Arquivo de 1 de Março, 2015

A Deep Web e a política

Poucos são os que ouviram falar ou conhecem a realidade da deep web. Resumindo de uma forma simples, a deep web é toda a internet que não se encontra indexada aos motores de busca tradicionais e onde só nos é possível aceder através de um browser próprio que tem como função proteger a nossa identidade. No dia-a-dia apenas acedemos à internet da superfície que constitui apenas 20% de todo o universo da internet. Se dividíssemos a deep web por camadas, poderíamos contar até 9, sendo que o cidadão comum só conseguirá aceder até à terceira e que a partir daí só com conhecimento adequado e material apropriado. A deep web é todo um mundo macabro e assustador, onde o que não poderia estar à “mão de todos” se encontra escondido. Contratar assassinos, comprar droga ou armas e até fóruns de canibalismo são algumas das coisas que podemos encontrar. Mas nem tudo na deep web é negativo, pelo contrário. Podemos encontrar livros ou filmes que por alguma razão foram censurados, bem como blogs relacionados com política que pelo medo que os autores sentem de que seja revelada a sua verdadeira identidade, foram colocados na internet profunda, de forma a não sofrerem consequências.

A famosa Wikileaks, uma organização transnacional sem fins lucrativos, sediada na Suécia que publica no seu site posts de fontes anónimas, documentos, fotografias e informações confidenciais, vazadas de governos ou empresas, sobre assuntos sensíveis, foi criada na internet profunda e só depois surge à superfície. O país mais prejudicado com a criação da Wikileaks será certamente os Estados Unidos, onde constantemente são divulgados documentos confidenciais do país e procedimentos militares. Uma das mais notáveis publicações do site até hoje é o vídeo “Collateral Murder”.

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WikiLeaks através do browser TOR

Ana Freitas Oliveira

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Encontros com a tecnologia

Até que ponto a tecnologia, o produto da nossa inteligência, pode sobrepôr-se à essência humana? Até que ponto podemos nós negar a nossa natureza em função da tecnologia? Isso significa que o produto da nossa inteligência – a tecnologia – vai contra a natureza humana? Em última análise, podemos supor que a tecnologia é o carrasco e a desgraça da natureza e civilização humana?

Enquanto escrevo esta dissertação, num café simpático, rodeado de um espaço histórico e secular – a Sé Velha – levanto a cabeça, olho à minha volta e percebo que a tecnologia está invariavelmente presente no nosso quotidiano. Ou porque parece que temos uma necessidade quase inata e primitiva de estar a agarrar um smartphone, tablets e afins; ou porque temos necessidade de estar informados (e Deus nos livre não existirem jornais); ou simplesmente porque gostamos de ver o resumo do Benfica, que está dar na televisão. Será a natureza tecnológica inimiga da natureza humana? Eu penso que não, pelo contrário. A tecnologia vive para o ser humano, como uma bengala vive para um coxo: a tecnologia, no meu entender, é um suporte da civilização humana. A natureza humana, independente, criou a tecnologia. A questão é até que ponto queremos ceder a nossa independência em detrimento da natureza tecnológica. Essa batalha trava-se no campo de batalha da Ética. Sendo a Ética parte integrante da natureza humana, eu diria que só abdicamos dessa independência se perdermos o sentido ético que nos caracteriza. Por essa razão, a tecnologia já salvou milhões de seres humanos e dizimou outros tantos.

Dito isto, será a falta de sentido ético o carrasco da civilização humana? A motivação, enquanto preliminar da acção humana, é a chave deste curioso exercício mental. Nós criamos e orientamos a tecnologia conforme a nossa motivação, influenciada como já percebemos, pelo sentido ético ou ausência deste.

Em termos práticos, podemos dizer que Mark Zuckerberg quando criou a rede social Facebook, não estava à espera de contribuir para o avanço da Primavera Árabe. Com isto percebemos que por vezes podemos criar algo positivo para a Humanidade sob uma motivação controversa. Outro exemplo: sem as experiências horríveis e desumanas de Hitler e seus comparsas, estaríamos décadas atrasados na medicina nuclear. Valeu a pena? Os fins justificaram os meios?

Leonardo da Vinci, certo dia disse algo parecido: “A guerra anda de mãos dadas com o progresso”. Na história da sua vida, ele percebeu que só criando armas para o exército florentino é que conseguiria ter acesso ao apoio financeiro do mecenas Lorenzo de Médicis, para as suas pesquisas científicas. Será que ele não tinha sentido ético porque estava a criar armas potencialmente fatais, ou estaria ele a ser pragmático ao perceber que a sua tecnologia só poderia sair do papel se tivesse o apoio do mecenas? Sem esse apoio, a visão tecnológica de Leonardo da Vinci poderia ter desaparecido ou sido esquecido das páginas da História! Volto a questionar: os fins justificaram os meios? Teremos nós de abdicar do nosso sentido ético para o progresso da natureza tecnológica e, consequentemente, da civilização humana? Temos exemplos contrários de avanço da tecnologia sem pôr em causa qualquer vida humana? Temos, porém, por muito que a nossa motivação e os meios para alcançar os fins sejam éticamente correctos, nem sempre isso é significado de sucesso: Einstein quando desvendou os mistérios da física nuclear, com certeza não estava à espera que criassem uma bomba capaz de dizimar milhões de seres humanos. É estranho pensar que tudo o que nós hoje fazemos está intimamente relacionado com a tecnologia, que por sua vez, ao percorrer o seu próprio caminho, foi deixando “marcas de guerra” e “efeitos colaterais”.

Em jeito de conclusão, digo com toda a certeza: nós somos aquilo que queremos ser. Enquanto pais da tecnologia, devemos orientar esta de forma mais ou menos ingénua e sincera, mediando, vigiando e controlando potenciais consequências nefastas para a civilização humana.

Considerações finais: a tecnologia é como um bom copo de vinho; se for bom, é um prazer apreciá-lo, se for mau apenas vai servir para nos emborracharmos.

Ana Rita Egas

Addicted … or not

O meu dia a dia seria complicado se não tivesse rodeada de tecnologia. Das primeiras coisas que faço quando chego a casa é ligar o meu Facebook, ver o meu mail, ir ao meu Intagram… Mesmo antes de fazer coisas básicas como comer. Dou como exemplo uma situação que me aconteceu à uns dias, o meu telemóvel avariou-se, deixei de conseguir ir a todos esses sítios, não podia mandar SMS e estava “completamente” incontactável, nesse período cheguei a pedir a colegas para me emprestarem o telemóvel para enquanto não estava em casa poder estar conectada.

Podia-se dizer que sou viciada mas com isto posso comunicar com a minha família gratuitamente enquanto estou fora. Os próprios média, como a televisão e revistas envolvendo todo o marketing, empurra-nos para tais situações, como por exemplo nos programas de televisão encorajam-nos para comentar acontecimentos nas redes sociais, ou seja gratuitamente, apenas temos que usar hashtag alguma coisa. Não considero que este acontecimento seja mau, até acho que podemos considerar como progresso. Contudo, fica muito mais fácil de nos interligarmos e de nos percebermos uns aos outros. É mais fácil divulgar situações relacionadas com saúde, politica, entre os mais derivados temas. É mais fácil tomar conhecimento e discutir assuntos que não são do nosso meio.

Com isto podemos chegar a várias perguntas, viciado em tecnologia ou não? É necessário para nos manter informados a nível mundial ou não? Progresso ou criar dependência?

Eliana Silva

A Câmara Digital e a Revolução (ou A Câmara Digital é a Revolução)

Dizia Antoine de Saint-Exupéry que para ver claramente, basta mudar a direção do olhar. Peço então permissão para distorcer este parecer à luz dos dias de hoje: para ver claramente, basta deixar de fiar nos nossos olhos e confiar nesse “olho extra” que é a lente de uma câmara digital.

A câmara fotográfica tornou-se uma tecnologia tão banalmente ubíqua que nos parece anacrónica a sua ausência. Vivemos atualmente uma necessidade intrínseca de criar provas visuais de todos os instantes da nossa existência, que expressamos diariamente nos looks do dia e nas dezenas de selfies que entopem o feed de redes sociais como o Facebook ou o Instagram; somos protagonistas deste fenómeno ao pertencer ao número crescente de criadores do Youtube que trazem as suas vidas ao domínio público na forma de vlogs.

Mas se estas utilizações, cujos méritos também devem ser apreciados e valorizados, dominam uma tão grande porção da Internet, como garantir que outros conteúdos, de cariz mais político ou reivindicativo, cheguem até nós com a mesma facilidade? Como divulgar uma mensagem tão importante quando plataformas como a televisão são cada vez mais desacreditadas, e o mundo da Internet está mais interessado em desvendar a cor de um vestido?

Neste contexto, é fundamental o papel dos vídeos amadores, filmados por meros cidadãos espectadores de situações violentas, como esta, que por vezes os próprios média mais “oficiais” não se atrevem a noticiar de forma crítica.

Porque a dimensão política das tecnologias de comunicação e de informação está inerentemente ligada à liberdade de expressão e de divulgação, é imprescindível que valorizemos a palavra do cidadão face ao relativo silêncio dos noticiários. O caso mencionado de abuso de autoridade policial na cidade de Ferguson, Missouri (EUA) ainda hoje se repercute na vida diária dos seus habitantes; contudo, já há muito as televisões tornaram a sua atenção para outros assuntos.

Torna-se então clara a estreita ligação entre a plataforma interativa que é a Internet e a prática da liberdade de expressão, tão facilitada pela Web 2.0 e a descentralização da informação em rede. Por fim, encontramo-nos capazes de partilhar informação que de outra forma poderia não ser divulgada: rejeitada pelos jornais ou silenciada pelos noticiários. Cabe-nos a nós utilizar a Internet de forma interventiva e chamar a atenção para os flagelos que se passam um pouco por toda a parte, colaborando em defesa da justiça.

Não quero, com isto, insurgir-me contra os usos mais levianos dos média; o bicho humano é, afinal, tremendamente necessitado de entretenimento, e em nada defenderia a minha causa descartar as artes, por exemplo. Contudo, talvez não seja necessário adaptar as palavras de Saint-Exupéry, mas sim compreendê-las face à atual conjuntura social e mediática: para ver mais claramente o mundo, basta descolarmos o olhar plácido da infindável lista de novas apps que surgem diariamente, e dirigi-lo à todo um outro mundo de informação que se encontra à mera distância de um clique.

Beatriz de Sousa Ferreira

Alteração do objetivo dos novos média pelos seus utilizadores

Os novos média viciam ou os seus utilizadores é que se deixam viciar? Enquanto que existe utilizadores de redes sociais que não se deixam levar pela corrente de competição de quantos “gostos” se tem em cada fotografia, estado, imagem, vídeo, e tudo o resto que se pode publicar nas redes sociais. Por outro lado existem utilizadores que por norma são os  adolescentes ou jovem-adultos, que entram na competição de que falei anteriormente para tentar ser mais popular e ter mais “amigos” e pessoas que os seguem pela internet. Chegam a ter estratégias para obter mais gostos e comentários nas suas publicações. Uma dessas estratégias é repetir fotografias antigas para que as pessoas voltem a ver e quem não tinha colocado gosto, pode ser que desta vez coloque.

O objetivo de muitos dos novos média acabam por ser alterados pelos seus utilizadores, pois o objetivo central é a possibilidade de comunicar com pessoas conhecidas que estão distantes, contudo os utilizadores dos novos média aproveitam essa possibilidade mas mudaram a hierarquia dos objetivos, ou seja, em vez do grande objetivo dos novos média ser a comunicação com pessoas que conhecemos mas que estão longe de nós passou a ser, por exemplo, um meio de conhecer novas pessoas.

Na minha opinião, o uso dado aos novos média pelos seus utilizadores é que é o problema, pois se a hierarquia dos objetivos não fosse alterada talvez não houvesse tanta socialização virtual e toda essa socialização não passaria de um conjunto de estratégias.

Os utilizadores dos novos média são influenciados? Ou os utilizadores é que alteraram a hierarquia dos objetivos dos novos média?

Cassandra Santos

Viver Em Sociedade

A Web 2.0 ofereceu uma autonomia de poder criar, comunicar e partilhar que até então nenhum dos outros meios de comunicação (televisão, rádio, etc.) era capaz de oferecer. No entanto todas estas novas mudanças viriam a cobrar um preço bem alto, perda da privacidade.

O que se coloca em causa é o facto de vivermos em sociedade é também viver em conformidade com a sociedade tecnológica. Com a Internet, todos os nossos movimentos, gostos, e até personalidades são captados e estão ao acesso de qualquer um. A questão que se coloca é que efetivamente se teremos opção de escolha, se de certo modo poderíamos abdicar do uso da Internet (de estarmos inseridos numa plataforma digital) e ainda assim viver em sociedade? Como já disse, viver em sociedade é também viver em conformidade com a sociedade tecnológica. Por isso a reposta é simplesmente não. Uma vez li num artigo, na internet, que para vivermos em sociedade temos que aceitar o facto, mesmo de não usarmos nenhuma plataforma digital ou aparelho de acesso á Internet, estarmos numa plataforma digital pois qualquer movimento dado tanto no meio privado como público é captado. O simples facto de aparecermos num jornal de âmbito local é um motivo suficiente para estarmos no meio digital.

Ao que parece ninguém se importa verdadeiramente de estar a ser vigiado, aceitamos os serviços que nos são oferecidos que por vezes não estão de acordo com as nossas necessidades “tecnológicas” mas sim com as necessidades criadas em função da tecnologia, expomo-nos publicamente e fazemos uma “publicidade particular” nas redes sociais, damos os nossos dados pessoais de mão beijada sem pensar-mos nas consequências iludidos de estarmos seguros e no entanto estamos a ser expostos a todo o tipo de organização e governo.

Uns julgam que a realidade em que todos os nossos passos são seguidos é uma realidade meramente ficcional, mas de facto essa é a realidade a que estamos sujeitos a viver, se o queremos fazer em sociedade, mas também não acho que a resposta seja em isolarmos-mos do mundo mas sim de agir e de lutar contra a falta de legislação e do abuso de poder por parte dos governos.

Daniela Lages


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