Novas Identidades

O ser humano do século XXI está sempre acompanhado por um dispositivo móvel. Com exceção das gerações mais antigas – embora não seja uma regra – é comum ver muitas pessoas em locais até bem frequentados com algum portátil, seja um celular, um computador, ou dispositivos de várias categorias e modelos. Mesmo quando estão em grupo, há sempre um momento em que é retirado o objeto da bolsa para uma averiguação rápida. Isto pode ser uma necessidade para muitos e é normal a não percepção dessa necessidade.

Ao estar sempre acompanhado por um dispositivo eletrônico, o sujeito adquire uma certa dependência, pois transfere muitas coisas da sua vida e situações em que está inserido para serem solucionadas via internet, como marcação de compromissos, situações de trabalho e estudo, etc. Os novos médias tornaram-se extensões do corpo como afirma Sherry Turkle.

E ela vai mais longe ao afirmar que o homem precisa se isolar para poder estar conectado. O sujeito está em uma espécie de jogo de auto representações via web. Os novos médias proporcionam novas formas de sociabilidade. Essas transformações atingem a própria definição do eu enquanto algo que pertence ao interior do sujeito e passa a estar fora deste.

O ser humano começa a construir outras identidades no meio virtual. Este serve como um espaço para as pessoas experimentarem novas formas de ser e de agir perante opiniões e assuntos diversos que surgem todos os dias. Há um exercício constante de auto projeção.

Acredito que esta nova realidade possa sim ser o cenário de uma crise de identidade e que o indivíduo esteja passando por um processo de redefinição dela. A transformação talvez culmine, segundo Turkle (1997), na formação de uma identidade múltipla. Basta pensar nas diversas máscaras que são construídas no facebook. Estas máscaras são distintas das máscaras sociais tradicionais da vida cotidiana, pois elas podem ser ativadas a qualquer momento, dependerá apenas do melhor momento para determinada máscara.

Referência:

TURKLE, Sherry. A vida no Ecrã: a identidade  na era da internet. Lisboa: Relógio D”Água. 1997

Allan Moscon Zamperini

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