-humanos, como também a relação entre humanos com a influência ou pelo meio da tecnologia, torna-se relevante o facto de a interacção social humana directa já quase ter sido erradicada. Cada vez menos existe o factor da experiência de conviver com os outros, de partilhar momentos e informação “real”.
Derivado disto vem a questão da conotação emocional e pessoal que é dada aos objectos tecnológicos, que por si só já fazem parte de quase todas as relações humanas em países desenvolvidos ou sub-desenvolvidos; enfim, estes dispositivos interferem de modo bastante demarcado em quase todas as relações em que existam utilizadores dos mesmos. A imagem que criamos de uma certa pessoa, hoje em dia, depende muito da interacção tecnológica que exista. E não havendo a experiência de lidar com alguém realmente, mesmo que só temporariamente, modifica as possibilidades de auto-controlo, uma vez que uma das acreditadas principais vantagens das tecnologias é precisamente a de não haver margens para erros, para defeitos, como existe num contexto de interacção natural.
As características individuais passam agora a ter de incluir os objectos de comunicação mais pessoais, pois é neles e através deles que se vê um grande reflexo da própria pessoa-até na maneira de como essa pessoa os usa, os exibe ou esconde (…); a maneira como a mesma se comporta uma vez tendo-os adquirido. Muitas vezes estas mudanças no sujeito ocorrem sem serem planeadas, derivando do avanço no tempo. Creio que este é um desses casos.
Como conclusão, os sentimentos, algo tantas vezes defendido como sendo natural e completamente espontâneo, parecem estar também a sofrer de/com algum virtualismo. Será que vai chegar a altura em que até eles vão ser totalmente computorizados?

 

Maria João Sá

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Ilusão óptica

Viajar através de simulações ópticas pode ser uma mais valia, especialmente num contexto económico como o de Portugal, nem sempre somos capazes de viajar como gostaríamos, por vezes não é possível viajar de todo.

Para familias numerosas viajar torna-se despendioso, e nem sempre a viajem corre como esperado, haver a possibilidade de viajar sem sair de casa significaria que a acessibilidade da mesma seria real e constante.

Porém há que ter em consideração que, por muito realista que esse tipo de viajem podesse ser, nunca seria, practicamente, uma viajem real. Isto porque na verdade qualquer pessoa que recorra a esse método de viajem, está, na realidade, mais próxima de ver um filme, por exemplo, do que está de viajar, uma vez que o corpo não ocupa outro espaço físico que não o habitual, logo a experiência não é vivida, pois os cheiros, a temperatura, o local para onde se pretende ir acabará por não ser sentido, pelo menos da maneira que o seria caso houvesse uma deslocação física da pessoa em questão.

Em suma, parece-me que a simulação óptica seria perfeita para, por exemplo, conhcer ligeiramente um possível destino que o viajante possa ter em mente. Porém, este tipo de experiência não deve ser visto como uma “viajem” propriamente dita.

 

Bernardo Lousada

Mundo Virtual

O ser humano tem em si uma necessidade de preservar a sua própria história e cultura e de demonstrar os seus feitos, e com essa necessidade advém a necessidade de os expor e dar a conhecer as suas gerações futuras. Com estas necessidades são criados espaços para expor estes conhecimentos com o intuito de as visitar, no entanto com a evolução dos aplicativos multimédia é possível visitarmos estes locais sem sairmos de casa, podemos ter completo acesso a estes locais como museus e galerias a partir de modelos 3D e fotografias, designadas de visitas virtuais, que nos proporcionam uma experiencia semelhante a de realmente estarmos no local, acompanhado de diversas informações e curiosidades sobre o local no entanto permanecemos privados das outras sensações que não a visão e por vezes a audição se disponível. Este meio proporciona uma visita interativa por norma gratuita, instantânea, proveniente de uma total liberdade e disponível todo o dia todo o ano, permitindo assim acesso a muitos que não tenham disponibilidade de acesso ao local ou capacidade monetária. No entanto também estes projetos falham em entregar uma visita “completa” ou até “real” pelo que somos apenas apresentados com uma réplica digital da obra original e apenas uma sensação visual limitada desta, limitados ao modelo 3D ou fotografia dados pelo instituto que a apresenta da forma mais real possível. Podemos questionarmos se ao ver esta mera representação se a podemos considerar de facto uma obra de arte, o que leva de facto a falha principal deste tipo de projetos.

 

Eduardo Freire

Tecno-arte

Em pleno séc. XX a tecnologia continua a evoluir e a arte contia a ser criada, muitas vezes estes processos entram em sinergia, dando aso a novas criações artísticas.
Por um lado pode dizer-se que a tecnologia veio abrir caminho para novos processos e criações artísticas, no entanto também acontece esta criar facilitismos no campo artístico, por exemplo no teatro. O prestígio que advém do trabalho árduo de um interprete já não se pode dizer estar tão presente como estava há um século atrás, isto acontece uma vez que o trabalho de um actor acaba por ser ofuscado com a presença de engenhos tecnológicos articulados em espectáculos. Da presença de luzes brilhantes ao uso de imagens distractivas o actor é “perdido” ao longo da performance.
No entanto, há ainda uma vertente positiva da sinergia entre a arte e a tecnologia. No âmbito das artes plásticas a assistência tecnológica tem vindo a provar-se imprescindível. Trabalhos e obras de arte são feitas em âmbitos digitais, uma fotografia por exemplo, a captação de um momento de grandeur, o registo de um acontecimento estatisticamente improvável, tudo coisas feitas a partir de um engenho digital que mais tarde será alterado num programa de computador próprio, as suas cores talvez sejam mudadas, as luzes realçadas e as sombras esmorecidas.
Em conclusão a tecnologia veio desempenhar um papel activo no desenvolvimento da arte, mas esta deve ser vista como uma espada de dois gumes, pois esta tem o poder de potenciar a criação artística, no também pode esmorecer o trabalho do artista.

 

Bernardo Lousada

“Evolução” Técnologica

A medida que o ser humano evolui a tecnologia as suas necessidades evolui também este evolui com elas. Inicialmente o ser humano trabalhou a tecnologia como uma forma de recurso, uma forma de auxiliar as suas atividades e necessidades, como a comunicação, a exposição e partilha de informação e conhecimento, cálculo e outras muitas utilidades que foram desenvolvidas. No entanto com este desenvolvimento destas tecnologias e sistemas e a sua receção aos utilizadores a longo prazo tornaram se mais do que meros utensílios para passar a ferramentas na sua integridade. Hoje em dia uma simples procura seja para um trabalho universitário ou pessoal parte de uma pesquisa do Google e em poucos casos alguns terão ainda o interesse de pesquisar por mais informações num livro, um qualquer calculo, por mais fácil que seja, é por norma resolvido numa calculadora ou numa calculadora de um computador em vez de ser feito de cabeça e cada vez mais tudo é adaptado ao mundo digital e o mundo “concreto” é abandonado como recurso, até no mundo da arte tudo começa a ser “sobredigitalizado”, pelo que se vê uma preferência pela realização de uma ilustração ou pintura através de softwares. Temos softwares praticamente para tudo, o que não refiro que seja mau, pelo contrário , este mundo de software digital tem uma vantagem sobre o mundo “analógico” é dado a qualquer pessoa a oportunidade de criar uma obra de arte sem ter essa “capacidade” tudo o que basta e ter alguma imaginação e aprender o software em questão, tomamos uma consciência de sociedade deferente da real um mundo em que nos tornamos bastante mais participativos pelo sentido que temos de uma comunidade
Global real. O mesmo se aplica a muitos outros softwares que de facto alteram a nossa vida para algo melhor no entanto existe um lado negativo neste mundo digital , perdemos o contacto com o mundo fora do digital, perdem se capacidades sociais pois maioritariamente hoje em dia preferimos falar por chat pois nos permite a um maior poder de discurso e ficamos desamparados em dialogo pessoal , ficamos dependentes do mundo digital para realizar pequenas ações do dia a dia pois os dispositivo.

 

Eduardo Freire

Nova Era da Comunicação

No mundo moderno não nos é estranho a existência do telemóvel/telefone ou até o conceito deste, muito menos às gerações mais recentes como a minha. Vemos este dispositivo como algo indispensável a nossa vida, um dispositivo capaz de na sua ausência nos dificultar a comunicação do dia-a-dia. No entanto poucos ponderamos como realmente seria a vida sem esta forma de comunicação e os impactos que esta causa nela. Este meio na altura da sua criação foi visto como um fenómeno ou magia pois não cabia no conhecimento de ninguém como seria possível a voz ser enviada por informação digital. Este meio vem substituir outros meios de comunicação como a carta ou o telégrafo, facilitando comunicações à distância pois nem todos poderiam ter acesso a um telégrafo e vem a tornar a comunicação em algo instantâneo e quebra a sensação de distância, a pessoa do outro lado passa a estar quase que na nossa divisão, temos uma maior perceção e compreensão do diálogo do outro pois conseguimos ouvir a entoação e ritmo do seu discurso. No entanto perde o sentido de significado de uma conversa, pelo que não podemos reler uma chamada como fazemos uma carta, não é algo de concreto como uma carta, fator que a torna mais pessoal e significativa. Exemplos são estes das desvantagens de uma conversa por voz, que ainda hoje no mundo moderno se mantêm presentes e visíveis pela banalidade de uma chamada e pelo momento inédito que nós e proporcionados quando raramente enviamos uma carta.

Eduardo Freire

A Era dos Avatares

Cada vez mais se criam maneiras de ocuparmos presenças que não as que ocupamos corporalmente. Interagimos com os outros tendo a opção de realmente não o fazer, para além disso é-nos ainda dada a opção de sermos outrém ao fazê-lo , através de avatares virtuais e da digitalização da nossa presença.

Chegamos à era da virtualização, estamos no tempo dos avatares e na cultura da medição. Prestamos mais atenção ao avatar do jogador desconhecido do MMO que jogamos do que ao colega presente do nosso lado.

Torna-se simplesmente mais interessante imaginar “e se” num mundo fantasiado onde a pessoa que joga connosco e que comunica connosco a partir de sua casa, muitas vezes a longos kilómetros de distância. Porém torna-se mais apelativo imaginar a infindade de interações moderadas por nós que podemos ter com um avatar de alguém por quem na verdade não estamos interessados em conhecer pois isso implicaria por de parte um mundo, que não o nosso, no qual já estamos imersos e no qual nos representamos com um avatar, um “boneco” que não existe corpóreamente. Inserimo-nos numa sociedade digital, deixando de lado a sociedade que nos rodeia.

Fazemo-lo porque na verdade procuramos sentir a experiência de ser o personagem principal de uma história, mesmo que não seja a nossa, pois na verdade, aquilo que todos queremos é um mundo que gire em nosso redor, mas onde haja outros como nós, com os mesmos objectivos.

No final, por muito que não o vejamos ou não o queiramos admitir o que realmente acontece é que vivemos a vida de alguem que não existe, pois a nossa parece demasiado aborrecida para ser vivida, e trocamos a realidade monótona por um mundo irreal extravagante.

 

Bernardo Lousada


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