Arquivo de 12 de Março, 2015

O início do fim da escrita manual

A máquina de escrever foi um importante marco na história da tecnologia. Apesar da sua utilização já não ser frequente nos dias que correm, este aparelho ainda influencia, de alguma forma, as tecnologias mais recentemente criadas, às quais grande parte da população tem acesso.

A máquina de escrever (também designada por máquina datilográfica ou máquina de datilografia) é um aparelho eletromecânico com teclas que, quando premidas, acionam a impressão de determinados carateres numa superfície (normalmente, uma folha de papel). O método e/ou mecanismos de impressão podem variar de máquina para máquina, mas o objetivo é sempre o de fixar a tinta ao papel através do impacto de um componente metálico com um relevo que contém a forma do caracter pretendido e que, ao ter contacto com uma fita de tinta, iria marcar o papel. Os primeiros projetos para este aparelho surgiram ainda na primeira metade do século XIX, mas só na segunda metade do mesmo século é que a máquina de escrever se tornou produto de mercado. A invenção da máquina datilográfica trouxe consigo algumas consequências, entre elas o facto de ter revolucionado a sociedade, na medida em que as comunicações ganharam outra dimensão; a contribuição (juntamente com a invenção do telefone) para a entrada da mulher no mercado de trabalho e, talvez a mais evidente, criação de uma nova forma de escrita – a escrita mecânica. Esta criação foi, sem dúvida, a que mais contribuiu para a «morte» da escrita manual.

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Doc. 1 – Uma das primeiras máquinas de escrever produzidas em massa, intitulada ‘Sholes e Glidden’ (1873).

Tal como acontece com todas as tecnologias, apenas um grupo restrito de pessoas (normalmente as elites com maior poder económico) tinha acesso às primeiras máquinas de escrever. Mas, na primeira metade do século XX, foram introduzidas no mercado as máquinas de escrever portáteis e elétricas, já com um grau superior de sofisticação e desenvolvimento – eram mais rápidas, práticas, silenciosas e, acima de tudo, estavam ao alcance de todos. A utilização desta tecnologia difundiu-se por vários setores de trabalho, com especial destaque para o mundo do comércio, dos serviços, para os bancos e trabalhos de secretariado. A necessidade de uma maior eficiência no trabalho e a própria necessidade de uniformizar a escrita (de modo a que fosse reconhecível por todos) contribuíram para a distribuição desta tecnologia pelo mercado – o que teve repercussões no desenvolvimento económico e social. A emancipação da mulher no mercado de trabalho também foi um resultado do desenvolvimento da máquina de escrever, como já foi referido anteriormente. Foram inclusive criadas formações na área da datilografia – datilo (dedo) e grafia (escrita) – que era a arte de digitar textos com os dedos através de um teclado.

Um aspeto interessante que marca a influência desta tecnologia do século XIX ainda no século XXI é o facto dos teclados dos computadores modernos ainda hoje preservarem o formato QWERTY das antigas máquinas de escrever. É possível, então, afirmar que a máquina de datilografia é uma espécie de antepassado do computador.

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Doc. 2 – Comparação entre o teclado de uma máquina de escrever e o teclado de um computador, onde é possível observar que a disposição das teclas é semelhante.

A quebra na utilização da máquina de escrever coincide com o nascimento do computador, já na segunda metade do século XX. Dotados de processadores de textos assim como outras funcionalidades, os computadores possibilitavam efetuar o mesmo trabalho de modo mais eficiente e rápido, provindo daí a sua adoção por parte das grandes empresas.

Assim, apesar de terem caído em desuso, ainda há vestígios da máquina de escrever entre nós – vestígios esses que perduram à quase dois séculos.

Diogo Martins

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Banalização a cargo dos fotógrafos de bolso

Podemos definir a fotografia ou “escrita da luz” como a arte de fixar a imagem de qualquer objeto numa chapa ou película com o auxílio da luz. A fotografia surge da necessidade que o homem tinha de “conhecer o real” algo que não nos era possível até então através da pintura. A fotografia como hoje a conhecemos foi um processo que teve vários responsáveis.

A primeira fotografia tirada por Nicéphore Niépce, “View from the window at Le Gras” em 1826, depois de 8 horas de exposição é o momento chave do início da imortalização do momento, o permitir do registo da memória. É através desta fotografia que se dá uma revolução científica e artística.

Tornando-se a fotografia num meio de massas, podemos afirmar que qualquer um hoje em dia pode intitular-se fotógrafo. A banalização desta arte coloca por exemplo outras artes em categorias, digamos, mais elevadas como é o caso do cinema ou imagem em movimento, partindo do pensamento que qualquer um pode tirar uma foto mas nem qualquer um pode fazer um filme. Sendo que à dois contributos fundamentais para a banalização da fotografia, e são eles a implementação nos telemóveis/smartphones de pequenas câmaras fotográficas e a criação de redes sociais onde a necessidade de atualização fotográfica é constante. Todos estes “fotógrafos de bolso” (que não podem ser chamados de fotógrafos amadores) acabam por ofuscar a verdadeira essência da fotografia e os verdadeiros profissionais “do olho perspicaz”. Em diálogo é rapidamente possível constatar esta minha última reflexão.

Pergunto eu: Quantos fotógrafos profissionais conheces?

Responde ela: Nenhum!

Alguns dos verdadeiros profissionais “do olho perspicaz” podem ser encontrados anualmente, na mais prestigiada distinção de foto-jornalismo a cargo da Wold Press Photo, uma organização independente sem fins lucrativos criada em 1955, em Amesterdão.

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Fotografia “de Bolso” – Frisca

Ana Freitas Oliveira


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