Arquivo de Março, 2015

A eficiência é a mensagem – uma breve reflexão sobre parte da teoria de Marshall McLuhan

A propósito do debate suscitado numa das aulas passadas em torno da afirmação de que “o meio de comunicação é a mensagem”, proposta por McLuhan, tenho vindo a reflectir sobre como e em que medida a afirmação de certos meios de comunicação, desde a do telefone ao telemóvel, passando pelo ‘boom’ das redes sociais, tem permitido confirmar esta tese.

De acordo com McLuhan, o “meio”, o próprio sistema ou instrumento de comunicação que utilizamos para comunicar não se reduz a uma mera plataforma material de veiculação de mensagens de conteúdos variadíssimos, mas, muito para além disso, comporta, em si mesmo, um conjunto de valores, reflectindo determinadas tendências sociais, comportamentais, psicológicas e culturais do individuo inserido em sociedade.

Comecemos por analisar a mensagem subjacente ao uso e difusão do telefone fixo. Julgo que não será descabido considerar que a introdução do telefone nos sistemas de comunicação, em finais do século XIX, reflectiu a aceleração do ritmo de vida da sociedade industrializada, da qual emergia uma nova dinâmica social, a vários níveis, que não se compadecia com a morosidade da correspondência pelo correio e de outras formas mais arcaicas. A exigência de rapidez e eficiência subjacente à Revolução Industrial começa a ser induzida nos indivíduos e, tal como sucede em tantos outros processos, generaliza-se, isto é, parte de uma área muito especifica – neste caso, o mundo laboral e as relações comerciais -, para se alastrar a outros círculos, designadamente o familiar e privado, os quais não funcionam de forma estanque, entrecruzando-se entre si. O telefone permitiu, entre muitíssimas outras vantagens, agilizar a comunicação entre familiares separados pela distância de milhares de km, proporcionando rapidez na transmissão de notícias, cuja recepção pelo destinatário não era conseguida, de outra forma, em tempo útil: por exemplo, não seria raro, antes da difusão do telefone, que um emigrante português no Brasil tivesse conhecimento da notícia da morte de um familiar apenas passadas várias semanas após o acontecimento. À medida que se verificam avanços na tecnologia e se encurta o tempo de execução de diversas tarefas, também se criam novas necessidades que se sucedem umas atrás das outras, numa espiral crescente e incessável de exigência.

Se o telefone encurtou distâncias e acelerou a comunicação, o telemóvel veio contribuir ainda mais decisivamente para a ‘ditadura’ da rapidez e instantaneidade da comunicação, sendo simultaneamente causa e consequência da velocidade e imediatismo a que nos habituamos nas mais diversas tarefas e processos do quotidiano da actualidade. Como tudo na vida, os benefícios do telemóvel tornar-se-ão mais ou menos evidentes, consoante o uso que lhe dermos. Se é verdade que o telemóvel permite agilizar e flexibilizar uma série de procedimentos quotidianos, também não podemos deixar de observar que por vezes é convertido num estorvo à eficiência e boa gestão do tempo, quando, por exemplo, o cumprimento de um compromisso marcado com mais de 2h de antecedência fica dependente da confirmação efectiva no minuto anterior à hora marcada de que a outra pessoa se vai encontrar no sítio combinado.

Embora não seja minha intenção, nesta brevíssima reflexão, proceder a uma análise exaustiva e cientificamente suportada acerca dos efeitos sociais e psicológicos da invenção do telemóvel, a verdade é que em diversas situações do nosso quotidiano podemos verificar “empiricamente” que o imediatismo subjacente a esta forma de comunicação (bem como a outras, de que são exemplo as redes sociais) potencia uma forma de estar em relação com os outros por vezes demasiado descomprometida, e paradoxalmente, dependente. Descomprometida, na medida em que, partindo do pressuposto de que toda a gente se encontra conectada 24h por dia, por vezes não são previstas e comunicadas as mais variadas situações com a necessária antecedência, ou então são “desmarcadas em cima do joelho”, seja uma reunião de trabalho, seja um encontro informal entre amigos; dependente, na medida em que muitas vezes essa forma de estar se traduz numa enorme ansiedade e avidez de deter conhecimento sobre tudo o que se está a passar ao mesmo tempo em vinte sítios diferentes, fazendo-nos estar em todo o lado e em lado nenhum, porque não é possível assimilar verdadeiramente tanta informação a acontecer ao mesmo tempo.

Talvez o tomar consciência da mensagem que subjaz aos meios de comunicação dos quais depende o bom funcionamento do nosso quotidiano actual seja o primeiro passo para que possamos encontrar um ponto de equilíbrio na sua utilização que nos permita afirmar: “a dependência não é a mensagem”.

 

Sara Luísa Silva

O declínio da escrita manual

A necessidade de comunicação trouxe as primeiras tentativas de elaboração de um sistema de escrita há quatro mil anos atrás. Antes de qualquer alfabeto ter sido inventado já haviam as formas mais básicas de escrita que, se resumiam a representações gráficas, criadas pelas diferentes civilizações da época. As formas de escrita evoluíram, hoje o alfabeto romano é o sistema de escrita alfabética mais comum.

O homem contemporâneo tem presenciado as transformações galopantes que resultam da globalização. O irromper dos computadores e da internet alterou a comunicação entre as pessoas, a interação social adquiriu um formato mais dinâmico, uma vez que, a mesma pessoa pode realizar as mais diversas tarefas ao possuir estes dois elementos.

A internet fez surgir novos géneros discursivos que possibilitaram a aproximação da oralidade à escrita através de uma linguagem informal. A realidade virtual mudou a escrita que é efetuada através da mesma, surgiu uma redução gráfica, movida pela necessidade de realizar uma comunicação mais rápida em menos tempo que, de certa forma reflete o funcionamento da sociedade capitalista, uma forma de viver caracterizada pelo movimento acelerado das relações interpessoais e institucionais.

A velocidade da comunicação na internet fez surgir uma linguagem distintiva com inúmeras abreviações que não respeitam as regras de ortografia, são diminuídas as palavras, os acentos e pontuações removidos, com o argumento da velocidade da interação comunicativa e de que o importante é entender e fazer-se entender.

O e-mail e as mensagens de texto têm substituído o correio tradicional e os tablets os cadernos dos estudantes. Os especialistas afirmam que o sistema de escrita através da caneta e papel e do teclado exigem diferentes processos cognitivos. As crianças podem levar muitos anos até conseguirem dominar a técnica da escrita manual, ao passo que manusear um teclado e utilizá-lo para escrever um texto revela-se bem mais fácil, basta pressionar a tecla certa.

A qualidade de um texto, a sua correção ortográfica, harmonia e equilíbrio deve ser mais importante do que a forma utilizada para o produzir. Contudo o leitor sente-se mais próximo do autor se o texto for escrito manualmente. A caligrafia de cada pessoa é diferente e única, deixa transparecer a emoção e certas particularidades do autor.

Joana Valente

E já dizia o McLuhan…

O conceito de Aldeia Global, introduzido pela primeira vez pelo teórico Marshall McLuhan pretende explicar a tendência de evolução do sistema mediático como elo de ligação entre os indivíduos num mundo que ficava cada vez mais pequeno perante o efeito das novas tecnologias da comunicação. McLuhan considerava que, com os novos media, o mundo se tornaria uma pequena aldeia, onde todos poderiam falar com todos e o mais insignificante dos rumores poderia ganhar uma dimensão global.

Esta sua teoria ganharia corpo com o aparecimento da Internet, sendo este um meio de comunicação atualizado ao minuto, de forma tal que para nós é impercetível. Para que fiquemos a perceber esta afirmação tomemos em conta o site Youtube onde a cada minuto são postadas 100 horas de vídeo, o equivalente a quase 4 dias de exibição continua.

Mas como qualquer outro meio de comunicação a Internet possui as suas vantagens e desvantagens. Como vantagens podemos referir a facilidade com que dois interlocutores em partes absolutamente distintas do globo se comunicam de forma quase instantânea; a facilidade de acesso á informação e a liberdade para a escolha da informação á qual queremos ter acesso (ao contrário, por exemplo do jornal que nos “impinge” um conjunto de informações da qual muitas vezes só uma nos interessa). Enquanto desvantagens podemos referir a constante postagem de conteúdo falso e abusivo o que leva ao “engano” do recetor que na maioria das vezes não se “dá ao trabalho” de perceber se essa mesma informação é ou não verdadeira.

A Internet é o meio de comunicação mais utilizado em todo o mundo, sendo que hoje em dia escasso é o número de pessoas que a ela não tem acesso.

http://www.infopedia.pt/$aldeia-global

http://info.abril.com.br/noticias/internet/por-minuto-100-horas-de-video-sao-postadas-no-youtube-19052013-11.shl

https://aboutmarshallmcluhan.wordpress.com/category/aldeia-global/

mcluhanmars1

Marshall McLuhan

https://aboutmarshallmcluhan.wordpress.com/category/fotos/#jp-carousel-99

Ana Freitas Oliveira

Conexão vs Desconexão

Com a vulgarização do uso dos médias digitais, os seus respectivos reflexos no nosso quotidiano se acentuaram ao ponto de sermos induzidos a encarar o seu uso de forma inconsciente e intrínseca. Refletindo tal uso em grande parte na nossa formação de identidade e relação com o espaço exterior. No entanto, isto cria uma divergência, com uma utilização tão relevante vemo-nos obrigados a nos interrogar sobre a sua negatividade e positividade. O nosso quotidiano é extremamente digital, rejeitamos progressivamente o contato face a face por reconhecer a facilidade que os dispositivos nos oferecem. Mas isto não é inteiramente aplicável e universal, podemos estabelecer relações à distância e ao mesmo tempo não estarmos totalmente desligados daquilo que nos rodeia, não há uma verdadeira interferência. No entanto, escolhemos preferencialmente os formatos digitais para estabelecer ligações, somos arrastados para um universo totalmente digital. Estaremos a criar um entrave na nossa capacidade comunicativa com os outros? Não podemos negar os efeitos inerentes dos dispositivos que utilizamos diariamente, de forma quase que obsessiva e garantida por uma percentagem de bateria que depois de descarregada revela a nossa dependência com o mundo virtual. Apresentamos a este mundo identidades construídas, por vezes que não correspondem aquilo que realmente somos, vestimos uma capa para ser apresentada. Somos envolvidos pela quantidade de gostos e seguidores que obtemos nas múltiplas redes sociais que nos são oferecidas e que interiormente não entendemos realmente o seu propósito mas que nos faz participar ativamente. Deveríamos saber como usar a internet para que não seja ela mesma a utilizar-nos e tornar-se altamente manipuladora. Temos ao nosso alcance todo o tipo de mecanismos e informação e uma vez que existe esta predisposição devíamos escolher uma apropriação instrutiva, uma formação intelectual, um adquirir de conhecimento e alargamento dos nossos horizontes, de novas ideias, de desenvolvimento de criatividade. Sobre este uso as consequências negativas devem ser contornadas tentando extrair aquilo que é positivo. A digitalização não deve ser encarada como extremamente necessária na nossa relação com os outros e no reconhecimento de nós mesmos, mas também não podemos rejeitar totalmente a sua existência. A criação de um paralelo é importante para entender se estamos a utilizar corretamente os meios digitais. Não nos limitemos a nos expressar a partir de emoticons, escolhamos as vias de conversação que não sejam auto corrigidas instantemente e reformuladas por abreviaturas. A mediação digital precisa de racionalização.

Helena Bastos

Evolução sem fim

Desde que foi inventado e patenteado a  7 de março  de 1876 por Alexander  Graham  Bell , o telefone nunca mais parou de evoluir .

Deixou de ser um aparelho fixo, com a necessidade de estar sempre ligado a um fio e que para ser fazer uma chamado para outra pessoa tinha que se ligar para uma central e a operadora é que fazia a ligação com o numero para o qual se queria ligar. Abaixo vemos uma fotografia representativa de como seriam os primeiros telefones, que ao contrario dos de hoje que nos dão para fazermos varias coisas estes apenas davam para fazer chamadas.

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Mas também o telefone teve necessidade de evoluir, de tal forma que ainda não parou e ninguém sabe se algum dia ira parar, abaixo temos uma foto de um telefone do futuro.

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Telefone esse que segundo o seu inventor, vai conseguir prever as mudanças climatéricas que vão ocorrer, mas o que importa é podermos ver a evolução radical que existe entre o primeiro telefone, e um que ainda só esta em fase de projeto

Embora separados por mais de um seculo existe algo que é comum entre eles, algo que os une  e que nem por mais evoluções que haja  vai sempre continuar  a existir e a fazer parte da essência deste tipo de aparelhos.

Independentemente de outras funções que possam ter os telefones do futuro eles tal como os primeiros telefones servem para as pessoas comunicarem por voz sem a necessidade de estarem na presença umas das outras.

Se para a nossa geração isso já é visto como um dado adquirido, para os nossos antepassados isso era algo impensável. Como é que alguém poderia falar com outra pessoa sem estar perto dela?!

Ninguém hoje consegue descrever o que foi sentido quando foi feita a primeira chamada telefónica, apenas podemos através do que está escrito ver que foi algo que foi recebido com algum espanto e até com alguma desconfiança, pois como é que era possível estar a ouvir a voz de uma pessoa através daquele aparelho?

É claro que para as gerações posteriores essas exclamações podem não fazer sentido, pelo simples facto de que já nasceram num mundo mais tecnologicamente avançado. Mas se essas mesmas gerações estivessem naquela mesma altura em que foi feita a primeira chamada, muito provavelmente iriam ficar igualmente espantados e até desconfiados.

A Linguagem: no Papel e no Teclado

O afastar a mão do papel para a dirigir ao teclado provoca em nós um infindável número de alterações. Deixamos de nos curvar perante o peso da palavra para escrevermos de coluna ereta, e basta um ligeiro desvio do olhar para assimilar o texto na sua totalidade. Relemos, reescrevemos, somos simultaneamente escritor e editor, leitor e crítico. E se deixa de ser credível a imagem do torturado poeta, debruçando-se sobre o manuscrito num gesto de reserva e, conceda-se, uma beleza quase filosófica, surge-nos outra imagem: a do escritor digitando à velocidade da luz, apagando e escrevendo em alternância, tirando proveito de infindáveis aplicações e programas para o seu ofício.

“Throes of Creation”, de Leonid Pasternak

Se a predominância do teclado altera tão grandemente a nossa fisicalidade, será então de prever que esta diferença se reflita também naquilo que escrevemos. Há já várias aulas atrás discutíamos a conceção de Michael Wesch, no seu vídeo The Machine is Us/ing Us, de que a escrita à mão é linear, enquanto a digitalização do texto nos permite uma maior flexibilidade. E, na minha opinião, é impossível não concordar com o autor. Embora Wesch se sirva da borracha para reescrever as suas afirmações, num gesto algo contraditório, penso ser possível comprová-lo.

Lanço então o desafio a quem ler este texto de seguir o exemplo de escritores modernistas como James Joyce ou Marcel Proust, aplicando a técnica pela qual ficaram conhecidos, o fluxo de consciência ou monólogo interior (termos quase sinónimos, embora alguma distinção seja possível), tanto num suporte de papel como em formato digital. Esta técnica consiste simplesmente numa forma narrativa que expõe o raciocínio completo de uma personagem; mas para o efeito, será talvez mais sábio descomplicar e fazer coincidir personagem, narrador e autor.

E entretanto, saltemos para as conclusões: as minhas. O papel pede de nós uma atenção quase total. O fluxo joiceano pertence ao papel porque este nos possibilita uma abstração daquilo que já foi dito antes. O seu resultado é por vezes vago, confuso ou até incoerente, e por isso mais real: ou não é verdade que muitas vezes damos por nós perdidos na nossa própria cabeça, ou mesmo esquecidos dos nossos pensamentos de há segundos atrás? Já escrever no computador é uma tarefa mais lenta e ponderada. Afirmo-o com toda a certeza, porque muitas vezes dou por mim a consultar sinónimos, reescrever frases, ou simplesmente estática em frente ao ecrã. É que o papel permite-nos criar as palavras como se surgissem do nada, enquanto o teclado nós atira para as mãos uma infinidade de ferramentas e diz “agora desenrasca-te que eu fico à espera”.

Se ao papel pertence Joyce, ao reino da máquina corresponde a prosa de Hemingway, com as suas frases curtas e os seus pensamentos breves e claros. É uma abordagem mais racional quando Joyce e Proust primam pela subjetividade; e embora esta última muitas vezes seja bastante críptica, não deixa de nos sugerir uma maior humanidade.

Impõem-se então duas questões. Será o texto digital não apenas fruto, mas também criador da impessoalidade? E a nós, que linguagem nos pertence?

Beatriz de Sousa Ferreira

Movimento das imagens

28 de Dezembro de 1895, Paris, Salão Grand Café.

O primeiro filme foi apresentado em sala pública, até então as imagens em movimento eram vistas principalmente numa espécie de caixas (cinescópios) inventadas por Thomas Edison e apenas uma pessoa via , “Arrivée du traine n gare à La Ciotat” dos irmãos Lumière, grande confusão se instala na sala cerca de trinta pessoas entram em pânico pensando que se aproximava um comboio verdadeiro e que iriam morrer. Grande sucesso que se expandiu até hoje. Tentaram passar alguns dos “mini” filmes que davam nos cinescópios para as salas de cinema para que todos pudessem ver em conjunto, um  dos filmes que teve um grande escândalo foi o filme “O Beijo” de 1896, em que os atores dão um pequeno beijo na boca e para a sociedade esses comportamentos eram proibidos em público tendo ambos os atores um final drástico (John C. Rice e May Irwin).

Com o passar do tempo o cinema começou a ser uma coisa normal e as imagens em movimento a ser utilizadas em imensas coisas, tanto para lazer ou trabalho. Hoje em dia usamos diariamente as imagens em movimento, na televisão, no telemóvel ou mesmo no computador.

Considero o cinema algo importante não só para a parte de lazer mas também para a parte cognitiva, existem muitos filmes de acontecimentos históricos, literários, entre outros. Muitas das vezes aumento a minha cultura geral com eles. A evolução e as consequências que acontece com o cinema acontece de certa forma também com as gravações caseiras, com elas podemos recordar momentos e/ou registar algo de importante. Ao filmar o mundo cada pessoa pode dar uma interpretação mais pessoal e divulgá-la e  quem sabe poderemos estar a dar um passo em frente tal como os irmãos Lumière ou o Thomas Edison o fizeram.

Eliana Silva

Fonógrafo: A representação da necessidade humana

O fonógrafo foi um ponto crucial no mundo sonoro. O fonógrafo, mudou completamente o mundo, a partir do momento em que apareceu, tudo isto devido ao facto de ser o primeiro aparelho a poder gravar e reproduzir sons. Embora, nos dias de hoje, o fonógrafo tenha quase sido deixado de usar, sendo que algumas pessoas ainda usufruem deste, o fonógrafo foi a primeira pedra para tudo que hoje nos é disponível a nível de reprodução e gravação de sons.

A invenção do fonógrafo por Edison foi o ponto culminante de uma série de inventos que primeiro tentaram realizar a tarefa de gravar de forma mecânica em algum meio as vibrações sonoras. Um cone acústico era utilizado para captar o som e fazer vibrar um diafragma localizado no final do cone; com a vibração do diafragma uma agulha gravava marcas em um cilindro que representavam as ondas sonoras propagando-se no ar.

Este aparelho na minha opinião, tendo em conta que trabalho na área da música, foi se calhar a invenção mais importante nesta área, tal como na área da rádio, comunicação e comercialização, pois permitiu coisas tais como: a gravação de músicas, a facilidade de poder ouvir estas sem necessitar de contratar uma banda, a possibilidade de transportar estas, e ouvi-las em locais diferentes, a possibilidade de levar música às classes mais pobres, o transporte de cultura entre populações, ajudou no apelo ao consumo, produtor de mensagens sendo a projecção de emoções humanas através de uma máquina.

Concluindo, acho que podemos chamar a este objecto a representação da necessidade humana, pois neste momento, e tendo em conta a situação do nosso planeta, acho que o mundo não funcionaria sem esta criação que aproximou o emissor do receptor.

Tiago Marques

 

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A correta utilização do meio para a divulgação da mensagem

Será que o meio é realmente a mensagem?

Marshall McLuhan escreve sobre a sua teoria e dá como nome a esse livro, “The Medium is the Message”. Contudo, houve um erro tipográfico com o título do seu livro, sendo assim o livro foi publicado com o nome “The Medium is the Massage” e McLuhan não quis corrigir o título, sendo assim comprovou a sua teoria. Com esta alteração do título, o mesmo passou a ter várias interpretações possíveis, como, message (mensagem), mess age (era da bagunça), massage(massagem) e mass age (era da massa).

Seguindo  raciocínio de McLuhan, a mesma mensagem mas transmitida por diferentes meios irá ter um impacto diferente, pois o meio de transmissão foram variados. Ou seja, apesar da mensagem ser a mesma, o que lhe dá uma importância diferente é o meio que a divulga.

Este conceito pode-se verificar em manifestações, uma vez que utilizando o meio correto a mensagem que querem transmitir pode ter o efeito desejado, mas caso o meio escolhido para transmitir a mensagem não foi o mais indicado, o efeito pode ser neutro ou até mesmo negativo. Por exemplo, se o meio utilizado para divulgar a mensagem for uma manifestação com violência, a mensagem pode-se perder e deixar de fazer sentido, enquanto que se utilizarem somente as palavras e por exemplo o recurso a performances, pode ser que a mensagem seja transmitida corretamente e tenha um efeito positivo e desejado pela ou pelas pessoas que a querem transmitir.

Em suma, é mais importante o meio utilizado para a divulgação de uma mensagem do que propriamente a mensagem que se quer transmitir, pois a mensagem por perder o seu conteúdo se não for corretamente divulgada.

Cassandra Santos

Luz como identidade

A primeira fotografia.
[link na imagem]

Joseph Nicéphore Niépce, 1826/1827 (?)

Estamos no século XXI e permanece uma incógnita a importância da fotografia. A habituação à imagem, nos seus inúmeros registos, proporcionou um espaço para aquela que se tornou uma ferramenta de representação mais próxima do real, daquilo que o olho humano observa na sua essência. Pondera-se ao longo dos anos toda uma vertente artística, mais do que documental ou científica. São traços breves e que não fazem jus ao crescer da fotografia, mas que nos dão a ideia da sua evolução.

Parece-me sobretudo importante falar da identidade na fotografia.
A representação da personalidade na fotografia, não tem de ser necessariamente um retrato, ou um autoretrato. O “eu” assinala a sua presença de inúmeras maneiras. O “eu” que fotografa, que dá o cunho pessoal e individual à fotografia, o “eu” que é fotografado, o “eu” que estuda o trabalho fotográfico e que o encomenda – sendo este a alma de uma fotografia, por exemplo.

Ainda assim, o registo da imagem foi fulcral em muitos aspectos do nosso dia-a-dia: a importância da fotografia como registo de identidade e qualidade de cidadão (o Bilhete de Identidade), como meio de fixar no tempo a imagem de pessoas e seus contextos geográficos (que, de algum modo, sentenciam a efemeridade da vida), como meio de aprendizagem e conhecimento do passado (relativamente ao aspecto anterior), como movimento artístico e cultural (representativo de dezenas de nações).

Teremos inevitavelmente de referenciar aquele que é dos movimentos actuais mais marcantes desta sociedade tecnológica – a difusão das selfies; e as variantes que agora vão surgindo, numa tentativa de quebra de registo, que mais não é do que uma variação do registo, seja ele individual/colectivo, realista/criativo, entre outros. Este facto pode estar intimamente ligado à lógica da remediação de Bolter e Grusin que, aplicada neste contexto, se traduz na presença do conteúdo e da matéria da fotografia, inseridos nestas que são as novas práticas tecnológicas baseadas nos princípios da fotografia.

É importante considerar a fotografia como elemento fundamental nesta que é a conjuntura social e tecnológica do século XXI; e como esta permitiu e, diga-se, ainda permite ao ser humano adquirir uma percepção do mundo que arrebatou certos padrões de vida antes de esta ter nascido. Ingrato seria negar o seu uso.

Maria Miguel

Uma breve história da fotografia desde a sua descoberta até à contemporaneidade

É indiscutível a importância que a fotografia tem em pleno século XXI. No entanto, se recuarmos até à sua invenção, será que conseguimos imaginar qual o impacto desta descoberta? Estaria o início do século XIX preparado para receber com leveza e aceitação a fotografia? Bem, é isso que iremos perceber.

Começando pelo princípio, o primeiro grande nome a destacar na história da fotografia, é Aristóteles, conhecido filósofo da Grécia Antiga. Enquanto estava sentado debaixo de uma árvore, Aristóteles observou o reflexo do sol no solo, em forma de meia-lua, durante um eclipse parcial. Desta observação concluiu que quanto menor fosse a distância entre as folhas, que eram penetradas pela luz do sol, mais nítida era a imagem reflectida.

Quem diria que esta observação, ignorada durante séculos, viesse a ser resgatada no século XIV por pintores que utilizavam essa “técnica”, designada por “câmara escura”, para produzirem desenhos como material de apoio para as suas pinturas. Leonardo da Vinci foi um desses pintores, tendo sido o primeiro a descrever o conceito de “câmara escura”, embora esta descrição só tenha sido publicada em 1797, ou seja, mesmo na recta final do século XVIII. Deste modo, a “câmara escura” tratava-se de um “objecto” fechado, com um orifício que, segundo o princípio físico da propagação retilínea da luz (entrada de luz no objecto), permitia um embate dos raios luminosos na parede paralela ao orifício. Este embate resultava numa imagem real de um objecto invertido. Quanto menor fosse o orifício, mais nítida era a imagem formada, dado que a existência de raios luminosos vindos de outras direcções era menor.

Com o aparecimento da “câmara escura”, muitos foram aqueles que se interessaram pelo aperfeiçoamento desta técnica, essencial para a obtenção da primeira fotografia, cuja autoria é atribuída ao francês Joseph Nicéphore Niépce, em 1826. Este terá sido o primeiro a conseguir colocar em prática a técnica da “câmara escura”, expondo, durante oito horas seguidas, à luz solar, uma placa de estanho coberta por betume, um derivado do petróleo, permitindo-lhe, assim, obter a primeira fotografia de que há registos. Niépce intitulou a sua técnica de heliografia, visto tratar-se de uma fotografia conseguida através da junção do sol e da física.  Niépce, first photo world

Imagem daquela que foi considerada a primeira fotografia da História, atribuída a Joseph Niépce, 1826.

Posteriormente, Louis Jacques Daguerre, inventou o Daguerreótipo que consistia numa “câmara escura” com chapas de prata impressionadas. Estas eram viradas de um lado e outro até que, com iluminação adequada, fosse possível obter uma imagem em tons de cinzento e, para tal, as fotografias tinham de ser previamente iodadas. Através de documentos históricos, sabe-se que, em 1839, cada chapa custava, em média, 25 francos ouro, e, geralmente, estas fotografias eram preservadas em estojos, como se de jóias se tratassem. Por outras palavras, a fotografia era encarada como uma forma única de perpetuar a memória das pessoas, sendo tratada como uma verdadeira relíquia.

Contudo, se para uns a fotografia era utilizada para se obterem retratos, para outros, a fotografia torna-se essencial para a pintura. Desta forma, percebemos que a fotografia, no início do século XIX, é explorada pelos pintores, dando origem a uma secundarização da fotografia em relação à pintura – o pintor é um mestre que usa a fotografia como complemento para o seu trabalho.

Rapidamente, esta ideia foi contestada, iniciando-se, assim, uma revolta artística. Surgem os primeiros fotógrafos que defendem que a fotografia oferece um realismo muito mais preciso do que a pintura, não fosse a pintura algo facilmente manipulável. Além disso, a fotografia obtinha-se num curto espaço de tempo, ao contrário da pintura.

Depois de inúmeras discussões e de ofensas entre os apoiantes da fotografia e os que viam a fotografia como um produto da máquina e não do homem, reconhece-se a importância da fotografia para o mundo da arte.

E essa importância é nítida na actualidade. Facilmente se compram câmaras fotográficas, revelam-se fotografias e, sendo o século XXI considerado o “século digital”, nem é preciso imprimir uma fotografia para que esta tenha um valor simbólico e artístico.

Além disso, hoje, qualquer pessoa pode armar-se em fotógrafo, seja com a câmara de um telemóvel, de um computador ou de uma máquina fotográfica. Evidentemente que haverá sempre que distinguir um fotógrafo amador de um fotógrafo profissional, mas, o que pretendo transmitir, é o poder que a fotografia adquiriu na nossa sociedade, acessível economicamente a grande parte da população, ao contrário da pintura que envolve técnicas muito mais precisas, demoradas e dispendiosas.

Rafael Pereira.

A dimensão do som

Permitam-me desviar um pouco do tema. Antes de percebermos o que acontece quando se grava um som, temos de ter a ideia da importância do som. Do ponto de vista físico, não é mais do que uma onda mecânica, longitudinal, que se propaga no espaço. Porém, no plano das ideias, numa dimensão metafórico-filosófica, pode ser mais do que isso.

O som acompanha o ser humano desde o momento em que este tem noção do que é Ser: a comunicação entre si, a música, os sons da Natureza, os rituais, tudo aquilo que reage ao nosso ouvido. Salvo excepções patológicas, imaginem um mundo sem som. Imaginem um mundo sem o som do rebentar das ondas, o palrear das aves, o rachar das árvores com o vento. Imaginem o mundo sem música, sem as cordas, sem a repercussão, sem a harmonia. Imaginem um mundo sem voz.

Em 1977 a NASA decidiu enviar duas sondas “irmãs” para os confins do Universo. As suas missões são registar e enviar o maior número de informações que conseguissem obter ao longo da sua jornada. Como é de esperar, não passarão muito mais longe do que a Nuvem de Oort, em direcção ao espaço interestelar, onde o campo gravitacional do Sol já não tem qualquer influência. Para aquilo que nos interessa, é curioso saber que em ambas essas sondas vai um disco de cobre revestido de ouro, com a respectiva agulha, cujo o nome é “Sons da Terra”. Nesse disco vão 115 imagens da Terra (incluindo uma imagem de pescadores), 55 saudações em diferentes línguas e excertos de músicas dos quatro cantos do Planeta Azul.

Que necessidade é esta que temos de imortalizar o som? Que necessidade é esta que temos de expandir o nosso som por mais longe possível no tempo e no espaço? É algum complexo narcisista inato ao ser humano? Medo de cairmos no abismo do esquecimento? Necessidade de afirmarmo-nos enquanto espécie? Penso que é certo que o som tem um alcance superior à realidade física. O som, podemos dizer com certeza, simboliza a Vida. Não são sinónimos, todavia, onde há som, há movimento, potencial, conforto, dimensão espacial/temporal. Em jeito de finalização, apenas digo: no dia em que não existir som no Universo, potencialmente é porque este já não existe da forma como o conhecemos. Façamos então silêncio para ouvir.

#aletradaspessoas

Ultimamente tenho reparado, especialmente em algumas contas da plataforma Instagram de amigos uma imagem que se repete de uma conta para a outra. Trata-se de uma fotografia de um texto escrito à mão que diz:

“Uma coisa que a gente não conhece mais: a letra das pessoas. Essa é a minha, qual é a sua?”

Seguida pela hashtag #aletradaspessoas, a espécie de campanha que se tornou viral no início de março deste ano revela mais do que um modismo. O surgimento da escrita mecânica e cada vez mais seu desenvolvimento em teclas ( de máquinas de escrever à computadores ) até a invenção das telas touch mostram uma defasagem significativa em relação à escrita manual. Apesar de preferir escrever manualmente, e à lápis, o uso do computador, com o tempo alterou a forma que minha letra um dia já teve. E o que antigamente poderia ser compreensível, hoje em dia percebo que se transformou em garranchos identificáveis, muitas das vezes, somente por mim . Atribuo, além da falta de prática cotidiana, o fator da velocidade que cada vez mais parece querer se assemelhar, na minha escrita manual, ao uso que faço do teclado do computador ou do teclado virtual do celular. Sem dúvidas e com alguma prática, as vantagens de se digitar um texto em detrimento de escrevê-lo à mão recaem sobre a questão do tempo – e este cada vez mais escasso na nossa sociedade.

Voltando à campanha.

Resolvi pesquisar mais profundamente para entender da onde vinha essa nostalgia súbita de conhecer a letra das pessoas. Sintoma de uma sociedade ‘online, nonstop and on demand’? Percebi que de súbita essa nostalgia nada apresenta. Em 2012, através da plataforma Tumblr, foi criada a página Minha Letra Cursiva a partir do desejo e curiosidade da autora de conhecer a letra de seus amigos. O que era somente algo restrito a um pequeno grupo tomou força e foi crescendo com cada vez mais pessoas aderindo e enviando suas letras para serem postadas. No Tumblr, as mensagens enviadas eram diversas e cada pessoa poderia – e pode, criar sua própria mensagem para vê-la postada.

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A retomada – e digo isto pois foi no Instagram que a ideia do Tumblr teve seu início, da prática através do Instagram, a partir de março deste ano já conta com mais de 20 mil adeptos. O que era uma curiosidade se tornou uma campanha e revela que muito da mecanização que vivemos hoje em dia pode obliterar ações tão humanas quanto a individualidade de uma caligrafia. De um lado, especialistas se baseiam na grafologia – ou análise da personalidade através da caligrafia, para , por exemplo, seleção de emprego. Analisando os maneirismos da escrita de uma pessoa, esta ciência pode observar, além da personalidade, o caráter e possíveis distúrbios. Há testes online onde a pessoa pode comparar sua escrita com as categorias de análise – inclinação da escrita, ligação das letras, direção das linhas, dimensão da escrita, etc., e isso se aproxima da ideia de que a escrita é como uma impressão digital: única e particular.

Por outro lado, a internet transformou bastante a forma com que a gente se comunica e a educação acompanha essa mudança. O Ministério de Educação da Finlândia anunciou em dezembro de 2014 uma medida que vem gerando polêmica: a partir do ano letivo 2016/2017 cadernos e lápis serão substituídos por teclados, computadores e sistemas digitais. O Conselho Nacional de Educação do país indica que a digitação veloz é uma ‘importante habilidade cívica’ que toda criança deve aprender. Outro argumento é que há uma gama de opções de cursos online dos quais as pessoas tirariam maio proveito com uma digitação mais eficiente. Mais nem tudo está perdido. Destinado a uma maior performance em frente à tecnologia, o projeto finlandês ensinará a escrita manual nos dois primeiros anos de estudo e passará a assumir a digitação a partir de então. A prática do movimento manual se dará por meio de atividades paralelas como trabalhos artesanais e desenhos, que permitirão esse desenvolvimento cognitivo. Nos Estados Unidos, essa medida recebeu votos expressivos de escolas que simpatizam com o método.

Para uma melhor compreensão da problemática entre escrever à mão e digitar, o vídeo abaixo é esclarecedor.

 

Vejo essa campanha, mais do que curiosidade ou nostalgia, como uma forma de arquivamento da escrita manual. Agregando diversos tipos de letra, esse arquivo forma-se com a adesão de cada vez mais pessoas cientes, ou não, das mudanças que a tecnologia provoca. Tenho certeza que são momentos como este que se fazem ímpares na história da humanidade: das pinturas rupestres à oralidade, da oralidade para a escrita, dos papiros para os livros impressos e agora do mundo analógico ao mundo digital.

André Luiz Chaves

 

Falar ao telefone: A nova era

A meu ver o momento em que se pode falar ao telefone com alguém pela primeira vez foi importantíssimo.

Até ao momento a única maneira de comunicar com alguém que estivesse longe eram as cartas, algo que de alguma forma distorcia a realidade pois muitas das vezes os acontecimentos descritos nas cartas chegavam ao destinatário desactualizados.

Como é óbvio na altura as cartas demoravam imenso tempo a chegar e por isso os acontecimentos que descreviam que iriam acontecer já tinham acontecido.

Claro que também temos de ter em conta que quando o telefone surgiu não era para todos e em muitas terras era um telefone para toda a população. Existia claro a questão de para ligar a alguém se ter de passar por um atendedor que faria então a ligação entre os números manualmente.

Mas mesmo com isto tudo o momento em que podemos começar a ouvir a voz das pessoas com quem queríamos falar mesmo estando longe delas foi algo extraordinário. Tudo isto fez com que o contacto entre as pessoas fosse mais frequente e criasse também uma aproximação entre as mesmas.

Falar à distância tornou se algo mais fácil e rápido, em vez de lermos uma carta podíamos ouvir a voz da outra pessoa e falar com ela a tempo real e isto tornou se importante na vida das pessoa, o poder ouvir a voz daquela pessoa naquele momento.

O poder ouvir a voz humana e perceber coisas na pessoa que estamos a ouvir que seriam difíceis de perceber numa carta, como por exemplo o estado de espírito e o que a pessoa está realmente a sentir em relação a certos assuntos.

Mas acima de tudo o sentirmos e percebermos tudo o que nos querem transmitir, ouvir aquela voz e saber que aquela pessoa está MESMO a falar connosco naquele momento!

Filipa Silva

O início do fim da escrita manual

A máquina de escrever foi um importante marco na história da tecnologia. Apesar da sua utilização já não ser frequente nos dias que correm, este aparelho ainda influencia, de alguma forma, as tecnologias mais recentemente criadas, às quais grande parte da população tem acesso.

A máquina de escrever (também designada por máquina datilográfica ou máquina de datilografia) é um aparelho eletromecânico com teclas que, quando premidas, acionam a impressão de determinados carateres numa superfície (normalmente, uma folha de papel). O método e/ou mecanismos de impressão podem variar de máquina para máquina, mas o objetivo é sempre o de fixar a tinta ao papel através do impacto de um componente metálico com um relevo que contém a forma do caracter pretendido e que, ao ter contacto com uma fita de tinta, iria marcar o papel. Os primeiros projetos para este aparelho surgiram ainda na primeira metade do século XIX, mas só na segunda metade do mesmo século é que a máquina de escrever se tornou produto de mercado. A invenção da máquina datilográfica trouxe consigo algumas consequências, entre elas o facto de ter revolucionado a sociedade, na medida em que as comunicações ganharam outra dimensão; a contribuição (juntamente com a invenção do telefone) para a entrada da mulher no mercado de trabalho e, talvez a mais evidente, criação de uma nova forma de escrita – a escrita mecânica. Esta criação foi, sem dúvida, a que mais contribuiu para a «morte» da escrita manual.

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Doc. 1 – Uma das primeiras máquinas de escrever produzidas em massa, intitulada ‘Sholes e Glidden’ (1873).

Tal como acontece com todas as tecnologias, apenas um grupo restrito de pessoas (normalmente as elites com maior poder económico) tinha acesso às primeiras máquinas de escrever. Mas, na primeira metade do século XX, foram introduzidas no mercado as máquinas de escrever portáteis e elétricas, já com um grau superior de sofisticação e desenvolvimento – eram mais rápidas, práticas, silenciosas e, acima de tudo, estavam ao alcance de todos. A utilização desta tecnologia difundiu-se por vários setores de trabalho, com especial destaque para o mundo do comércio, dos serviços, para os bancos e trabalhos de secretariado. A necessidade de uma maior eficiência no trabalho e a própria necessidade de uniformizar a escrita (de modo a que fosse reconhecível por todos) contribuíram para a distribuição desta tecnologia pelo mercado – o que teve repercussões no desenvolvimento económico e social. A emancipação da mulher no mercado de trabalho também foi um resultado do desenvolvimento da máquina de escrever, como já foi referido anteriormente. Foram inclusive criadas formações na área da datilografia – datilo (dedo) e grafia (escrita) – que era a arte de digitar textos com os dedos através de um teclado.

Um aspeto interessante que marca a influência desta tecnologia do século XIX ainda no século XXI é o facto dos teclados dos computadores modernos ainda hoje preservarem o formato QWERTY das antigas máquinas de escrever. É possível, então, afirmar que a máquina de datilografia é uma espécie de antepassado do computador.

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Doc. 2 – Comparação entre o teclado de uma máquina de escrever e o teclado de um computador, onde é possível observar que a disposição das teclas é semelhante.

A quebra na utilização da máquina de escrever coincide com o nascimento do computador, já na segunda metade do século XX. Dotados de processadores de textos assim como outras funcionalidades, os computadores possibilitavam efetuar o mesmo trabalho de modo mais eficiente e rápido, provindo daí a sua adoção por parte das grandes empresas.

Assim, apesar de terem caído em desuso, ainda há vestígios da máquina de escrever entre nós – vestígios esses que perduram à quase dois séculos.

Diogo Martins

Banalização a cargo dos fotógrafos de bolso

Podemos definir a fotografia ou “escrita da luz” como a arte de fixar a imagem de qualquer objeto numa chapa ou película com o auxílio da luz. A fotografia surge da necessidade que o homem tinha de “conhecer o real” algo que não nos era possível até então através da pintura. A fotografia como hoje a conhecemos foi um processo que teve vários responsáveis.

A primeira fotografia tirada por Nicéphore Niépce, “View from the window at Le Gras” em 1826, depois de 8 horas de exposição é o momento chave do início da imortalização do momento, o permitir do registo da memória. É através desta fotografia que se dá uma revolução científica e artística.

Tornando-se a fotografia num meio de massas, podemos afirmar que qualquer um hoje em dia pode intitular-se fotógrafo. A banalização desta arte coloca por exemplo outras artes em categorias, digamos, mais elevadas como é o caso do cinema ou imagem em movimento, partindo do pensamento que qualquer um pode tirar uma foto mas nem qualquer um pode fazer um filme. Sendo que à dois contributos fundamentais para a banalização da fotografia, e são eles a implementação nos telemóveis/smartphones de pequenas câmaras fotográficas e a criação de redes sociais onde a necessidade de atualização fotográfica é constante. Todos estes “fotógrafos de bolso” (que não podem ser chamados de fotógrafos amadores) acabam por ofuscar a verdadeira essência da fotografia e os verdadeiros profissionais “do olho perspicaz”. Em diálogo é rapidamente possível constatar esta minha última reflexão.

Pergunto eu: Quantos fotógrafos profissionais conheces?

Responde ela: Nenhum!

Alguns dos verdadeiros profissionais “do olho perspicaz” podem ser encontrados anualmente, na mais prestigiada distinção de foto-jornalismo a cargo da Wold Press Photo, uma organização independente sem fins lucrativos criada em 1955, em Amesterdão.

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Fotografia “de Bolso” – Frisca

Ana Freitas Oliveira

A importância da imagem.

O que significa ver uma imagem pela primeira vez?

Quanto a importância da imagem ela retrata realidade, e sempre foi um desejo do ser humano poder ver retratado o que vê.
em 1826 Joseph Niépce realizou esse desejo com apresentação da primeira fotografia.
assim sendo iniciou se então uma rápida evolução, mais tarde a fotografia tornou se acessível a todos a apreciadores desta nova descoberta tornando se assim essa descoberta parte integrante e importante das nossas vidas.
Antes dessa invenção a pintura era utilizada como umas das formas de representação da realidade, seja para documentação como também para retrato familiar.
Após aparecimento dessa descoberta (da fotografia ), esse processo tornou se mais fácil, mais rápido, a medida que ia se evoluindo tornou se cada vez mais real dando mais possibilidade de as imagens tiradas ser recordadas eternamente.
As fotografias e imagens tiradas são como memorias vivas, registando o passado como se fosse o presente, passado esse que é revivido à medida que vamos olhando para as elas, como se o contexto em que foram tiradas, pudesse ser vivido novamente, é uma sensação imaginar um passado que se torna no presente, ou seja estar presente neste século XXI,.
Uma Imagem Vale mais que Mil Palavras, é a linguagem que se usa para Dignificar uma fotografia, pois aquilo que agente vê é aquilo que o Fotógrafo viu, esta observação tornou se cada vez mais importante nas nossas vidas, fornecendo-nos informações necessárias que mais facilmente tomamos como realidade e mais fácil de qualquer pessoa poder interpretar, do que por exemplo se fosse um texto de leitura, é mais receptível e mais fácil de ser intendido.

Podemos ter como exemplos , de grande repórteres de guerra, que ariscam as suas vidas para nos mostrarem o que se passa pelo mundo ou numa determinada rebelião ou campo de batalha ou de refugiados, bem como outras qualidades do ser Humano, qualidades essas totalmente diferentes daquelas que se mostram por exemplo em fotografias familiares.
Contudo devemos esta grande descoberta aos grandes inventores da fotografia e imagem, que tornaram as nossas vidas mais alegres. E
toda essas revelação que antes era apenas um meio para retratar a realidades existentes duma determinada época bem como do presente, hoje serve como meio de entretenimento, profissional, de documentação e entre outros.
É Arte em Todo Mundo. É um Meio de Comunicação, É A VIDA.

Ivete Monteiro

Publicidade e Tecnologia: Uma relação dos nossos dias

Tema: Que valores simbólicos estão associados aos dispositivos digitais? Que atributos lhes são dados pelo discurso publicitário e pelo discurso dos média? Como é obsolescência uma característica ao mesmo tempo programada e percepcionada?

Telemóveis, Tablets, computadores e alguns electrodomésticos, todos estes produtos digitais chegam até nós diariamente, quer queiramos quer não, comprando-os por opção ou apenas olhando para eles quando “passam por nós naquela janela de tempo publicitário que nos aparece nos intervalos dos programas de TV que vemos, ou até nos pop-up’s irritantes em páginas da Internet. A esses produtos nós associamos imediatamente valores simbólicos, como “poder”, “popularidade instantânea”, “superioridade”,  “masculinidade ou feminidade”, entre outros, dependendo do produto e da pessoa.

Mas a verdade é que os anúncios publicitários são os primeiros a das atributos favoráveis aos produtos, como fino e leve para um computador, ou ecrã de alta definição e muitas polegadas para televisores/televisões, ou software avançado e ecrã grande para telemóveis, e assim em diante. Nós somos persuadidos a comprar algo, mesmo que não precisemos. Mais tarde sairá um modelo melhorado do produto que compramos e o ciclo continuará, assim funciona o consumismo, o novo torna-se velho cada vez mais depressa, mesmo que ainda esteja tecnicamente novo, e com isto as empresas aumentam bastante o lucro. Até há mesmo empresa que propositadamente desenham um produto para durar determinado tempo, suficiente para ser desenvolvido o produto seguinte melhorado e mais aliciante que o anterior, a isto se chama obsolescência programada, um fenómenos dos anos 30 e 40, desenvolvidos pelos países capitalistas que é prejudicial para o meio ambiente! 1º o produto é comprado em bom estado; 2º após anos torna-se obsoleto; 3º O consumidor vai há procura de substituir o produto por um mais recente e o ciclo é repetido… Mas parece que nós não percepcionamos isto, pois algumas pessoas continuam neste ciclo de consumismo .

É preciso escolher bem o que compramos e caso tenhamos de substituir um produto podemos sempre tentar vende-lo, dá-lo ou reciclá-lo. Se não formos nós a pensar no planeta, quem será??? Reciclar não é suficiente mas é um começo.

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Beatriz Ventura

A importância do Mundo Virtual

Hoje em dia, a maioria das pessoas não dispensa dos meios tecnológicos, seja para trabalho ou entretenimento, o mundo tecnológico, é indispensável nos dias que correm e eu não sou diferente. Para qualquer coisa é preciso um computador, e a internet, de igual forma é um meio bastante útil nos tempos que correm, para nos mantermos atualizados e informados sobre o que nos rodeia. Todos os dias eu ligo o computador, seja para ir às redes sociais, fazer trabalhos ou até para o próprio lazer, o que implica até os próprios jogos, que por vezes nos ocupam bastante tempo, que até podemos considerar desnecessário.

Sendo eu de outra cidade e estando a estudar em Coimbra, passo a semana cá e deixo “para trás” os meus pais, para que a distancia se torne menor, o nosso meio de comunicação é sem dúvida a internet. Praticamente todos os dias uso o Skype para falar com a minha família, tornando assim a distancia um bocadinho menor, não é a mesma coisa e toda a gente sabe disso, mas ajuda-nos a manter o contacto e até a resolver alguns problemas que possam surgir.

As redes sociais servem não só para sabermos como estão os nossos amigos, pois através dos seus posts, sabemos o que andam a fazer, onde se encontram, coisas que antes teríamos de lhes perguntar diretamente e que agora com apenas um clique podemos estar informados disso, o que nem sempre é bom, porque por vezes expõem coisas que são bastante pessoais e irrelevantes para o mundo, mas também como está o nosso país e até o mundo. É importante socializar, óbvio que não é a mesma coisa como pessoalmente, mas visto que não podemos estar com todas as pessoas que queremos a toda a hora, porque não usarmos meios que nos ajudam a manter o contacto?

Em suma, eu acho que o mundo virtual é importante na nossa vida, visto que as pessoas se mantêm ligadas entre si, o que torna tudo muito mais fácil.

Ana Rita Silva

(re)versos das plataformas digitais

Nos nossos dias, é incontornável a centralidade assumida pela tecnologia digital no desempenho das mais diversas tarefas do nosso quotidiano, desde as mais complexas até às mais simples e triviais, como sejam o simples consultar uma pauta ou acordar ao som de um despertador incorporado no telemóvel. Tudo o que fazemos é cada vez mais mediatizado pela tecnologia digital, de tal forma que se afigura praticamente indispensável para qualquer pessoa que queira sobreviver na era digital o domínio dessas novas ferramentas. De facto, a ditar essa capacidade de nos movermos digitalmente está, desde logo, e entre outros aspectos, a crescente “onda” de conversão de grande parte dos serviços públicos e privados em plataformas digitais, on-line, em ordem a uma simplificação/ desburocratização de procedimentos. A título de exemplo, no quotidiano académico, a consulta de uma pauta, de material de apoio e das mais diversas informações passou a conseguir-se on-line, suprimindo-se a distância entre o aluno e a faculdade, assim como os aglomerados de pessoas que se juntavam ansiosamente nos átrios das faculdades, no dia em que previsivelmente seriam publicados os resultados. Este cenário não é do século passado, remonta a uma meia dúzia de anos atrás, reflexo evidente (entre muitos outros) da rapidez com que se vão pondo de parte os meios tradicionais de acesso à informação. Se, por um lado, são óbvios muitos dos benefícios inerentes à criação dessas plataformas, traduzidos essencialmente na rapidez de execução das tarefas, por outro lado, não é de descurar as suas fragilidades. Se ganhamos tempo ao não necessitarmos de nos deslocar aos serviços “físicos” para entregar um documento, a verdade é que as plataformas digitais, como qualquer objecto da criação humana, não são infalíveis, e quando a falibilidade vem à tona, vemo-nos forçados a regressar ao mundo do suporte em papel, com todos os entraves daí decorrentes para o normal funcionamento dos serviços, já que a respectiva informatização foi de tal forma profunda que se tornou irreversível para certos procedimentos, que não são concretizáveis com a entrega em mão em papel. Foi o que aconteceu há bem pouco tempo com a plataforma digital “Citius” – usada pelos profissionais da Justiça -, cuja inoperatividade durante uns escassos dias causou o caos nos tribunais.

Paralelamente, também as relações sociais e o conhecimento sobre o mundo que nos rodeia são intermediados por plataformas digitais, contribuindo decisivamente para uma nova forma de o perspectivar: deixamos de estar condicionados pela rigidez dos horários do telejornal, para termos à nossa disposição 24h por dia, on-line, uma vasta corrente de informação, veiculada por diversos sites de canais noticiosos; também as redes sociais, criadas a partir do modelo Web 2.0, contribuem para a difusão de notícias, ainda que muitas vezes o consigam de forma pouco selectiva, naturalmente ao sabor da sensibilidade e interesses de quem posta as notícias, e sem a observância de critérios de interesse público que deve nortear a intervenção do jornalista num telejornal (o que também nem sempre acontece, se tivermos em conta as notícias sensacionalistas que passam nos telejornais). Como qualquer meio ao alcance do livre arbítrio humano, o Facebook, Youtube e tantas outras redes sociais e canais de informação, podem ser usados de forma muito útil e positiva para o indivíduo e para a sociedade, ou de uma forma menos socialmente comprometida (sem que seja minha intenção “diabolizar” essas utilizações mais supérfluas). Podem ou não criar mundos à parte do real, dependendo da intenção que move o seu utilizador, sendo certo que muitas vezes são uma mais-valia na divulgação de eventos, ideias e projectos de grande interesse, e um reflexo do dinamismo de grupos e pessoas reais. Penso, por exemplo, nos grupos que integram as secções culturais da Associação Académica de Coimbra, cuja divulgação “em campo” é fortemente complementada pela divulgação via facebook. Uma utilização saudável das redes sociais passa talvez, em boa parte, por avaliar se as acções que tomamos enquanto facebookianos terão correspondência no mundo palpável do “cara a cara” ou se, pelo contrário, são uma exposição ostensiva e exagerada da privacidade de cada utilizador, que não aconteceria no mundo não digital.

Sara Luísa Silva


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