Arquivo de Março, 2015

A eficiência é a mensagem – uma breve reflexão sobre parte da teoria de Marshall McLuhan

A propósito do debate suscitado numa das aulas passadas em torno da afirmação de que “o meio de comunicação é a mensagem”, proposta por McLuhan, tenho vindo a reflectir sobre como e em que medida a afirmação de certos meios de comunicação, desde a do telefone ao telemóvel, passando pelo ‘boom’ das redes sociais, tem permitido confirmar esta tese.

De acordo com McLuhan, o “meio”, o próprio sistema ou instrumento de comunicação que utilizamos para comunicar não se reduz a uma mera plataforma material de veiculação de mensagens de conteúdos variadíssimos, mas, muito para além disso, comporta, em si mesmo, um conjunto de valores, reflectindo determinadas tendências sociais, comportamentais, psicológicas e culturais do individuo inserido em sociedade.

Comecemos por analisar a mensagem subjacente ao uso e difusão do telefone fixo. Julgo que não será descabido considerar que a introdução do telefone nos sistemas de comunicação, em finais do século XIX, reflectiu a aceleração do ritmo de vida da sociedade industrializada, da qual emergia uma nova dinâmica social, a vários níveis, que não se compadecia com a morosidade da correspondência pelo correio e de outras formas mais arcaicas. A exigência de rapidez e eficiência subjacente à Revolução Industrial começa a ser induzida nos indivíduos e, tal como sucede em tantos outros processos, generaliza-se, isto é, parte de uma área muito especifica – neste caso, o mundo laboral e as relações comerciais -, para se alastrar a outros círculos, designadamente o familiar e privado, os quais não funcionam de forma estanque, entrecruzando-se entre si. O telefone permitiu, entre muitíssimas outras vantagens, agilizar a comunicação entre familiares separados pela distância de milhares de km, proporcionando rapidez na transmissão de notícias, cuja recepção pelo destinatário não era conseguida, de outra forma, em tempo útil: por exemplo, não seria raro, antes da difusão do telefone, que um emigrante português no Brasil tivesse conhecimento da notícia da morte de um familiar apenas passadas várias semanas após o acontecimento. À medida que se verificam avanços na tecnologia e se encurta o tempo de execução de diversas tarefas, também se criam novas necessidades que se sucedem umas atrás das outras, numa espiral crescente e incessável de exigência.

Se o telefone encurtou distâncias e acelerou a comunicação, o telemóvel veio contribuir ainda mais decisivamente para a ‘ditadura’ da rapidez e instantaneidade da comunicação, sendo simultaneamente causa e consequência da velocidade e imediatismo a que nos habituamos nas mais diversas tarefas e processos do quotidiano da actualidade. Como tudo na vida, os benefícios do telemóvel tornar-se-ão mais ou menos evidentes, consoante o uso que lhe dermos. Se é verdade que o telemóvel permite agilizar e flexibilizar uma série de procedimentos quotidianos, também não podemos deixar de observar que por vezes é convertido num estorvo à eficiência e boa gestão do tempo, quando, por exemplo, o cumprimento de um compromisso marcado com mais de 2h de antecedência fica dependente da confirmação efectiva no minuto anterior à hora marcada de que a outra pessoa se vai encontrar no sítio combinado.

Embora não seja minha intenção, nesta brevíssima reflexão, proceder a uma análise exaustiva e cientificamente suportada acerca dos efeitos sociais e psicológicos da invenção do telemóvel, a verdade é que em diversas situações do nosso quotidiano podemos verificar “empiricamente” que o imediatismo subjacente a esta forma de comunicação (bem como a outras, de que são exemplo as redes sociais) potencia uma forma de estar em relação com os outros por vezes demasiado descomprometida, e paradoxalmente, dependente. Descomprometida, na medida em que, partindo do pressuposto de que toda a gente se encontra conectada 24h por dia, por vezes não são previstas e comunicadas as mais variadas situações com a necessária antecedência, ou então são “desmarcadas em cima do joelho”, seja uma reunião de trabalho, seja um encontro informal entre amigos; dependente, na medida em que muitas vezes essa forma de estar se traduz numa enorme ansiedade e avidez de deter conhecimento sobre tudo o que se está a passar ao mesmo tempo em vinte sítios diferentes, fazendo-nos estar em todo o lado e em lado nenhum, porque não é possível assimilar verdadeiramente tanta informação a acontecer ao mesmo tempo.

Talvez o tomar consciência da mensagem que subjaz aos meios de comunicação dos quais depende o bom funcionamento do nosso quotidiano actual seja o primeiro passo para que possamos encontrar um ponto de equilíbrio na sua utilização que nos permita afirmar: “a dependência não é a mensagem”.

 

Sara Luísa Silva

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O declínio da escrita manual

A necessidade de comunicação trouxe as primeiras tentativas de elaboração de um sistema de escrita há quatro mil anos atrás. Antes de qualquer alfabeto ter sido inventado já haviam as formas mais básicas de escrita que, se resumiam a representações gráficas, criadas pelas diferentes civilizações da época. As formas de escrita evoluíram, hoje o alfabeto romano é o sistema de escrita alfabética mais comum.

O homem contemporâneo tem presenciado as transformações galopantes que resultam da globalização. O irromper dos computadores e da internet alterou a comunicação entre as pessoas, a interação social adquiriu um formato mais dinâmico, uma vez que, a mesma pessoa pode realizar as mais diversas tarefas ao possuir estes dois elementos.

A internet fez surgir novos géneros discursivos que possibilitaram a aproximação da oralidade à escrita através de uma linguagem informal. A realidade virtual mudou a escrita que é efetuada através da mesma, surgiu uma redução gráfica, movida pela necessidade de realizar uma comunicação mais rápida em menos tempo que, de certa forma reflete o funcionamento da sociedade capitalista, uma forma de viver caracterizada pelo movimento acelerado das relações interpessoais e institucionais.

A velocidade da comunicação na internet fez surgir uma linguagem distintiva com inúmeras abreviações que não respeitam as regras de ortografia, são diminuídas as palavras, os acentos e pontuações removidos, com o argumento da velocidade da interação comunicativa e de que o importante é entender e fazer-se entender.

O e-mail e as mensagens de texto têm substituído o correio tradicional e os tablets os cadernos dos estudantes. Os especialistas afirmam que o sistema de escrita através da caneta e papel e do teclado exigem diferentes processos cognitivos. As crianças podem levar muitos anos até conseguirem dominar a técnica da escrita manual, ao passo que manusear um teclado e utilizá-lo para escrever um texto revela-se bem mais fácil, basta pressionar a tecla certa.

A qualidade de um texto, a sua correção ortográfica, harmonia e equilíbrio deve ser mais importante do que a forma utilizada para o produzir. Contudo o leitor sente-se mais próximo do autor se o texto for escrito manualmente. A caligrafia de cada pessoa é diferente e única, deixa transparecer a emoção e certas particularidades do autor.

Joana Valente

E já dizia o McLuhan…

O conceito de Aldeia Global, introduzido pela primeira vez pelo teórico Marshall McLuhan pretende explicar a tendência de evolução do sistema mediático como elo de ligação entre os indivíduos num mundo que ficava cada vez mais pequeno perante o efeito das novas tecnologias da comunicação. McLuhan considerava que, com os novos media, o mundo se tornaria uma pequena aldeia, onde todos poderiam falar com todos e o mais insignificante dos rumores poderia ganhar uma dimensão global.

Esta sua teoria ganharia corpo com o aparecimento da Internet, sendo este um meio de comunicação atualizado ao minuto, de forma tal que para nós é impercetível. Para que fiquemos a perceber esta afirmação tomemos em conta o site Youtube onde a cada minuto são postadas 100 horas de vídeo, o equivalente a quase 4 dias de exibição continua.

Mas como qualquer outro meio de comunicação a Internet possui as suas vantagens e desvantagens. Como vantagens podemos referir a facilidade com que dois interlocutores em partes absolutamente distintas do globo se comunicam de forma quase instantânea; a facilidade de acesso á informação e a liberdade para a escolha da informação á qual queremos ter acesso (ao contrário, por exemplo do jornal que nos “impinge” um conjunto de informações da qual muitas vezes só uma nos interessa). Enquanto desvantagens podemos referir a constante postagem de conteúdo falso e abusivo o que leva ao “engano” do recetor que na maioria das vezes não se “dá ao trabalho” de perceber se essa mesma informação é ou não verdadeira.

A Internet é o meio de comunicação mais utilizado em todo o mundo, sendo que hoje em dia escasso é o número de pessoas que a ela não tem acesso.

http://www.infopedia.pt/$aldeia-global

http://info.abril.com.br/noticias/internet/por-minuto-100-horas-de-video-sao-postadas-no-youtube-19052013-11.shl

https://aboutmarshallmcluhan.wordpress.com/category/aldeia-global/

mcluhanmars1

Marshall McLuhan

https://aboutmarshallmcluhan.wordpress.com/category/fotos/#jp-carousel-99

Ana Freitas Oliveira

Conexão vs Desconexão

Com a vulgarização do uso dos médias digitais, os seus respectivos reflexos no nosso quotidiano se acentuaram ao ponto de sermos induzidos a encarar o seu uso de forma inconsciente e intrínseca. Refletindo tal uso em grande parte na nossa formação de identidade e relação com o espaço exterior. No entanto, isto cria uma divergência, com uma utilização tão relevante vemo-nos obrigados a nos interrogar sobre a sua negatividade e positividade. O nosso quotidiano é extremamente digital, rejeitamos progressivamente o contato face a face por reconhecer a facilidade que os dispositivos nos oferecem. Mas isto não é inteiramente aplicável e universal, podemos estabelecer relações à distância e ao mesmo tempo não estarmos totalmente desligados daquilo que nos rodeia, não há uma verdadeira interferência. No entanto, escolhemos preferencialmente os formatos digitais para estabelecer ligações, somos arrastados para um universo totalmente digital. Estaremos a criar um entrave na nossa capacidade comunicativa com os outros? Não podemos negar os efeitos inerentes dos dispositivos que utilizamos diariamente, de forma quase que obsessiva e garantida por uma percentagem de bateria que depois de descarregada revela a nossa dependência com o mundo virtual. Apresentamos a este mundo identidades construídas, por vezes que não correspondem aquilo que realmente somos, vestimos uma capa para ser apresentada. Somos envolvidos pela quantidade de gostos e seguidores que obtemos nas múltiplas redes sociais que nos são oferecidas e que interiormente não entendemos realmente o seu propósito mas que nos faz participar ativamente. Deveríamos saber como usar a internet para que não seja ela mesma a utilizar-nos e tornar-se altamente manipuladora. Temos ao nosso alcance todo o tipo de mecanismos e informação e uma vez que existe esta predisposição devíamos escolher uma apropriação instrutiva, uma formação intelectual, um adquirir de conhecimento e alargamento dos nossos horizontes, de novas ideias, de desenvolvimento de criatividade. Sobre este uso as consequências negativas devem ser contornadas tentando extrair aquilo que é positivo. A digitalização não deve ser encarada como extremamente necessária na nossa relação com os outros e no reconhecimento de nós mesmos, mas também não podemos rejeitar totalmente a sua existência. A criação de um paralelo é importante para entender se estamos a utilizar corretamente os meios digitais. Não nos limitemos a nos expressar a partir de emoticons, escolhamos as vias de conversação que não sejam auto corrigidas instantemente e reformuladas por abreviaturas. A mediação digital precisa de racionalização.

Helena Bastos

Evolução sem fim

Desde que foi inventado e patenteado a  7 de março  de 1876 por Alexander  Graham  Bell , o telefone nunca mais parou de evoluir .

Deixou de ser um aparelho fixo, com a necessidade de estar sempre ligado a um fio e que para ser fazer uma chamado para outra pessoa tinha que se ligar para uma central e a operadora é que fazia a ligação com o numero para o qual se queria ligar. Abaixo vemos uma fotografia representativa de como seriam os primeiros telefones, que ao contrario dos de hoje que nos dão para fazermos varias coisas estes apenas davam para fazer chamadas.

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Mas também o telefone teve necessidade de evoluir, de tal forma que ainda não parou e ninguém sabe se algum dia ira parar, abaixo temos uma foto de um telefone do futuro.

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Telefone esse que segundo o seu inventor, vai conseguir prever as mudanças climatéricas que vão ocorrer, mas o que importa é podermos ver a evolução radical que existe entre o primeiro telefone, e um que ainda só esta em fase de projeto

Embora separados por mais de um seculo existe algo que é comum entre eles, algo que os une  e que nem por mais evoluções que haja  vai sempre continuar  a existir e a fazer parte da essência deste tipo de aparelhos.

Independentemente de outras funções que possam ter os telefones do futuro eles tal como os primeiros telefones servem para as pessoas comunicarem por voz sem a necessidade de estarem na presença umas das outras.

Se para a nossa geração isso já é visto como um dado adquirido, para os nossos antepassados isso era algo impensável. Como é que alguém poderia falar com outra pessoa sem estar perto dela?!

Ninguém hoje consegue descrever o que foi sentido quando foi feita a primeira chamada telefónica, apenas podemos através do que está escrito ver que foi algo que foi recebido com algum espanto e até com alguma desconfiança, pois como é que era possível estar a ouvir a voz de uma pessoa através daquele aparelho?

É claro que para as gerações posteriores essas exclamações podem não fazer sentido, pelo simples facto de que já nasceram num mundo mais tecnologicamente avançado. Mas se essas mesmas gerações estivessem naquela mesma altura em que foi feita a primeira chamada, muito provavelmente iriam ficar igualmente espantados e até desconfiados.

A Linguagem: no Papel e no Teclado

O afastar a mão do papel para a dirigir ao teclado provoca em nós um infindável número de alterações. Deixamos de nos curvar perante o peso da palavra para escrevermos de coluna ereta, e basta um ligeiro desvio do olhar para assimilar o texto na sua totalidade. Relemos, reescrevemos, somos simultaneamente escritor e editor, leitor e crítico. E se deixa de ser credível a imagem do torturado poeta, debruçando-se sobre o manuscrito num gesto de reserva e, conceda-se, uma beleza quase filosófica, surge-nos outra imagem: a do escritor digitando à velocidade da luz, apagando e escrevendo em alternância, tirando proveito de infindáveis aplicações e programas para o seu ofício.

“Throes of Creation”, de Leonid Pasternak

Se a predominância do teclado altera tão grandemente a nossa fisicalidade, será então de prever que esta diferença se reflita também naquilo que escrevemos. Há já várias aulas atrás discutíamos a conceção de Michael Wesch, no seu vídeo The Machine is Us/ing Us, de que a escrita à mão é linear, enquanto a digitalização do texto nos permite uma maior flexibilidade. E, na minha opinião, é impossível não concordar com o autor. Embora Wesch se sirva da borracha para reescrever as suas afirmações, num gesto algo contraditório, penso ser possível comprová-lo.

Lanço então o desafio a quem ler este texto de seguir o exemplo de escritores modernistas como James Joyce ou Marcel Proust, aplicando a técnica pela qual ficaram conhecidos, o fluxo de consciência ou monólogo interior (termos quase sinónimos, embora alguma distinção seja possível), tanto num suporte de papel como em formato digital. Esta técnica consiste simplesmente numa forma narrativa que expõe o raciocínio completo de uma personagem; mas para o efeito, será talvez mais sábio descomplicar e fazer coincidir personagem, narrador e autor.

E entretanto, saltemos para as conclusões: as minhas. O papel pede de nós uma atenção quase total. O fluxo joiceano pertence ao papel porque este nos possibilita uma abstração daquilo que já foi dito antes. O seu resultado é por vezes vago, confuso ou até incoerente, e por isso mais real: ou não é verdade que muitas vezes damos por nós perdidos na nossa própria cabeça, ou mesmo esquecidos dos nossos pensamentos de há segundos atrás? Já escrever no computador é uma tarefa mais lenta e ponderada. Afirmo-o com toda a certeza, porque muitas vezes dou por mim a consultar sinónimos, reescrever frases, ou simplesmente estática em frente ao ecrã. É que o papel permite-nos criar as palavras como se surgissem do nada, enquanto o teclado nós atira para as mãos uma infinidade de ferramentas e diz “agora desenrasca-te que eu fico à espera”.

Se ao papel pertence Joyce, ao reino da máquina corresponde a prosa de Hemingway, com as suas frases curtas e os seus pensamentos breves e claros. É uma abordagem mais racional quando Joyce e Proust primam pela subjetividade; e embora esta última muitas vezes seja bastante críptica, não deixa de nos sugerir uma maior humanidade.

Impõem-se então duas questões. Será o texto digital não apenas fruto, mas também criador da impessoalidade? E a nós, que linguagem nos pertence?

Beatriz de Sousa Ferreira

Movimento das imagens

28 de Dezembro de 1895, Paris, Salão Grand Café.

O primeiro filme foi apresentado em sala pública, até então as imagens em movimento eram vistas principalmente numa espécie de caixas (cinescópios) inventadas por Thomas Edison e apenas uma pessoa via , “Arrivée du traine n gare à La Ciotat” dos irmãos Lumière, grande confusão se instala na sala cerca de trinta pessoas entram em pânico pensando que se aproximava um comboio verdadeiro e que iriam morrer. Grande sucesso que se expandiu até hoje. Tentaram passar alguns dos “mini” filmes que davam nos cinescópios para as salas de cinema para que todos pudessem ver em conjunto, um  dos filmes que teve um grande escândalo foi o filme “O Beijo” de 1896, em que os atores dão um pequeno beijo na boca e para a sociedade esses comportamentos eram proibidos em público tendo ambos os atores um final drástico (John C. Rice e May Irwin).

Com o passar do tempo o cinema começou a ser uma coisa normal e as imagens em movimento a ser utilizadas em imensas coisas, tanto para lazer ou trabalho. Hoje em dia usamos diariamente as imagens em movimento, na televisão, no telemóvel ou mesmo no computador.

Considero o cinema algo importante não só para a parte de lazer mas também para a parte cognitiva, existem muitos filmes de acontecimentos históricos, literários, entre outros. Muitas das vezes aumento a minha cultura geral com eles. A evolução e as consequências que acontece com o cinema acontece de certa forma também com as gravações caseiras, com elas podemos recordar momentos e/ou registar algo de importante. Ao filmar o mundo cada pessoa pode dar uma interpretação mais pessoal e divulgá-la e  quem sabe poderemos estar a dar um passo em frente tal como os irmãos Lumière ou o Thomas Edison o fizeram.

Eliana Silva


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